Eurocopa, dia 22: Uma aula de como neutralizar um campeão

Foto: Uefa
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França faz jogo eficiente e corajoso para eliminar a Alemanha e jogar outra final em casa pela Eurocopa. Griezmann decidiu e apareceu na hora certa para fazer os gols e levar a sua seleção mais longe. Atacante é o artilheiro da competição, com seis tentos.

Ninguém está surpreso com a vitória da França diante da Alemanha. Um placar que foi justo e mostra como os franceses sabem jogar para a própria torcida. É o terceiro campeonato em que a seleção disputa uma final como mandante e parece até óbvio aponta-la como favorita ao título.

A história se repete para a França de 16 em 16 anos. Primeiro com a conquista da geração de Platini, em 1984. Depois com a talentosíssima equipe liderada por Zidane (e com o atual técnico Deschamps) em 2000. Agora, em 2016, com Pogba e Griezmann centralizando o talento de um time que cresceu demais nos últimos meses e aprendeu com os próprios erros.

Depois de tanto apanhar da Alemanha em Copas do Mundo, a França teve a sua vingança no estádio Vèlodrome, em Marselha. Em 1982, 1986 e 2014, os alemães triunfaram sorridentes contra um adversário que nunca causou temor. Quis o destino que os papeis se invertessem e fizessem dos germânicos campeões do mundo e com histórico de golear seus grandes rivais. Mas a França não teve medo e entoou a Marselhesa a todo pulmão, balançando bandeirinhas da nação que resgatam o orgulho que este povo tem dos Bleus.

Foto: Uefa
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Fosse a Alemanha tão assustadora quanto prometia a crítica, Lloris não teria defendido as melhores chances que chegaram ao seu gol. Fosse a Alemanha tão eficiente quanto nós mesmos acreditávamos, os cinco chutes em direção ao gol teriam balançado as redes. Todavia, não é esta a história do confronto desta quinta-feira.

A história contará como um pequeno Griezmann chamou a responsabilidade em um jogaço, o maior desafio até agora desta geração. Se ele sonhou com isso antes, nunca saberemos, mas fato é que o atacante do Atlético de Madrid esteve impossível, combatendo em toda dividida como se sua vida dependesse disso. E dependia, já que alguns parcos críticos ainda duvidavam do seu potencial. E do de Pogba, que como Zidane, ouviu de muitos que era apenas um “jogador de lampejos”.

Os Bleus enfrentaram um campeão em seus grandes dias. E sobreviveram para contar como é que se derrota um gigante. O cansaço físico da Alemanha, que pagou caríssimo para deter a Itália nos pênaltis no sábado, falou alto. A intensidade deles não foi tão visível nos 45 minutos finais, justamente os que a França escancarou a vontade e a competência de derrubar o rival.

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Pois Griezmann fez o primeiro de pênalti ainda na primeira etapa e quando a Alemanha tentava se mobilizar para empatar, puniu uma saída inesperadamente ruim de Neuer, socando mal a bola pelo alto e dando a chance do pequeno camisa 7 pegar o rebote. Lloris afastou as demais chances germânicas e ao fim, víamos 11 esgotados homens de branco rendidos perante a superioridade técnica e motivacional dos de azul. A França está na final contra Portugal, que acordou de seu longo sono. Vitória justa de quem sempre esteve na ponta dos seus cascos.

É cedo para dizer que este é o ocaso da grande Alemanha de Kroos, Müller e Schweinsteiger. Ainda que se alterem algumas peças e Löw saia do comando, o time continuará figurando no grupo dos favoritos aos principais torneios. Enquanto a França, que certamente foi o selecionado mais regular da Eurocopa, a final contra Portugal não deve reservar grandes problemas, na teoria. Na prática, um jogo nervoso pode equilibrar a balança e chacoalhar os ânimos dos craques em campo.

O sonho colore as ruas francesas de azul, branco e vermelho. É difícil não se contagiar. E os portugueses seguem tão crentes quanto os mandantes a respeito do título. Apostam em Cristiano Ronaldo para desfazer o feitiço que os aprisionou em 2004. Independente de quem perca, o resultado será um tremendo castigo.

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