Pequeno guia cinematográfico da Copa América, última parte

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A Copa América acabou, com pênaltis perdidos e lágrimas. Chegamos ao fim do nosso pequeno guia com alguns Oscars e o melhor do cinema latino americano. Mas temos também o semi amador cinema panamenho e o interessante cinema boliviano, que ainda tem que comer muita Carimañola e muito Chairo para alcançar os peso pesados da América, mas estão no caminho certo.

Parte I

Parte II

Parte III

Guardamos o melhor para o final e nessa última parte temos o incrível cinema argentino. Deixamos de lado quase todos os filmes de Ricardo Darín – que merece uma lista só dele -, mas avisamos que dá pra fazer uma maratona só com aqueles disponíveis no Netflix. Anote aí: Aura, La Senal, O segredo dos seus olhos, A Dançarina e o Ladrão, Um Conto Chinês,  Elefante Branco, Tese sobre um homicídio. Foi bom brincar com você, mas foi muito mais legal assistir todos esses filmes. Até a próxima!

Argentina

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Argentina é o país com maior número de terapeutas do mundo. Tanta conversa só poderia render diálogos incríveis no cinema. Corações partidos, traições, distúrbios em geral, problemas de família e tantos outros tormentos da alma humana sempre estiveram presentes nos filmes. Freud explica, mas Puenzo, Piñeyro, Martel e cia mostram para o mundo todo.

O cinema argentino está anos-luz acima de seus hermanos latino americanos, por muitos motivos: eles escrevem, cantam e sofrem como ninguém. Também tem a rara habilidade de rir de si mesmos, o que rende deliciosas comédias.

Dos atores argentinos nem precisamos falar. Norma Alejandro é a Fernanda Montenegro deles e Ricardo Darín é um ator tão surpreendente, que parece que o que faz é fácil. Ele é o homem comum, capaz de comover com um olhar.

O cinema argentino se reinventou nas duas crises econômicas que passou, em 1989 e 2000. Na década de 90 surgiu o cinema independente, tendo como pioneiro  Martín Rejtman e seu filme “Rapado”, que só chegou ao circuito 5 anos depois. Minimalista, foi a base das produções que se seguiram.

Um concurso de curtas promovido pelo INCAA (Instituto Nacional de Cinematografía y Artes Audiovisuales), resultou em uma iniciativa inovadora: reunir os finalistas em um único filme chamado “Historias breves”. O filme conseguiu grande repercussão entre crítica e público. Daí saíram Daniel Burman, Lucrecia Martel, Adrián Caetano, Bruno Stagnaro e Sandra Gugliotta, entre outros. A década se encerra com a criação do Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente (BAFICI), que marcou a estreia de Pablo Trapero, Violeta Uman e Verónica Chen.

Em 2001, com a renúncia do presidente Fernando de la Rua, a Argentina mergulhou em uma grave crise econômica. Os financiamentos e o apoio financeiro para o cinema cessaram e os diretores tiveram que buscar soluções criativas para continuar produzindo. Surgiram as cooperativas, que reuniam recursos materiais e humanos para produzir suas próprias obras, que promoveram uma verdadeira revolução no cinema argentino. Como recompensa começaram a pipocar prêmios, prêmios e mais prêmios.

Hoje o cinema argentino é sinônimo de talento e qualidade. Se você olhar, certamente, a sua lista de filmes favoritos tem um ou dois deles.

Rapado (Rapado, 1992) – Matin Rejtman

¿Le molestaría si le hago una pregunta? (¿Le molestaría si le hago una pregunta?, 1994) –  Alejandro Brodersohn

Historias Breves (Historias breves, 1996) Daniel Burman, Adrián Caetano, Jorge Gaggero, Tristán Gicovate, Sandra Gugliotta, Paula Hernández, Lucrecia Martel, Pablo Ramos, Ulises Rosell, Bruno Stagnaro & Andrés Tambornino

Cinzas do Paraíso (Cenizas del paraíso, 1997) – Marcelo Piñeyro

Pizza, Cerveja, Cigarro (Pizza, Birra, Faso, 1997)  – Adrián Caetano & Bruno Estagnaro

Mundo Grua (Mundo grua, 1999) – Pablo Trapero

76 89 03 (76 89 03, 1999) – Cristian Bernard & Flavio Nardini

Felicidades (Felicidades, 2000) – Lucho Bender

Plata Queimada (Plata Quemada, 2000) – Marcelo Piñeyro

Esperando o  messias (Esperando al mesías,  2000) – Daniel  Burman

O pântano (La Ciénaga, 2001) – Lucrecia Martel

Bolívia (Bolivia, 2001) – Adrián Caetano

Táxi, un encuentro (Taxi, un encuentro, 2001) – Gabriela David

Un dia de suerte (Un día de suerte, 2002) –  Sandra Gugliotta

Valentin (Valentín, 2002) – Alejandro Agresti

Todas as Aeromoças Merecem o Céu (Todas las azafatas van al cielo, 2002) –  Daniel  Burman

O Fundo do Mar (El Fondo del Mar, 2003) – Damian Szifron

O Abraço Partido (El Abrazo Partido, 2004) – Daniel Burman

Os mortos (Los muertos, 2004) – Lisandro Alonso

A Mulher sem Cabeça (La Mujer sin Cabeza, 2008) – Lucrecia Martel, 2008

O Homem ao Lado (El hombre de al lado, 2009) – Mariano Cohn & Gastón Duprat

Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (Medianeiras, 2011) – Gustavo Taretto

O Clã (El Clan, 2011) – Pablo Trapero

O Estudante (El estudiante, 2011) – Santiago Mitre

Abrir las Puertas y Ventanas (Abrir puertas y ventanas, 2011) – Milagros Mumenthaler

Los salvajes (Los salvajes, 2012) – Alejandro Fadel

O Médico Alemão (Wakolda, 2013) – Lucía Puenzo

El día trajo la oscuridad (El día trajo la oscuridad, 2013) – Martín Desalvo

Dois disparos (Dois disparos, 2014), Martín Rejtman

A mulher dos cachorros (La mujer de los perros, 2015) – Laura Citarella & Verónica Llinás

Paulina (La patota, 2015) – Santiago Mitre

Como funcionam quase todas as coisas (Como funcionan casi todas las cosas, 2015) – Fernando Salem

Chile

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O roteiro é sempre o mesmo: o cinematógrafo dos irmãos Lumière e uma sala cheia de pessoas ávidas por emoções. Quem poderia imaginar que o país latino americano que mais tardiamente se interessou pelo cinema seria o primeiro a ganhar um Oscar de animação em 2014?

Na cinemateca do Chile, o filme “Manuel Rodríguez”, de 1910, ocupa um lugar de destaque. A obra, dirigida por Adolfo Urzúa Rosas, é o primeiro filme chileno de ficção da história. Mas a educação cinematográfica do público foi forjada a duras penas através de revistas como Cine Gaceta. Os apaixonados passaram a fazer cinema e, entre 1924 e 1927, o Chile produziu 54 longas. A partir daí, o cinema deslanchou. Em 1934, Jorge Délano lança “Norte y sur”, o primeiro filme sonoro.

1967 marca o começo do novo cinema chileno. Os dramalhões dão lugar a filmes que abordam os problemas do país e tem um preocupação político-social. Desta fase se destacam “Largo viaje” de Pato Kaulen, “Morir un poco” de Álvaro Covacevich e “Regreso al silencio” de Naum Kramarenco.

O golpe militar de 1973 mostrou seus reflexos no cinema. Os cineastas mais politizados saíram do país, mas continuaram a produzir no exterior. Para compensar o peso dos anos de chumbos, comédias esquecíveis. Só na década de 80, com as volta dos exilados, é que temas mais adultos passaram a ser abordados.

A volta da democracia marcou uma mudança na maneira como os fimes passaram a ser feitos. Surgiram os primeiros filmes cult, como “El gringuito” e “Chacotero Sentimental”. O cinema chileno completou 100 anos e começou a competir com o melhor cinema feito na Europa e Estados Unidos. A busca pela própria identidade finalmente chegou ao fim e diretores como Pablo Larraín, Matías Bize e Andrés Wood foram premiados em vários festivais.

O cinema chileno tem filmes para todos os gostos. Escolha aqui o seu:

El Chacal de Nahueltoro (El Chacal de Nahueltoro, 1969) – Miguel Littín

Julio comienza en julio (Julio comienza en julio, 1979) – Silvio Caiozzi

La luna en el espejo (La luna en el espejo, 1990) – Silvio Caiozzi

Caluga o menta (Caluga o menta, 1990) – Gonzalo Justiniano

La Frontera (La Frontera, 1991) – Ricardo Larraín

Amnesia (Amnesia, 1994) – Gonzalo Justiniano

Johnny cien pesos (Johnny cien pesos, 1994) – Gustavo Graef Marino

Historias de fútbol (Historias de fútbol, 1997) – Andrés Wood

El chacotero sentimental: La película (El chacotero sentimental: La película, 1999) – Cristián Galaz

A Coroação (Coronación, 2000) – Silvio Caiozzi

Taxi para tres (Taxi para tres, 2001) – Orlando Lubbert

Los Debutantes (Los Debutantes, 2003) – Andres Waissbluth

Na Cama (En la cama, 2005) – Matías Bize

Mi mejor enemigo (Mi mejor enemigo, 2005) – Alex Bowen

Padre Nuestro (Padre Nuestro, 2006) – Rodrigo Sepúlveda

Tony Manero (Tony Manero, 2008) – Pablo Larrain

A Criada (La Nana, 2009) – Sebastián Silva

A Vida dos Peixes (La vida de los peces, 2010) – Matías Bize

Old Cats (Old Cats, 2010) – Pedro Peirano & Sebastián Silva

Violeta Foi Para o Céu (Violeta se fue a los cielos, 2011) – Andrés Wood

No (No, 2012) – Pablo Larraín

História de um Urso (Historia de un oso, 2014) – Pato Escala Pierart & Gabriel Osorio Vargas

Matar a un hombre (Matar a un hombre, 2014) – Alejandro Fernández Almendras

Gloria (Gloria, 2014) – Sebastián Lelio

A Terra e a Sombra (La tierra y la sombra, 2015) – César Augusto Acevedo

La memoria del agua (La memoria del agua, 2015) – Matías Bize

O Clube (El Club, 2015) – Pablo Larraín

Panamá

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Apesar da primeira apresentação de cinema ter acontecido em 1987, o cinema no Panamá teve um início tardio. As primeiras filmagens eram para fins comerciais; Em 1914, com a inauguração do Canal do Panamá, o governo viu uma ótima oportunidade para fazer a boa e velha propaganda política. Rolos e rolos de filme foram gastos para exaltar a grandiosidade da obra.

Nas primeiras décadas do século XX, nada foi produzido e só filmes estrangeiros eram exibidos nos cinemas panamenhos. Por sua produção estratégica, o Panamá se tornou um local fundamental para a distribuição dos grandes estúdios americanos. Universal, Paramount, Columbia, Fox, Warner Brothers e Metro Goldwin Mayer transferiram seus escritórios de distribuição da Guatemala para o país.

O primeiro documentário panamenho foi feito, em 1943, por Ernesto Pool. Só 3 anos depois foi apresentado o primeiro média metragem, “Al calor de mi bohío”, dirigido por Carlos Luís Nieto. “Cuando muere la ilusión”, de 1949, da dupla Rosendo Ochoa e Carlos Ruiz, foi a primeira produção da recém nascida Panamá Sono Films. O filme era tão aguardado que até o presidente Domingo Díaz compareceu à estreia.

As coisas não melhoraram na década de 50, e o único filme realizado foi “El misterio de la Pasión”, filme religioso dirigido pelo padre Ramón María Condomines com a participação dos moradores de San Francisco de la Montaña. O filme nunca foi exibido e hoje faz parte do acervo de um colecionador.  A chegada da televisão enterrou de vez qualquer pretensão de fazer cinema no Panamá. Com maior penetração, a TV invadiu as casas e foi o veículo perfeito para a disseminação dos enlatados americanos.

A única forma de resistência era a produção de documentários, embora muitos deles fossem encomendados por ministério para fazer a propaganda do potencial turístico do país. “Panamá tierra mía”, dirigido por Jorge De Castro, é o maior exemplo.

Em 1967, um grupo de apaixonados por cinema, capitaneados pelo cineasta  Armando Mora e estudantes da Universidade do Panamá, fundaram o cineclube Cine Club Ariel. Em 1969, organizaram o Primer Festival de Cine Nacional, que exibiu 15 obras, entre curtas, documentários e media metragens. O vencedor foi o curta “Underground en Panama” de Carlos Montúfar.  O prêmio deu um novo ânimo para Montúfar que, junto com Armando Mora, se dedicou a uma série de trabalhos experimentais. Em 5 anos, foram produzidos “Nosotros formamos una multitud”, “Lógica infantil”, “El amanecer de mi raza” e “El canillitas”. Armando Mora, por sua vez, fez “La tierra prometida” e “Cuartos”. Mesmo sem nenhum tipo de apoio, eles foram capazes de levar a cabo vários projetos.

Desde a década de 80, o Panamá serve de locação para filmes americanos e reality shows. Só com o surgimento de iniciativas como os fundos  centro-americanos Cinergia e Ibermedia e a criação da Direção Nacional de Cinema do Panamá que começaram a aparecer filmes panamenhos. O Festival Internacional do Panamá, já em sua 5ª edição, serve como ponto de encontro e troca de ideias para os cineastas panamenhos. O resultado já começa a aparece. O longa “Salsipuedes”, de Ricardo Aguilar e Manolito Rodríguez, foi exibido no Cine Ceará deste ano e foi bastante elogiado.

A lista é curta, mas foi feita com amor:

Curundu (Curundu, 2008) – Ana Endara Mislov

Chance (Chance, 2009) – Abner Benaim

Wata (Wata, 2010) – Ana Endara Mislov

Empleadas y patrones (Empleadas y patrones, 2010) – Abner Benaim

Ruta de la luna (Ruta de la luna, 2012) –  Juan Sebastian Jacome

Reinas (Reinas, 2013) ­- Ana Endara Mislov

Invasión (Invasión, 2014) – Abner Benaim

El Cheque: La Película (El Cheque: La Película, 2016) – Arturo Montenegro

Salsipuedes (Salsipuedes, 2016) – Ricardo Aguilar & Manolito Rodríguez

Bolívia

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O cinematógrafo chegou à Bolívia em 1897, através de uma visita de A. Jobler e Jorge de Nissolz, representantes da Casa Lumière. Os primeiros filmes eram registros de acontecimentos diários, desfiles, festas e celebrações religiosas. Só com a chegada do italiano Pedro Sambarino, em 1923, que começou de fato a produção cinematográfica local. Sambarino fundou a S.A. Cinematográfica Boliviana, que mais tarde se tornaria a Bolivia Films. Em 1925, estréia Corazón Aymará, uma adaptação da peça de teatro La huerta de Ángel Salas.

Na década de 30, a Guerra del Chaco se tornou o tema central dos cineastas bolivianos. O melhor exemplo é La Guerra del Chaco o Infierno verde, de Luis Bazoberry, que trabalhando como fotógrafo do exército pôde registrar o conflito e a assinatura do armistício. O tema recorrente de filmes e documentários bolivianos foram os conflitos e a instabilidade política do país, até o golpe militar de 1973, quando a produção de cinema sofreu um longo recesso. Cineastas, roteiristas e atores deixaram a Bolívia, mas continuaram a produzir filmes no Perú, na França e no Equador. Os irmãos José e Hugo Cuellar Urizar, que na época moravam no Brasil filmam a versão para o cinema do romance de Carlos Medinaceli, La chaskañawi.

Somente em 1995, com o incentivo do Fondo de Fomento Cinematográfico estreiam na Bolívia cinco filmes, feito sem precedentes. O filme Viva Bolivia toda la vida de Carlos Mérida, mistura documentário e ficção para contar a classificação da seleção boliviana para a Copa do Mundo de 1994 através dos olhos de um menino que sonha em ser craque de futebol.

O novo milênio marca uma nova era do cinema boliviano. Em 2007, o presidente Evo Morales declara por decreto que o da 21 de março é o Día del Cine Boliviano. A Bolívia tem 7 festivais de cinema, sendo os mais famosos o Festival Internacional de Cine, o Festival Internacional de los Derechos Humanos, o Festival de Cine Europeo e Festival de Cine de la Diversidad Afectivo Sexual. Nos últimos anos, vários filmes bolivianos foram premiados em festivais internacionais, como “Dependencia Sexual”, vencedor de prêmios em Locarno, São Francisco e Espanha, e “Zona Sur”, vencedor de melhor roteiro e direção no Festival de Sundance. O grande destaque é “Di buen día a papá”, vencedor do Premio Goya como melhor filme estrangeiro em espanhol, que conta a história de três gerações de mulheres afetadas pela morte de Che Guevara em La Higuera.

Comparado com o de Argentina, Brasil e Chile, o cinema boliviano ainda tem um longo caminho pela frente, mas o que tem apresentado mostra que pode chegar longe.

Quer conhecer mais? Dá uma olhada na lista de filme que selecionamos pra você:

Vuelve Sebastiana (Vuelve Sebastiana, 1953) – Augusto Roca & Jorge Ruiz

Yawar Mallku (Yawar Mallku, 1969) – Jorge Sanjinés

El Coraje del Pueblo (El Coraje del Pueblo, 1971) – Jorge Sanjinés

El Enemigo Principal (El Enemigo Principal, 1974) – Jorge Sanjinés

Mi Socio (Mi socio, 1983) – Paolo Agazzi

Cuestión de Fe (Cuestión de Fe, 1995) – Marcos Loayza

Jonás y la Ballena Rosada (Jonás y la Ballena Rosada, 1995) – Juan Carlos Valdivia

Para recibir el canto de los pájaros (Para recibir el canto de los pájaros, 1995) – Jorge Sanjinés

El día que murió el silencio (El día que murió el silencio, 1998) – Paolo Agazzi

Dependencia sexual (Dependencia sexual, 2003) – Rodrigo Bellott

Di buen día a papá (Di buen día a papá, 2005) – Fernando Vargas

Lo más bonito y mis mejores años (Lo más bonito y mis mejores años, 2005) – Martín Boulocq

Sena/Quina, la inmortalidad del cangrejo (Sena/Quina, la inmortalidad del cangrejo, 2005) – Paolo Agazzi

¿Quién mató a la llamita blanca? (¿Quién mató a la llamita blanca?, 2007) – Rodrigo Bellott

Los Andes no creen en Dios (Los Andes no creen en Dios, 2007) – Antonio Eguino

El cementerio de los elefantes (El cementerio de los elefantes, 2008) – Tonchy Antezana

Zona Sul (Zona Sur, 2009) – Juan Carlos Valdivia

O Elevador (El Ascensor, 2010) – Tomás Bascopé

Los viejos (Los viejos, 2011) – Martin Boulocq

Durazno (Durazno, 2014) – Yashira Jordan

The Bolivian Case (The Bolivian Case, 2015) – Violeta Ayala

Norte Estrecho (Norte Estrecho, 2015) – Omar L. Villarroel

Juana Azurduy (Juana Azurduy, 2016) – Jorge Sanjinés

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