Eurocopa, dia 21: Uma estratégica seleção portuguesa na final

Foto: Uefa
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Com gols de Cristiano Ronaldo, aos 50′, e Nani, aos 53′, Portugal encerra o sonho de País de Gales e conquista vaga à final da Euro. Plano tático de Fernando Santos foi determinante para apontar fragilidades dos galeses. Um heroico Gareth Bale não foi suficiente para superar os lusos, que venceram a primeira nos 90 minutos justamente na semifinal.

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Portugal 2-0 País de Gales:  Au revoir Galles

Fernando Santos, sabedor das limitações de sua equipe, buscou, a partir das fases finais da Euro, propor planos bastante estratégicos para explorar os pontos fracos de seus rivais. Contra a Croácia, o treinador luso apostou em uma postura defensiva para obrigar os croatas a partirem para o ataque e ficarem expostos aos poderosos contra-ataques portugueses. Hoje, contra País de Gales, não foi diferente. Portugal entregou a bola para os galeses, esperando evidenciar a falta de argumentos dos Dragões nos longos períodos que eles tiveram com a posse da bola. Ademais, a seleção das Quinas preocupava-se em cobrir os espaços pela faixa central do gramado, com Adrien Silva neutralizando Joe Allen completamente do duelo. Ou seja, os portugueses anulavam os atletas de manejo com a pelota – “permitindo” que peças com menor eficiência no passe conduzissem com mais liberdade. Em outras palavras, induzia o conjunto de Chris Coleman ao atasco na fase de construção. 

Gales esteve muito mais tempo com a bola nos pés, mas era refém de um Gareth Bale onipresente para tentar algo no ataque. Aliás, Bale realmente se vestiu de herói para manter vivo o sonho dos galeses de conquistarem uma vaga na decisão. O camisa 11 galês apareceu pelo centro, pela direita, pela esquerda… Em resumo, foi o sistema ofensivo da sua equipe.

O plano defensivo dos lusos era muito bom, mas faltava oferecer mais no ataque. Em posse, Portugal avançava com toques curtos para definir suas jogadas sempre em cruzamentos laterais. Mesmo com País de Gales mostrando pouca segurança pelo alto, o plano português se mostrava pouco efetivo em termos práticos – Cristiano Ronaldo quase sempre estava cercado pelos três zagueiros galeses. Contudo, restava a esperança de uma falha pelo alto.

No segundo tempo, Portugal manteve sua ideia de jogo. A recompensa por apostar tanto nos cruzamentos veio logo aos 5 minutos da etapa final, com Cristiano Ronaldo subindo mais do que a defesa para colocar os lusos em vantagem. Gales buscou a reação imediata, mas no lance seguinte viu Nani aproveitar o chute cruzado de CR7 para ampliar o marcador.

Com dois gols de vantagem, os portugueses recuaram ainda mais para tentarem aproveitar o desespero e os espaços que os Dragões deixavam. Foram muitas conduções em contragolpe lideradas pelo excelente Renato Saches, mas as péssimas escolhas no último terço evitaram o terceiro gol. Ao final, Fernando Santos efetuou as três alterações para fazer o tempo passar e garantir o triunfo. Por outro lado, um bravíssimo Gareth Bale não bastou para País de Gales conquistar sua histórica vaga na final da Euro. O galês tentou muito, mas não conseguiu marcar o gol para tirar seu time do buraco. De certa forma, a partida nos lembrou de que ninguém consegue ganhar nada sozinho – por melhor que seja o jogador. Já Cristiano Ronaldo, a outra estrela madridista do duelo, que foi de menos a mais, cresceu aos poucos até ser decisivo ao marcar o primeiro tento do jogo – e “assistir” no dois a zero.

Agora os lusos esperam o vencedor de França x Alemanha para saber quem será seu adversário na grande decisão do grande torneio de seleções europeias.

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