Crônicas do Fifa: Uma aposentadoria à altura de Totti

Totti Coppa

Totti está em declínio físico e não consegue ser mais tão importante para a Roma como foi no título de 2001. Mas o respeito pelo capitão e pela lenda é enorme. Na segunda temporada do modo Manager do Fifa 16, equipe da capital italiana luta pelo título e por um fim digno para a sua bandeira.

Ser campeão com a Roma no videogame ou no Football Manager é uma tarefa complicada. Envolve ter o time qualificado e uma mentalidade forte para evitar os percalços durante o caminho. Pois eu ressuscitei um save antigo no meu FIFA 16 com esta missão: fazer Francesco Totti ter uma aposentadoria decente em 2016-17.

Totti Cagliari fifa
Último jogo de Totti pela Serie A: triplete contra o Cagliari

A primeira temporada do jogo foi complicada. A Roma se mostrou um time muito instável e que falhava nos grandes duelos. Além de perder pontos contra pequenos, a equipe de Carlo Ancelotti (sim, é o nome do meu técnico) escorregou na metade da Serie A e sofreu para retomar a força na briga pela liderança. Ao fim, um segundo lugar logo atrás do Milan serviu de consolo e para uma vaga na Liga dos Campeões.

Totti, aos 39 anos, estava muito bem, obrigado. Era um jogador mais lento, porém ainda mais cerebral. Insisti com ele como titular e ele não decepcionou: 15 gols no Italiano. Perdi a Copa da Itália nas quartas de final, confesso que não me recordo contra quem, afinal, o save começou em outubro do ano passado. Mantive a base do elenco e fiz algumas trocas como as vendas de Nainggolan, Ashley Cole e Dzeko. Trouxe Grenier, Gabriel Jesus, Raphael Guerreiro e Rafael, ex-goleiro do Verona. Contratações modestas que deram uma cara mais enxuta ao elenco.

Em 2016-17, as coisas mudaram. Me classifiquei para a Liga dos Campeões e ganhei algum dinheiro para contratar. Trouxe uma frota: Berahino, Enner Valencia, Cabaye, Sergio Romero, Assombalonga, Kurt Zouma, Sané, Ilicic, WILL GRIGG e Pulgar, além de reincorporar Digne por 12 milhões. Vendi Manolas, Skorupski e Assombalonga, que não agradou no primeiro semestre. Totti era titular no início e o time se dava bem com ele. Entretanto, com o tempo, o nível começou a cair e ele mais atrapalhava do que era decisivo.

Totti gol cagliari

Resolvi então bancar Berahino de titular, mas ele se machucou e ficou dois meses fora, o que me forçou a contratar Ilicic. Totti virou reserva e entrava no segundo tempo. Sempre criava uma chance ou fazia um passe crucial no fim, era incrível. A presença dele por si só já era um ponto a mais para a Roma nos 15 minutos derradeiros. Nisso, o jogo replicou bem a vida real.

Meu time base foi: Romero, Zouma, Castán, Digne, Jedvaj, De Rossi, Pjanic, Grenier, Valencia, Florenzi e Berahino, que alterna com Ilicic. Outros “titulares” são Strootman, Cabaye, Jesus, Totti e Ponce.

Ilicic é um bom fazedor de gols e Berahino não está atrás. Totti se transformou em um talismã do time que entra para consolidar uma vantagem ou segurar um resultado favorável. A temporada já parecia promissora no primeiro turno e melhorou ainda mais no segundo: cheguei até a rodada 28 sem perder nenhum jogo e como líder, com quatro pontos de vantagem sobre a Juventus. Na Liga dos Campeões, fui o segundo colocado num grupo com Chelsea, Galatasaray e Lokomotiv Moscou (também invicto), passei pelo Wolfsburg nas oitavas com duas vitórias por 3-2 e cheguei até a semifinal da Copa da Itália com vantagem sobre o Milan por ter vencido por 3-1 na ida.

Com 31 rodadas na Serie A, a diferença para a Juventus era de quatro pontos. E na tabela, a surpresa: a Roma ainda estava invicta. O que era bom demais para ser verdade ruiu na rodada 32, quando perdi para o Verona por 1-0, fora de casa. O goleiro deles, Nicolas, era um ciborgue. Jesus, Grigg e Ponce perderam alguns gols incríveis, fruto da vontade do sistema em me fazer perder. Mas seguimos fortes, já que a Juventus só empatou e eu continuei com três de margem. Na Liga dos Campeões, venci o Manchester City na ida por 1-0 e na volta por 3-0, alcançando uma histórica semifinal europeia. Até eu me surpreendi.

Uma Roma fora da curva

Totti Serie A

 

Aí as coisas ficaram realmente bizarras, para a minha sorte. Tomei uma goleada do Bayern por 4-1 na ida, pelas semifinais da Champions. Em casa, joguei talvez uma das cinco melhores partidas da minha vida e venci por 3-0, avançando para a final. Virei favorito para o duelo contra o Chelsea, mas tinha de dividir as atenções com a reta crucial na Serie A. Não romamos e só empatei um jogo contra a Inter, terminando a tabela com 87 pontos, contra 79 da Juve, vice-campeã. Realmente, as coisas saíram do controle no mundo virtual. E a fantasia não parou por aí.

Na última partida da temporada pela Serie A, Totti anunciou que estava mesmo se aposentando e me pediu para entrar jogando. Eu jamais cogitei tirar isso dele, o plano era colocá-lo em campo desde o início como forma de gratidão. E não é que ele jogou muito? Fez os três gols do jogo contra o Cagliari, fora de casa. Ganhamos de 3-1 e ele foi o destaque, além, claro, de ter sido o capitão e levantado a taça do Italiano. Só por isso já estaria bom o desfecho da carreira de Francè, mas a arrancada daquele time foi tão boa que só parou na conquista da Europa.

De Rossi Champions

Não tive dificuldade alguma para bater o Chelsea por 2-1, ainda que Jedvaj tenha entregado de bandeja o gol de empate para os caras, escorregando dentro da área e deixando para Fàbregas finalizar. Cinco minutos depois, eu que havia aberto o placar antes do intervalo, de pênalti, com Pjanic, marquei o gol do título com Valencia. Opa, superei todas as expectativas. Mas já tinha ficado claro que seria campeão quando atropelei o Bayern na fase anterior.

O maior jogo de todos do save

Valencia pênalti coppa

Para fechar a temporada maravilhosa da Roma e por que não de Totti, encarei a Lazio na final da Copa da Itália. Não ganhei deles naquela edição da Serie A e tinha o desafio de conseguir a Tríplice Coroa em um dérbi. É claro que o Fifa jamais entenderia que eu estava com a final italiana de 2013 na cabeça, então tornou as coisas difíceis logo de cara. Aos dois minutos, levei o primeiro gol. A Lazio não dava espaço, avançava a marcação e a partida tomou contornos ainda mais dramáticos. O meu relógio marcava 1h30 da manhã e eu estava sentado no sofá me segurando para não gritar, me batia na perna a cada erro, era como ver um clássico romano de verdade na TV.

Muita pressão deu resultado e aos 84, sofri pênalti em falta contra Pjanic. Maurício foi expulso por ter dado um carrinho por trás. Coloquei Totti para fazer o gol de empate, praticamente garantido. Só que ele errou. Bati muito mal, no meio, e Marchetti pegou. Abaixei a cabeça e segui tentando, até que aos 87, portanto dois lances depois, uma bola vem para Valencia, ele corta para dentro, entra na área e rola. Totti chuta uma bomba no ângulo, Roma 1-1. Prorrogação pela frente.

Roma melhor em campo, sufocando o rival com um homem a mais. Totti e Valencia criam três chances claras de gol, mas Marchetti encarna o Exterminador do Futuro e impede a virada giallorossa. Foi assim nos dois tempos extras, até que os pênaltis vieram para aumentar ainda mais a temperatura.

Tinha que dar. A série rodou por todos os batedores e chegamos ao ponto de Valencia, o terceiro cobrador da Roma, ir para a marca da cal duas vezes. Totti, o meu primeiro, acertou os dois chutes. Estava 12-12, meu coração já estava parecendo um ensaio do Timbalada quando Parolo chutou e Romero espalmou para o alto. Tive ao todo quatro “championship points” para matar a Lazio e não consegui. Mas Valencia, esse equatoriano fantástico, converteu, dando o terceiro título da temporada para a Roma e o final mais épico possível para Totti, que também ergueu a taça da Coppa.

Totti ergue Tim Cup

Totti é um grande ídolo, o maior da Roma, chega até a ser óbvio falar. Para quem cresceu e envelheceu vendo o camisa 10 jogar e agora anunciar sua despedida do futebol, ser campeão de tudo em um videogame com Francesco tendo destaque e um final feliz parece muito pouco em relação ao que ele realmente merece. E se foi comovente só ver uma mensagem fictícia dele na caixa de e-mails, agradecendo por tudo e dizendo que vai parar, nem quero pensar como será quando ele realmente estiver acenando pela última vez no estádio, provavelmente o Olimpico, se a tabela ajudar.

Logicamente o desempenho extraordinário da Roma só poderia mesmo acontecer no Fifa, onde um pouco de determinação e umas gotinhas de capacidade podem ser mais decisivos do que os milhões de euros que separam os gigantes dos peixes menores no futebol. Ser campeão italiano, da Copa da Itália e da Liga dos Campeões foi bem mais do que eu esperava quando retomei o save, mas quem sabe não estivesse jogando só por mim, mas pela honra do nosso capitão, ainda que representado por pixels, não em carne e osso.

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