A decepcionante Fiorentina que foi rebaixada em 1993

Trio estrangeiro Fiorentina 1992-93

Os grandes trios estrangeiros da Serie A estavam chegando ao fim. Os tempos dourados de Maradona, Gullit, Van Basten, Platini, Falcão e tantos outros murcharam lentamente na década de 1990, com a abertura definitiva do mercado europeu. Entre estes times marcantes, esteve a Fiorentina de 1992-93.

Assistir ao Campeonato Italiano nos anos 1980 e 90 era um prato cheio para os amantes do futebol. Os grandes craques do planeta jogavam lá, em qualquer time que fosse. Até o início dos anos 90, a massacrante maioria de equipes da elite tinha um jogador de alto nível e reconhecimento internacional no time titular. Não faltavam ídolos.

Neste contexto, a Fiorentina iniciou a temporada de 1992-93 de forma muito promissora. As chegadas de Stefan Effenberg, Brian Laudrup e Francesco Baiano colocaram a Viola entre os favoritos nos palpites. A equipe já trazia craques como Diego Latorre e Gabriel Batistuta no elenco, treinado por Luigi Radice. A ideia da diretoria e do dono, o cineasta Mario Cecchi Gori, era de responder à péssima atuação na edição anterior da competição, quando o clube amargou um decepcionante 12º lugar.

A verdade é que Radice não tinha um elenco tão forte do meio de campo para trás. Muito embora o trio Effenberg-Laudrup-Batistuta fosse muito efetivo na criação e na finalização, lá na defesa as coisas eram preocupantes. A largada da Fiorentina foi discreta nos primeiros dois jogos, empatando com o Genoa em casa e com a Lazio fora, por 1-1 e 2-2, respectivamente.

A polêmica da camisa “nazista”

Batistuta Fiorentina 1993

A primeira polêmica da temporada violeta envolveu a camisa visitante, feita pela Lotto. O modelo, como se pode ver, é branco com as mangas e peito em tons de lilás com estampa moderninha. O que os desenhistas não notaram é que se formavam algumas suásticas no uniforme. Repare bem o espaço entre o logo da Lotto e o escudo da Fiorentina. A pressão na imprensa e os debates intensos forçaram a diretoria a pedir junto à fabricante uma nova peça. Eventualmente o clube substituiu esta coisa horrenda aí por um fardamento completamente branco com pequenos frisos em violeta.

A Viola oscilou demais na temporada. Quando impuseram 7-1 ao pobre Ancona, todos pensaram que os jogadores se acertaram e que iriam embalar com o tempo. Mas a equipe de Florença tomava goleadas inexplicáveis, como por exemplo o 7-3 contra o Milan, em pleno Artemio Franchi, e as sapecadas sofridas diante do Napoli e Udinese, ambas por 4-0. Os triunfos nas partidas frente a Sampdoria (4-0), Roma (2-1) e Juventus (2-0) animaram até o fim do primeiro turno. Olhando de longe, a impressão era que faltava sorte e por isso os três pontos não vinham com a frequência que se esperava. Foi aí que a maionese toscana desandou.

A derrocada

Effenberg e Laudrup, os astros que chegaram na metade de 1992 ao clube
Effenberg e Laudrup, os astros que chegaram na metade de 1992 ao clube

Na 14ª rodada, a Fiorentina perdeu em casa para a Atalanta e revoltou a diretoria. Radice foi demitido para dar lugar a Aldo Agroppi. A impaciência com treinadores acabou sendo a grande marca da campanha, muito por causa dos desmandos de Cecchi Gori. Depois de Agroppi, Luciano Chiarugi e Giancarlo Antognoni assumiram a equipe para tentar evitar o descenso. Sem sucesso.

Após a primeira queda de técnico, o time perdeu mais oito vezes até o encerramento da competição e só venceu mais três compromissos (Pescara, Cagliari e Foggia, este na última jornada). A virada para o returno trouxe péssimas notícias e um desempenho horroroso, afetado por uma síndrome de empates repetidos a cada fim de semana. Os atletas não tinham tempo para assimilar a mudança de filosofia dos comandantes e sofriam para mostrar algum resultado em campo.

Fato é que nem com o esforço de Batistuta (16 gols) e Baiano (10) a Viola conseguiu sair do buraco. A coisa mais comum era levar dois tentos por partida, o que complicava demais qualquer tentativa de reação. Os 56 gols sofridos ao todo escancararam a fragilidade defensiva e a instabilidade do elenco, que encerrou a Serie A com 30 pontos, 8 vitórias, 14 empates e 12 derrotas, um verdadeiro vexame para quem tanto investiu.

Apesar de vencer por goleada a última rodada diante do Foggia, por 6-2, não foi possível evitar o descenso ao lado de Brescia, Ancona e Pescara. A Fiorentina não era rebaixada desde 1938. A queda não provocou um desmanche e grande maioria do elenco permaneceu para jogar a Serie B sob o comando de Claudio Ranieri. Daquele ponto em diante, Gabriel Batistuta se transformava em capitão e ídolo da torcida.

Effenberg e Laudrup

Effenberg, que passou a braçadeira para Batigol, também ficou e jogou a segundona, mas retornou ao futebol alemão ao fim da temporada 1993-94, para assinar pelo Borussia M’Gladbach. Laudrup, que chegou com pompa em 1992 após o título da Eurocopa, foi para o Milan. Mario Cecchi Gori, o mandatário, morreu em novembro de 1993 e foi sucedido pelo seu filho Vittorio no comando. Eventualmente o clube se firmou na elite, com outros craques e Batistuta no comando. Mas isso é uma história para se contar em outra oportunidade…

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