33 coisas que você não sabe sobre De Rossi

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Daniele De Rossi nasceu em 1983, ano do segundo scudetto da Roma. Em 2001, ainda não tinha sido oficialmente promovido por Fabio Capello para a equipe principal, quando Francesco Totti conduziu a Roma à conquista do terceiro campeonato. Ganhou uma Copa do Mundo, uma Euro Sub-21 e uma medalha olímpica, mas trocaria tudo pela possibilidade de dar à Roma sua quarta conquista nacional. Hoje, o Capitão Futuro – apelido que ele odeia – faz 33 anos, 20 deles dedicados à sua Roma. Nós desejamos que este ano ele realize aquele sonho que nunca escondeu de ninguém. Tanti auguri, Daniè!

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1- No dia de Santo Antônio de 1981, Alberto De Rossi casou com sua amada Michela. O amor veio de longe, mais precisamente de Túnis, para encontrar Alberto na cidade que ficaria eternamente ligada a seu sobrenome. Um ano e meio depois, no verão mais feliz da história romanista, nascia o primogênito, Daniele, no Policlínico Umberto I.  O pai não pôde passar muito tempo com o filho recém-nascido, porque tinha que se apresentar para a pré-temporada do Livorno, que amargava o descenso para a Série C2. Com apenas 45 dias de vida, o piccolo Daniele deixou Roma rumo à Toscana, onde viveu seus primeiros três anos. Mas ele lembra alguma coisa dessa época? “A minha primeira lembrança não é de futebol, mas da nossa casa em Livorno, cidade onde meu pai jogou por três temporadas, começando em 1983, ano em que nasci. Minhas primeiras recordações são ligadas àquela cidade, onde meu pai viveu tantas coisas felizes”. 

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2- De Rossi tinha apenas 1 ano e 11 meses quando pisou pela primeira vez em um campo de futebol. Na temporada 1984, o Livorno, dirigido por Renzo Melani, foi campeão invicto, levando apenas 7 gols. Na última rodada do campeonato, o loiríssimo Daniele entrou no gramado do Ardenza de mãos dadas com o pai. “Foi o primeiro estádio em que pisei e para mim parecia o Maracanã. Esta é realmente uma recordação feliz e inesquecível”.

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3- O grande responsável por De Rossi se tornar romanista é tio Osvaldo, irmão de sua mãe. Fanático pela Roma, Osvaldo nunca perdeu uma partida. Um de seus presentes está eternizado na foto que mostra Daniele, com apenas 5 anos, vestindo pela primeira vez o uniforme completo giallorosso. Mas não foi só isso, o tio levou o sobrinho para assistir a primeira partida do time do coração no estádio Olímpico, quando o menino tinha 10 anos.

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4- Aos 6 anos, De Rossi começou a treinar na Associazione Sportiva Ostia Mare Lido Calcio. Nos anos 80, o pequeno clube passou a receber financiamento indireto da Roma de Dino Viola, que buscava por lá promissores talentos. “Tenho o Ostia Mare no coração. A experiência foi importante pra mim, como é para todos os garotos. O clube faz a ponte entre o time de bairro e o time profissional. Você passa por muitas peneiras e o nível é alto. Foi muito importante pra mim“.

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5- Em 1992, aos 9 anos de idade, Daniele De Rossi fez o impensado: disse não à Roma. Vestindo a camisa viola do Ostia Mare, Danielino não perdia um treino no campo “Camilli”, sempre acompanhado pela mãe, Michela. Apesar de ser o menorzinho, jogava no ataque e marcava gols com assustadora facilidade. O menino se destacou e logo surgiu o convite para treinar no infantil da Roma. Nem a insistência do pai conseguiu fazer com que ele largasse os amigos do Ostia Mare. “A Roma me procurou por três anos seguidos antes que eu resolvesse ir. Recusei por dois anos consecutivos, porque queria estar com meus amigos. Estar com eles me divertia e eu não queria estar em outro lugar, por mais lindo que fosse. Eu ainda era criança e não me sentia bem indo embora e deixando todos meus amigos. No ano seguinte, participei de um torneio importante, que reunia também Roma e Lazio. Provei a emoção de jogar em Trigoria, naquele campo e contra aquela camisa… Naquele momento, cresceu em mim o fascínio pela camisa da Roma e por aquele ambiente. Como ninguém da Roma voltou a me procurar, achei que tinha perdido minha chance. Mas um ano depois meu sonho se realizou”.

6- Nonna Teresa, avó materna, tem um quiosque no badalado balneário Sporting Beach, na avenida beira-mar do Lido di Ostia. Com quase 80 anos, durante o verão é fácil encontrá-la todos os dias na entrada do seu estabelecimento. Sempre simpática e educada, a única coisa da qual ela não fala é da vida do neto famoso. Daniele confessou que sua comida favorita é a da nonna, especialmente o cous cous marroquino e as ‘polpettine’ que só ela sabe fazer. “Ela faz sempre pra mim o cous cous com legumes e carne, às vezes ela faz com peixe. Além disso, faz uns bolinhos de carne que não sei como chamam. Ela tempera com bastante cebola e alho. Outro prato delicioso que ela prepara pra mim é macarrão com creme de peperoni e camarão”.

7- Em março de 1996, De Rossi entra pela primeira vez naquela que se tornaria a sua segunda casa: “Me lembro do primeiro dia que entrei em Trigoria. O primeiro treino, a entrega das camisas. Você começa a se vestir como os seus ídolos, os seus campeões. Pisa pela primeira vez aquele gramado e descobre um mundo desconhecido porque, para mim, a Roma era uma coisa que eu ia ver no domingo, não era parte de mim”.

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8- Assim como Totti, De Rossi também foi gandula do estádio Olímpico. Não era muito bom no ofício, uma vez que passava mais tempo olhando as coreografias da Curva Sud que pegando as bolas que saíam do campo. Também não se continha quando a Roma marcava um gol e saia correndo para comemorar. Uma de suas melhores lembranças desse tempo é da partida contra o Milan, de 1996, vencida pela Roma: “Me lembro particularmente de um 3 a 0. Nesse jogo eu fui gandula e enfureci Sebastiano Rossi porque demorava para devolver a bola“. Nesse jogo, depois do gol de Balbo, é possível ver De Rossi, com 13 anos, correndo em direção ao argentino que vai comemorar com a torcida. Daniele, no entanto, faz uma confissão: “Devo ser honesto, quando um jogador famoso de um adversário passava na minha frente, ficava igualmente fascinado. Me lembro que Buffon, no fim de uma partida, me deu suas luvas. Eu e meus companheiros gandulas éramos apaixonados por esses grandes jogadores porque eles representavam tudo aquilo que nós queríamos ser“.

9- A camisa número 16 de Daniele tem história. Duas, na verdade. Não foi um número escolhido aleatoriamente, é o dia de nascimento de Gaia, sua primeira filha, mas também é o número da camisa de Roy Keane. Quem é Keane para De Rossi? “É um mito absoluto para mim. O número 16 da minha camisa, além da minha filha, é dedicado a ele. É sempre uma grande emoção encontrá-lo. Eu sou muito tímido, mas mesmo morto de vergonha pedi para tirar uma foto com ele quando nos encontramos em um amistoso em Londres. Quando o vejo, mesmo que seja sentado banco da Irlanda, me emociono“. Antes de usar o número que se tornou sua marca registrada, DDR usou outros. Quando subiu para o time principal, na temporada 2001/02, ele usava a camisa 27. Em 2004/05 passou a usar a de número 4. A partir de 2005, começou a usar a de número 16, seu número até hoje. Na seleção foram vários os números: 4, 6, 8, chegando a usar a de número 10 na Copa das Confederações de 2009.

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10- Com Daniele de Rossi ou é 8 ou é 800. A primeira vez que vestiu a camisa do time principal da Roma, foi em uma partida da Champions League contra o Anderlecht. Era 30 de outubro de 2001, e ele tinha apenas 18 anos. Na Série A, o debut veio quase 2 anos depois, contra o Como. Demorou quase 4 meses para entrar como titular, mas quando o fez, na partida contra o Torino, também marcou seu primeiro gol. Daquele 10 de maio de 2003 em diante, tomou posse da camisa giallorossa. Com ela venceu 2 Copas da Itália e marcou o gol da vitória contra o Inter na final da Supercopa italiana.

11- No dia 20 novembro de 2001, Daniele fez sua estreia com a camisa azzurra pela seleção sub-19. Jogou apenas três partidas, porque em março do ano seguinte foi convocado para a Under-20. Mas foi pela seleção sub-21 que conquistou um de seus maiores títulos de sua carreira, a Euro de 2004. Na competição máxima da Europa marcou 2 gols, um contra a Croácia e outro na final, contra Sérvia e Montenegro.

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12- Meia temporada e somente 6 partidas com a camisa da Roma. Estes são os números de Josep Guardiola em giallorosso. Pep pode não ter tido uma passagem marcante em Trigoria, mas foi muito importante para um novato de 19 anos chamado Daniele De Rossi. Os dois nunca jogaram juntos. No amistoso do dia 9 de janeiro de 2003 contra o Frosinone, Guardiola saiu de campo para a entrada de Bombardini no mesmo instante em que Daniele substituiu Totti. 16 dias depois é o próprio Pep a dizer a Daniele que deixaria a Roma para voltar ao Brescia. Anos depois, o catalão relembrou como foi a convivência com DDR: “A primeira lembrança que tenho dele é da pré-temporada. Ele não fazia outra coisa além de me perguntar sobre o Barcelona, era curioso e queria saber tudo sobre o Barça. Quando fui embora de Roma não o vi mais e gostaria muito de encontrá-lo. Neste meio tempo, ele se transformou em um dos jogadores mais importantes do futebol italiano. Sua carreira é esplêndida!“. De Rossi, por sua vez, retribui o elogio: “Pep é uma pessoa maravilhosa, eu era muito jovem, mas ele me pegou pelo braço e me guiou. Se hoje eu jogo em alto nível, parte do mérito é dele. Ele tinha algumas ideias particulares e estou certo que meu crescimento como jogador se deve também a seus ensinamentos, mesmo que ele tenha ficado poucos meses na Roma“. Os dois se reencontraram na fase de grupos da Champions League, no dia 21 de outubro de 2014, no Olímpico. Antes da partida, Pep, técnico do Bayern de Munique, saudou rapidamente Totti e De Rossi, esperando poder abraçá-los mais tarde. Infelizmente, o jogo terminou com o maledetto placar de 7 a 1, a favor dos alemães, e Daniele não estava pra conversa.

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13- Em junho de 2004, De Rossi foi escolhido pelo Comitê Olímpico Italiano para ser um dos atletas que carregaria a tocha olímpica pelas ruas de Roma. Os azzurrini de Claudio Gentile eram os favoritos para a medalha de ouro, depois de vencer o europeu Under-21, mas acabou em terceiro lugar, com o bronze olímpico. Para De Rossi, no entanto, os jogos da Grécia tem um sabor especial. No estádio Panthessaliko, em Vólos, ele marcou um de seus gols mais rápidos e bonitos, na vitória por 3 a 2 contra o Japão. Aos 2 minutos e 27 segundos, um gol de bicicleta depois do lançamento milimétrico de Sculli. Dos jogadores ainda em atividade pela seleção principal da Itália, apenas De Rossi, Andrea Barzagli e Giorgio Chiellini estiveram em Atenas.

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14- Uma amizade que teve início na preparação para a Olimpíada de Atenas fez de Pirlo e De Rossi inseparáveis por 10 anos. Depois da aposentadoria de Alessandro Nesta, passaram a dividir o quarto na concentração da seleção principal. Sobre os dois, Gigi Riva, indiscutível craque azzurro, diz: “Daniele é a única pessoa que faz Pirlo gargalhar“. Mas não é só na hora da diversão que Pirlo se faz presente. Na Copa da Alemanha, depois da expulsão de De Rossi na partida contra os Estados Unidos, Pirlo levou o companheiro para um passeio por Duisburg para distraí-lo. Depois de três mundiais de incrível amizade e camaradagem, Andrea aposentou a camisa Azzurra e deixou o companheiro saudoso:”Pirlo é um companheiro diferente dos outros. É uma pessoa com quem dividi o quarto, as brincadeiras, as vitórias e algumas derrotas terríveis. É talvez o melhor amigo que eu fiz no futebol e sinto sua falta terrivelmente“.

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15 – Aos 20 anos, em uma discoteca conhece Tamara Pinzoli, dançarina do programa de TV Sarabanda, o Qual é a Música? italiano. Amor à primeira vista, os dois não se largaram mais. Ele, um jogador promissor da seleção sub-21 e da Roma, ela, além da TV, estava no primeiro ano de Sociologia. Em menos de um ano de namoro, o casal dá as boas vindas a Gaia. A filha, nascida no dia 16 de julho de 2005, muda completamente a vida de Daniele. Coincidentemente, um outro relacionamento importante começa no mesmo dia. Luciano Spalletti, técnico toscano contratado pela Roma para levantar o time depois de um campeonato desastroso, inicia a preparação da nova temporada naquele dia. De Rossi ligou para avisá-lo que a filha tinha nascido horas antes, mas Spalletti não se comoveu e disse: “Parabéns! Dá um beijo no bebê e vem treinar”. Alguns dias depois, a Roma partiu para o retiro de Castelrotto e o jogador passou dias odiando o treinador. “Não pude ver minha filha por duas semanas“.

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16- Em 18 de maio de 2006, apenas 4 dias depois do final do campeonato italiano, Daniele e Tamara se casaram. A filha Gaia, com apenas 10 meses acompanhou o ‘sim’ dos pais. Entre os convidados, os velhos companheiros desde as categorias de base da Roma Alberto Aquilani, Alessio Cerci e Aleandro Rosi, o capitão Francesco Totti, o técnico Luciano Spalletti, o mentor Bruno Conti e o histórico massagista Giorgio Rossi. Os noivos tiveram que adiar a lua de mel, porque Daniele teve que se apresentar em Coverciano, no dia 21 de maio, para o inicio da preparação da seleção italiana para o Mundial da Alemanha. E essa história, todos sabemos, teve um final muito feliz.

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17- De Rossi é obcecado por tatuagem. A febre começou em 2007, com a primeira dedicada à filha Gaia, que reúne Teletubbies e partes da letra de Favola, música da banda italiana Modà. Depois vieram a gueixa, o braço esquerdo ‘fechado’, incluindo a frase em latim “Ubi tu Gaius, ibi ego Gaia” (Onde você estiver, eu estarei), um coração aqui, um homem palito ali e por aí vai. Tem também aquela que causou polêmica, um sinal de perigo avisando que a panturrilha está sujeita a carrinhos. A ideia era fazer a versão futebolística da tatuagem de um amigo que jogava rugby e tinha um tackle ao invés do carrinho, mas ninguém entendeu e acabou reforçando a fama de violento do jogador. Recentemente, admitiu que faria uma nova a cada mês e só não faz porque, além de ficar se sentindo mal por alguns dias, o calendário não permite que ele tire uns dias de folga. Seu sonho? Entregar a pele para o tatuador californiano Nikko Hurtado: “Um dia gostaria de encontrá-lo e fazer uma tatuagem com ele“.

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18- Daniele não sabe o que vai fazer depois que parar de jogar futebol. Desde 2005, quando nasceu sua filha mais velha, ele passou a investir em imóveis. Para aproveitar os bons negócios que fez, criou a Imobiliária Gaia, batizada com o mesmo nome da menina. Em 2009, abriu a segunda empresa no mesmo ramo, a Aleutine 106. Uma prova que ele está no caminho certo é que não faltam inquilinos, alguns deles são os companheiros estrangeiros que chegam à Roma. Um exemplo? Ljalic alugou a casa onde Osvaldo morou durante o período que esteve na cidade.

19- A fama e o sucesso tem dois lados, o bom e o ruim. Se é difícil manter a privacidade, sempre aparecem oportunidades no mundo da publicidade e do cinema. Garoto propaganda da Adidas, teve a chance de participar do documentário “Dream Big”, junto com  David Beckham, Steven Gerrard, Patrick Vieira e Michael Ballack, feito especialmente para a Euro 2008. Também fez várias propagandas da Pringles. No cinema fez seu debut em 2008, com o filme “L’allenatore nel pallone 2”, sequência do sucesso de 1984, com Lino Banfi. Daniele interpreta ele mesmo, assim como Totti, Del Piero e Buffon. No mesmo ano participou, junto com os companheiros da Roma, do episódio “Fuori gioco”, da série I Cesaroni. Também fez várias propagandas, entre elas a campanha das batatas fritas Pringles e o comercial do Unicredit, com Pirlo e Materazzi, que ganha disparado no quesito vergonha alheia. Costuma fazer aparições surpresa nos programas Tolleranza Zoro e Gazebo do amigo Diego Bianchi, mais conhecido como Zoro.

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20- Em agosto de 2008, DDR deixou o centro esportivo de Trigoria após receber uma notícia devastadora. Seu sogro, Massimo Pisnoli, havia sido assassinado. Posteriormente, detalhes alarmantes foram revelados. Não se tratava apenas de um assassinato, mas Pisnoli foi executado com dos tiros de fuzil e seu cadáver foi deixado na periferia Aprilia, na província de Latina. Investigações posteriores descobriram que, semanas antes, ele havia participado do assalto ao banco de crédito cooperativo de Roma, chegando a ameaçar com uma faca uma das atendentes. Com sérios problemas com bebida e dívidas crescentes, Massimo estava desaparecido havia duas semanas e não foi possível precisar a data da morte porque o corpo estava em avançado estado de decomposição. A princípio, a polícia trabalhou com a hipótese de que fosse um crime com participação da máfia da capital, mas com a prisão dos culpados, Gabriele Piras e Giuseppe Arena, ficou esclarecido que tudo começou com uma discussão sobre o dinheiro do assalto. Dois meses depois, em setembro, Daniele De Rossi se viu no centro de uma nova polêmica. Depois de marcar dois gols na vitória da Itália sobre a Georgia, pelas eliminatórias da Copa da África do Sul, dedicou o feito ao sogro falecido. Na entrevista pós-partida explicou a homenagem: “Dedico a vitória e a doppietta a meu sogro. Minha família foi bombardeada neste período com mentiras. Quem o conhecia gostava dele. Para a minha família foi um verdadeiro calvário. Para minha mulher e suas irmãs menores foi um choque. As pessoas esqueceram que elas são muito jovens. Eu entendo que os jornalistas precisam relatar os fatos, mas esperava um pouco mais de humanidade ao reportar o assunto. O que vi foi uma maldade e um canibalismo que me enojaram“. No dia seguinte, através de um comunicado, a polícia condenou sua atitude: “De um jogador importante como De Rossi, que pode influenciar milhões de torcedores, especialmente os mais jovens, esperávamos palavras mais cautelosas. Suas palavras inoportunas fazem apologia à bandidagem“. Anos depois, mais maduro, Daniele diz entender que deveria ter feito as coisas de maneira diferente, mas não se arrepende em ter reverenciado a memória de uma pessoa de quem gostava muito.

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21- Por trás da aparência severa de DDR, se esconde um cara muito brincalhão. Sua vítima favorita era Gennaro Gattuso. O jogador do Milan, conhecido por seu temperamento explosivo, nunca teve senso de humor quando era alvo de brincadeiras e respondia com sonoras bordoadas. Nas eliminatórias para a Copa de 2010, como o empate com a Irlanda garantiu a vaga da Itália, Marcello Lippi deu folga aos titulares, já que a partida contra Chipre ganhou contornos de um amistoso de luxo. Com a noite livre, os jogadores tiveram uma noitada regada a muito vinho. Só Gattuso preferiu ficar na concentração. Pirlo e De Rossi chegam tarde da noite, bastante bêbados e resolveram infernizar a vida do pobre Rino. De Rossi esvaziou um extintor de incêndio em cima de Gattuso que dormia feito um bebê. Daniele correu e se trancou no quarto, deixando Pirlo à mercê da furia de Rino. Outra das pegadinhas favoritas de DDR era se esconder debaixo da cama do milanista e esperar até que ele estivesse quase dormindo para fazer surgir um braço que abraçava o pobre companheiro. Depois de se recuperar do susto, que quase o levava ao infarto, Gennaro se vingava dando uns tabefes no companheiro engraçadinho.

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22- O fim do casamento com Tamara, além de minar a serenidade de Daniele, também teve consequência em campo. O jogador não rendia e se mostrava sempre nervoso. Os amigos mais chegados saíram em seu auxílio e conseguiram, aos poucos, ajudá-lo a retomar a vida social. Em 2011, em um restaurante romano conheceu a atriz Sarah Felberbaum, nascida em Londres, mas radicada em Roma desde os 15 anos de idade. Sarah foi modelo e apresentadora dos programas Top of the Pops italiano e Uno Mattina Estate da RAI, antes de ficar famosa como protagonista da minissérie de TV, “La figlia di Elisa”. Em 2004 lançou seu primeiro livro, um romance semi autobiográfico chamado “Baby Vogue”, vencedor do Premio Cortina. Na telona fez vários papéis secundários, até atuar em “Il Gioiellino”, de Andrea Molaioli, que lhe rendeu um indicação ao David di Donatello, prêmio mais importante do cinema italiano. Daniele e Sarah começaram a namorar e, apesar da inevitável perseguição dos paparazzi, conseguiram se manter afastados das revistas de fofoca.

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23- De Rossi evita falar de política para evitar polêmica. Muitas vezes taxado de fascista, até algumas de suas tatuagens são consideradas imagens de extrema direita. Ele se define de maneira diferente: “Sou um moderado, mas não me reconheço em nenhum partido. Ter valores como ordem e família significa que sou de direita? Esses deveriam ser valores de todos“. Daniele não vota e nunca votou – o voto na Itália não é obrigatório – mas tem uma certeza: quer conhecer melhor o Primeiro Ministro Matteo Renzi: “Não voto porque não consigo encontrar uma pessoa que me represente, nem em nível humano. Renzi é uma novidade e tenho curiosidade de saber como ele pensa“.

24- No dia 12 de dezembro de 2011, na partida contra a Juventus, De Rossi comemorou o gol marcado com uma estranha dancinha. A ideia veio da peça “Paspartu”, que ele tinha assistido dias antes. No final do espetáculo, o ator Rocco Papaleo, notório romanista, subiu ao palco e, junto aos atores Lillo, Greg e Max Paiella, convidou o público a cantar e dançar a música do pinguim. Daniele adorou e prometeu a Rocco, o amigo de longa data, comemorar seu próximo gol com a “Dança do Pinguim”, para azar da Juventus.

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25- Durante a Euro 2012, disputada na Polônia e Ucrânia, a delegação italiana fez uma visita a Auschwitz. Acompanhados por Piero Terracina, Anna Weiss e Samuel Modiano, sobreviventes do campo de extermínio, os jogadores se comoveram ouvindo as histórias do que aconteceu em Birkenau. Durante a visita foi filmado o documentário “I Campioni ricordano”, dirigido por Robert Hassan, com depoimentos de Buffon, Chiellini, Balzaretti, De Rossi, Montolivo e Pirlo. Daniele se emociona ao falar sobre aquele momento: “Achei que sabia tudo sobre o assunto. Tinha visto fotos e documentários, mas não estava preparado para aquilo que veria ali. Os muros, os corredores, os sapatos, tudo isso falava por si, mas tinhamos também testemunhas oculares do que tinha acontecido. O sofrimento que ainda pode ser visto no rosto deles, te dá mais alguns detalhes daquela tragédia“.

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26- “Daniele De Crossi” é o nome do patinho inspirado no jogador que ilustrou uma edição especial da revista do Mickey número 3,050, lançada no dia 7 de maio de 2014. Encomendada pela Federação Italiana, a história “Qui, Quo, Qua e i campioni del Cyber-spazio”, é um alerta contra o racismo e a discriminação no futebol.

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27- Daniele se tornou um pesadelo para o pai Alberto. Por influência de Sarah, o jogador, que nunca se interessou muito por música, começou a atacar a coleção do pai. A cada visita, ele surrupia uma dúzia de discos. Entre as baixas, todos os discos dos Stones, de Pink Floyd e de bandas de rock progressivo dos anos 70.

28- No tempo livre, De Rossi gosta mesmo de ficar em casa curtindo a família, lendo ou assistindo filmes e seriados na TV. Seus filmes favoritos tem sempre um tema em comum, a máfia. A lista é de primeira: a trilogia O Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros, Os Intocáveis. A paixão por seriados começou com Os Sopranos, série que só terminou de assistir recentemente. Depois vieram Breaking Bad e Sons of Anarchy. Junto com Sarah, adora assistir vários episódios em sequência. Depois que assistiu Narcos, ficou tão fascinado pelo tema do tráfico de drogas que devorou todos os livros que achou sobre o assunto. A leitura é uma das muitas coisas que aprendeu com a mulher e um de seus escritores favoritos é Don Winslow, autor de A Morte e a Vida de Bobby Z, O Inverno de Frankie Machine, Selvagens, A Lei do Cão e Cartel.

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29- Por causa de Daniele, o sobrenome De Rossi agora tem peso no mundo do futebol. Que o diga Andrea, primo do campeão do mundo. Ele também começou no time da Óstia, mas preferiu tentar a sorte no Akragas, da cidade siciliana de Agrigento. Em 2015, foi negociado com o Catania e no final da temporada foi contratado pelo Arezzo, que disputa a Lega Pro italiana. Mas Daniele acompanha a carreira de Andrea? Ele responde: “Daniele me viu jogar uma vez, no Olímpico, na época que eu jogava no juvenil. Ele me dá muitos conselhos. Eu amo a Roma e jogar com a camisa giallorossa é um sonho que tenho desde de pequeno“.

30 – Em sua última passagem pelo Boca Juniors, Pablo Osvaldo mandou uma mensagem para De Rossi: “Deixa a Roma e vem jogar comigo no Boca”. Durante a passagem do argentino pela Roma, os dois se tornaram bons amigos e DDR nunca escondeu sua admiração pela mítica ‘La Doce’ da Bombonera. Em janeiro de 2015, Daniele confessou à Roma TV, canal oficial do clube giallorosso, seu sonha para um futuro não muito distante: “Quando era pequeno sonhava em jogar o Superclássico vestindo a camisa do Boca, time que simpatizo desde criança. Um derby contra o River jogarei de bom grado. O Boca Juniors me fascina e sempre me imagino jogando um ano lá. Seria um fim de carreira que eu gostaria de ter”. Em novembro passado, assim que o Boca conquistou o campeonato, Leo Paredes presenteou De Rossi com uma camisa personalizada e publicou a foto no Twitter com a seguinte legenda “Meu amigo também está feliz com o campeonato do boquita”. Quem sabe em breve poderemos vê-lo em ação na Libertadores…

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31- Nas Maldivas, no dia 26 de dezembro de 2015, em uma cerimônia só para familiares e amigos íntimos, Sarah e Daniele se casaram. A lua de mel durou apenas uma semana, pois De Rossi voltou a campo no dia 6 de janeiro para a sequência do campeonato. A atriz, por sua vez, voltou para o set de filmagem da minissérie “Medici: Masters of Florence”, dirigida por Sergio Mimica-Gezzan, ex-assistente de Steven Spielberg. Sua personagem é Maddalena, amante de Cosimo De’ Medici, interpretado por Richard Madden, o Rob Stark de Game of Thrones. O protagonista é ninguém menos que Dustin Hoffman e a série deve estrear no dia 24 de outubro próximo.

32- Giacomo Losi é parte da história da Roma. Nos anos 60 venceu duas Copas da Itália e uma Copa das Feiras. Nos 15 anos em que jogou pelo time da capital, vestiu 455 vezes o manto giallorosso, recorde mantido por quase 4 décadas e só superado por Totti e DDR. Losi, conhecido como “Coração de Roma”, elegeu De Rossi como su herdeiro: “Daniele tem uma coisa que é difícil explicar, que faz a diferença, que te apaixona. Eu o adoro desde a primeira vez que o vi jogar. Quando me perguntam que qualidade deve ter um capitão da Roma, eu respondo: as de De Rossi. Daniele tem tudo para se tornar o maior de todos. Me arrepio quando o encontro, como fazia com Amadei e Masetti. Ele é assim, tem em si a tradição ligada às coisas da Roma. É ele o coração da Roma“. No dia 17 de outubro de 2015, Daniele joga sua 500ª partida com a camisa da Roma contra o Empoli.

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33- De Rossi é uma ilha, cercado de mulheres por todos os lados. As mulheres de sua vida são a avó Teresa, a mãe Michela, a irmã Ludovica, a mulher Sarah e as filhas Gaia e Olivia Rose. Mas essa história vai mudar, no final de agosto, com o terceiro rasante da cegonha, trazendo desta vez um menino. Quem deu a notícia foi o futuro papai, na chegada da seleção depois da eliminação da Eurocopa. Daniele e Sarah ainda não entraram em acordo quanto ao nome do rebento. Ela quer um nome de origem inglesa, enquanto ele prefere um 100% italiano. Dias depois, a sempre discreta Sarah postou uma foto divertida no Instagram comparando a sua barriga com a da filha de 2 anos, com uma hashtag que anunciava que o ‘príncipe’ está chegando.

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