Noite de Libertadores: O aplauso resignado da torcida tricolor

Maicon expulso

São Paulo perde Maicon, expulso, e vê derrocada nos minutos finais no Morumbi. Atlético Nacional leva enorme vantagem para a Colômbia e ainda joga contra um rival desfalcado no jogo de volta das semifinais da Libertadores. A Copa voltou e voltou com contornos de drama.

O Morumbi lotou para ver mais uma semifinal na história do São Paulo na Copa Libertadores. A noite na capital paulista convidava os torcedores a encherem as arquibancadas e gritar mais uma vez pelo time que vinha com moral para ser campeão.

O que se viu ao fim dos primeiros 90 minutos da partida foi o reconhecimento e o aplauso de quem estava prestigiando. Mas ao contrário do que se esperava no início da noite, as palmas não foram de alegria ou de pura gratidão, mas sim de resignação após tanto esforço ter sido em vão na ida deste duelo contra o Atlético Nacional.

Os mais de 60 mil são-paulinos que frequentaram as cadeiras e o concreto do Morumbi não esperavam tamanha frustração diante dos colombianos. Muito pelo que o time da casa fez nos primeiros 45 minutos em campo. Com o controle da partida, o Tricolor pareceu pronto para sair na frente do placar, mesmo desfalcado de seu armador, Ganso, lesionado. Kelvin e Centurión, outros destaques recentes do time de Edgardo Bauza, viam das tribunas o desenrolar da trama.

Até o intervalo, a sensação era que o São Paulo tinha o jogo na mão e as melhores chances. Armani, o goleirão do Atlético, segurava a barra quando a sua zaga não bloqueava os arremates dos mandantes. E estar empatando sem gols até aquele momento fez a diferença para os colombianos. A conversa de vestiário foi boa e os Verdolagas entraram para matar na segunda etapa. Para matar e tirar o São Paulo do sério. Foi assim que em um lance banal, Maicon empurrou a cabeça de Borja, o homem do jogo. O juiz, que estava perto, viu como agressão e expulsou o caríssimo zagueiro de Bauza, que foi certamente o diferencial para a classificação na fase anterior.

Atlético Nacional vence SPFC

Daí em diante, o som do rock que tocava nos auto-falantes do Morumbi antes da partida virou uma lenta e tenebrosa marcha fúnebre na cabeça de cada um dos torcedores. Perdido e com um buraco na zaga, o São Paulo começou a recuar e dar espaço para o Nacional fazer seu placar. O que é demasiadamente perigoso, o Rosario Central pode atestar. Borja, o mesmo que fez Maicon perder a cabeça, acabou sendo o homem que abriu o placar aos 36 do segundo tempo, após longa troca de passes entre seus companheiros.

Foi um golpe duríssimo na moral tricolor. De repente, o cenário favorável virou um tabuleiro de xadrez com muitas peças e estratégias para desvendar. Bauza, do banco, não mexeu como se esperava e o sangue não estancou. Tanto não estancou que Borja ainda fez o segundo, entrando na área com facilidade para ampliar. Hemorragia são-paulina no templo do Morumbi, a casa de outras grandes façanhas do passado, o alçapão que poucos ousaram tomar por assalto.

Com a calma que certamente faltou ao São Paulo, o Nacional chegou e fez o que quis, marcando dois gols para assegurar a derrota retumbante aos paulistanos. O silêncio substituiu os gritos corajosos. Mas não por omissão, e sim por completo choque com a situação que se desenhava. Sem seu capitão, o Tricolor sentiu demais o peso da partida e o estilo hipnotizante do Nacional, que sabe explorar muito bem a sua ofensividade dentro e fora de casa.

Reinaldo Rueda vence um duelo particular de estrategistas contra Edgardo Bauza. E que se pese que ele também perdeu um de seus principais armadores: Guerra, longe de sua forma física ideal, entrou apenas para dar alguns passes no segundo tempo. Curiosamente, o venezuelano acabou sendo um sopro de otimismo para seus colegas e assim os Verdolagas chamaram os adversários para uma dança traiçoeira que envolvia uma punhalada nas costas antes do fim da música.

Medellín amanhecerá em festa e receberá um duelo certamente emocionante na próxima semana. Em que os atleticanos querem promover novo baile contra os são-paulinos. Resta aos de Bauza erguerem a cabeça e tomarem este como o capítulo definitivo de uma era que começou mal e se estabilizou com bons resultados e bom futebol. Rodeado por dirigentes da Federação Argentina, o comandante se vê dividido entre suas missões. A primeira, de levar este São Paulo que ele mesmo cativou à glória. A segunda, de tentar resgatar o prestígio e o orgulho de uma seleção em plena fila e sem seu maior craque.

A dúvida de Edgardo é a dúvida de quase todo tricolor que aplaudiu o louvável esforço do desfigurado selecionado desta quarta-feira à noite. Há sangue no chão do Morumbi e não é dos visitantes colombianos. Semana que vem só é possível sonhar em clima de guerra. A paz e a serenidade dentro das quatro linhas não levarão os paulistanos a lugar algum no torneio. Libertadores nenhuma foi ganha com afagos e palavras bonitas.

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