O primeiro clássico entre Cruyff e Beckenbauer

Cruyff x Beckenbauer ajax bayern

Holandeses arrancavam para o tricampeonato europeu sob a batuta de Cruyff, em fase esplendorosa. Adversário do Ajax nas quartas de final da Copa dos Campeões Europeus de 1972-73 foi o Bayern de Franz Beckenbauer, derrotado de forma incontestável e alçado ao topo da Europa no ano seguinte.

No primeiro confronto entre Ajax e Bayern na história das competições europeias, os holandeses deram um verdadeiro baile nos rivais. De um lado, Johan Cruyff, o capitão e líder da mais encantadora geração da Laranja Mecânica. Do outro, o especialista Franz Beckenbauer, importante figura defensiva e ícone do futebol alemão. Os dois monopolizavam a atenção durante o encontro, que tempos depois ficaria marcado como mais uma grande aula de futebol dada por Stefan Kovacs.

O Bayern ainda não era a potência mundial que é hoje. Ainda não eram campeões europeus e o domínio dentro da Alemanha não era claro a favor dos bávaros. Campeões nacionais em 1971-72, os colegas de Beckenbauer possuíam apenas duas conquistas da Bundesliga. Depois daquela, consolidaram uma supremacia que provavelmente não será alcançada a não ser que aconteça uma tragédia.

Por outro lado, o Ajax estava em seus mais lindos dias, com duas taças europeias no salão nobre e em rota para capturar a terceira. Em 7 de março de 1973, os dois times se enfrentaram e inauguraram um histórico repleto de goleadas e reviravoltas. A cidade de Amsterdã recebeu bom público para a primeira mão das quartas de final da Copa dos Campeões (atual Liga dos Campeões, se não ficou claro).

A base bávara para o sucesso estava montada. Lá estavam Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Breitner, Hoeness e Müller. Os Godenzonen de Kovacs traziam uma verdadeira seleção: Stuy, Suurbier, Mühren, Krol, Cruyff, Haan, Rep, Keizer e Neeskens.

A pressão dos mandantes era evidente. Os alemães simplesmente não conseguiam lidar com o futebol total, a intensidade e a movimentação insana dos adversários. Mas só no segundo tempo o placar foi alterado: de baciada, Haan fez o primeiro em rebote de Maier dentro da área; Mühren meteu um golaço com uma bomba de primeira, no ângulo; Haan ampliou de cabeça após escanteio de Cruyff e o próprio Johan se encarregou de marcar o quarto, também usando a cabeça. 4-0, um passeio.

As buzinas enlouquecidas dos holandeses não deram folga em nenhum dos 90 minutos e os torcedores tampouco fizeram questão de apenas apreciar o espetáculo, pressionando os visitantes com um barulho infernal. Abarrotado, o Estádio Olímpico de Amsterdã se entregava à euforia.

Duas semanas depois, em 20 de março, o Bayern tentou dar o troco, apesar de enxergar que uma reviravolta seria sonhar alto demais e que um adversário implacável como o Ajax jamais daria brecha para tomar quatro gols e não marcar nenhum. Keizer abriu o placar para os visitantes e Gerd Müller virou para os germânicos, ainda no primeiro tempo. Muito pouco para quem tinha sido atropelado em solo holandês.

A história tratou de colocar o Real Madrid e a Juventus no caminho do Ajax, que jogou no estádio Marakana, em Belgrado, para garantir o seu tricampeonato. Rep fez o gol do título e os Godenzonen esperaram até 1995 para experimentarem da glória novamente. Cruyff, o gênio por trás do futebol total, seguiu Rinus Michels e foi para o Barcelona. Já atuando pelo time catalão, conduziu a Holanda até a final da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha.

E aí, após tantos carnavais contra os adversários, a decisão colocou Cruyff diante de Beckenbauer, valendo a principal taça do futebol mundial. Curiosamente, o roteiro foi semelhante ao de 20 de março de 1973. Os holandeses saíram na frente com pouco tempo de jogo e sentaram em cima da vantagem.

A Alemanha virou com Breitner e Müller, só que desta vez, não havia agregado desfavorável e os donos da casa deram a volta olímpica triunfante em Munique. Impossível não achar que foi vingança.

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