Noite de Libertadores: O caos de Medellín premia o melhor do torneio

Lugano voadora

Expulsões, pênalti não marcado e nervosismo foram os pontos negativos da noite do São Paulo, eliminado da Libertadores após nova derrota contra o Atlético Nacional. Partida em Medellín foi intensa e acabou em confusão.

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Não fosse pelo gol de Calleri aos oito minutos, o coração de cada torcedor do São Paulo teria ficado desolado ainda no primeiro tempo. Mas tudo o que aconteceu em campo no Atanasio Girardot amplificou a dor da eliminação na Libertadores. Mais uma derrota impediu o sonho do tetra do Tricolor. Com 2-1 de desvantagem e em mais um show do atacante Borja, o time de Edgardo Bauza cai depois de tanto lutar.

O contexto foi até parecido com o que vimos na ida. Segundo tempo trágico por parte dos paulistas, uma expulsão de um zagueiro e lances de puro nervosismo que provaram o quanto o desafio era grande para os visitantes. Como o que vimos até aqui na competição, o Atlético Nacional se mostrou um time sorrateiro. A forma como este Verdolaga agride é um fator que conta muito na briga pelo título.

Calleri abriu o placar e Borja empatou. O Atlético poderia ter marretado mais dois ou três ainda no primeiro tempo, mas desperdiçou chances claras. Valente, o São Paulo foi atrás para tentar o segundo e ganhar fôlego. Hudson, um personagem central na partida, ficou com a bola e o gol diante de seus olhos, mas foi derrubado pelo zagueiro. Pênalti? Nada. O juiz mandou seguir. E isso norteou o que foram os 45 minutos finais. Pura tensão, um barril de pólvora que explodiu no pátio tricolor.

Borja Atlético

Sem cabeça para continuar segurando a pressão, o São Paulo sucumbiu. Sucumbiu porque acabou pilhado demais pelos erros da arbitragem. Ao invés de tentar resolver as coisas da única forma que lhe cabia (batendo o Atlético com a bola no chão e com calma), os erros bobos transpareceram junto do cansaço, que era visível na transição até o ataque.

Como não há jogo tranquilo em Medellín no mata-mata, o time da casa teve um pênalti gritante cometido por Carlinhos, que saiu para um bote com os braços abertos e caiu na armadilha do cruzamento colombiano. Reclamando demais do lance, o São Paulo sofreu o gol e ainda perdeu Lugano e Wesley, que causaram tumulto. Wesley, aliás, quase saiu batendo em delegados do jogo. Lugano, que recusou-se a deixar o campo, atrasou ainda mais o andamento do confronto. Não que houvesse pelo que duelar, já estava tudo perdido. Mas fica a imagem do comprometimento de um elenco que não quis se entregar e deu sangue mesmo em situação adversa.

O juiz, que é adepto de uma lambança, expulsou Michel Bastos de forma equivocada e corrigiu minutos depois a bobagem. Naquele ponto, Wesley invocava o inferno nas laterais e precisou ser contido pelo auxiliar Pintado para não chegar às vias de fato.

Borja, por sua vez, se consolida como o grande carrasco do São Paulo no ano. Autor de 4 gols contra o clube brasileiro nos dois jogos, o recém-contratado vindo do Cortuluá resolveu a semifinal e classificou os verdolagas para uma nova decisão após tantos anos de espera na Libertadores. O sonho colombiano é possível com esse futebol fulminante praticado desde a primeira fase.

Ao São Paulo, resta a reconstrução sem Calleri. Mas ao menos o espírito competitivo está de volta com Bauza e Lugano. A primeira coisa que se espera de um time de futebol é a paixão pelo jogo e isto de fato não falta ao tricolor do Morumbi. Se o caos de Medellín não premiou a garra paulistana, isso não deve de forma alguma desmerecer a caminhada feita até aqui. Enaltece ainda mais o feito do Atlético, até aqui, o melhor time da Libertadores. Perder para um adversário deste calibre não é vergonha alguma.

Mas que a arbitragem na Libertadores precisa ser revista com urgência, disso não há sombra de dúvida.

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