Guia musical da Euro 2016: França x Islândia

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No quesito grito de guerra, não tem pra ninguém, a Islândia ganha de lavada. Os vikings mais uma vez querem chegar a Paris e, no fundinho, todos nós estamos torcendo por eles. Mas sabemos que é muita falta de educação tocar o terror na casa dos outros, ainda mais quando o anfitrião recebe com queijo brie, champanhe, pain perdu, bife bourguignon e crème brûlée…

Para deixar a disputa mais equilibrada, vamos mostrar a música contemporânea dos dois países e você escolhe a que gostar mais. Se de um lado temos Les Rita Mitsouko, Indochine e  Noir Désir, do outro encontramos The Sugarcubes, Sigur Rós e Of Monsters and Men. Em comum todas essas bandas tem uma coisa: conquistaram grande sucesso além de suas fronteiras. Quando a música é boa, todo mundo ganha.

C’est comme ça

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Devo confessar que, nos anos 80, meu conhecimento de música francesa se limitava a Edith Piaf, Sacha Distel, Charles Aznavour, Françoise Hardy e aos gemidos de Serge Gainsbourgh e Jane Birkin. Depois vieram Jean-Luc Ponty e seu violino e o papa da new age Jean-Michel Jarre, o primeiro ocidental a tocar na China (tudo devidamente registrado no disco Les Concerts en Chinee, de 1982). Como todo mundo da minha geração, pra mim rock bom era em inglês e ponto final.

Por sorte a vida mostra que nada é absoluto, especialmente na música. É possível mudar e voltar atrás sem nenhuma culpa. Antes do advento MTV, o veículo para as novidades era o rádio e ninguém ligava muito se a música chegava com um, dois ou dez anos de atraso. Assim, fomos apresentados ao som de Teléphone, do ultra cult Mano Negra e da maluquice deliciosa de Les Rita Mitsouko. Alguém disse que a mente que se abre, nunca mais volta ao tamanho original e é a mais pura verdade.

Umas das minhas melhores descobertas foi a Noir Désir. A banda de Bordeaux, uma das fundamentais do rock francês, teve sua cota de desgraças. Em 2003, o vocalista Bertrand Cantat espancou a atriz Marie Trintignant, com quem tinha um relacionamento. Marie, filha do ator Jean-Louis Trintignant e da roteirista Nadine Marquand, morreu dias depois no hospital sem nunca recuperar a consciência. Condenado a 8 anos de prisão, Cantat foi liberado depois de cumpriu metade da sentença e voltou à vida artística em 2008. Dois anos depois, sua ex-mulher Krisztina Rády cometeu suicídio, enquanto Bertrand Cantat estava na casa. O corpo foi descoberto no dia seguinte pelos filhos do casal. O cantor foi investigado e liberado pelas autoridades. O Désir ainda tentou resistir, mas encerrou as atividades em 2010.

Depois dessa bad, vamos aliviar o clima falando de criança, especialmente dos prodígios que venderam zilhões de discos. Em 1987, Vanessa Paradis, ex-Sra. Johnny Depp, com apenas 14 anos, estourou nas paradas do mundo todo com seu primeiro single “Joe le taxi”. Caso ainda mais impressionante é o de Jordy, um garotinho de 4 anos, que vendeu dois milhões de cópias na França e entrou no Guinness Book como o cantor mais jovem a chegar ao primeiro lugar das paradas.

Desde Edith Piaf, as mulheres sempre tiveram grande destaque na música francesa. Seja Mireille Mathieu com seu cabelo de cumbuca ou Jennifer Ayache, vocalista da banda Superbus, o talento das francesas é indiscutível. Espalhadas por todos os gêneros, uma playlist que se preze tem que ter nomes como Camille, Jeanne Cherhal, Coralie Clément, Les Plastiscines, Émilie Simon, Shy’m e Zaz. E tente ficar parado ouvindo o R&B de Ophélie Winter. Se conseguir, você ganha um doce.

No início dos anos 2000, surgiu a nova cena musical francesa, que incorporava pop, rock e jazz à tradicional chanson. Os destaques são Vincent Delerm, Benjamin Biolay, Benoit Doremus, Bénabar, Sansévérino, Zazie, Vincent Delerm e Olivia Ruiz, entre outros.  Uma característica marcante dos expoentes dessa nova geração é a sinergia. As colaborações são frequentes, seja na composição ou nas letras, como o caso de “Jardin D’hiver”, grande sucesso da cantora israelense Keren Ann, escrita em parceria com Biolay.

Quem diria que os franceses seriam mestres em colocar as pessoas pra dançar. Além dos mega-ultra-super-hiper-maxi premiados David Guetta e Daft Punk, nomes como Air, Justice, Vendetta, Laurent Garnier, Joachim Garraud e M83 fazem mais sucesso fora da França que em seu próprio país. Só pra não deixar de falar de futebol, o tema oficial desta Euro 2016, This One’s For You, foi composto por Guetta e desde seu lançamento, há 3 semanas, já teve mais de 32 milhões de visualizações.

Aqui tem um pouco de tudo, só pra você ficar com vontade de ouvir mais.

  1. NiagaraL’amour a la plage
  2. IndochineL’aventurier
  3. TeléphoneHygiaphone
  4. Les ThugsWaiting
  5. Berurier noirSalut à toi
  6. Noir DésirLes écorchés
  7. Les Rita MitsoukoC’est Comme Ça
  8. AirLa Femme D’Argent
  9. Daft PunkGet Lucky
  10. Laurent GarnierThe sound of the big babou
  11. David Guetta ft. Zara LarssonThis One’s For You
  12. JusticeCivilization
  13. M83Wait
  14. PhoenixIf I Ever Feel Better
  15. Telepopmusic Brighton Beach
  16. KlingandeLosing U feat. Daylight
  17. ZazieJ’Etais Là
  18. CamilleTa Douleur
  19. Vincent DelermHacienda
  20. Benjamin BiolayLaisse aboyer les chiens
  21. SuperbusMes Défauts
  22. ZazJe Veux
  23. Coralie ClémentC’est La Vie
  24. Emilie SimonMenteur
  25. Shy’mEt Alors
  26. PlastiscinesComment Faire
  27. BénabarPolitiquement correct
  28. Mano SoloPas du gâteau
  29. NâdiyaSignes
  30. Ophélie WinterDieu m’a Donné la Foi

Einn Mol’á Mann

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Ninguém lembrava da existência da Islândia, muito menos que se fazia música por lá. (Até existia um movimento musical, tanto que a banda Hljómar, formada em 1963, era considera os Beatles islandeses). Em 1982, o documentário “Rokk í Reykjavík”,  se encarregou de mostrar o que estava acontecendo por lá.  O mundo se apaixonou pela voz de Björk Guðmundsdóttir e por sua carinha de esquimó. O que ninguém sabia é que Björk, apesar da pouca idade, era veteraníssima no circuito musical, tendo participado de bandas fundamentais como Tappi Tíkarrass e KUKL. Sua aventura seguinte foi The Sugarcubes, que chamou a atenção do selo independente britânico One Little Indian e, em 1986,  debutou nas paradas inglesas.

Depois do sucesso de Björk & cia., começou a corrida das gravadoras britânicas para encontrar ‘the next big thing’ da música islandesa. Foi assim que o Sigur Rós foi descoberto. O CD “Ágætis byrjun” garantiu dois anos de sucesso e a possibilidade de abrir os shows do Radiohead. Três músicas desse disco aparecem em “Vanilla Sky”, filme de Cameron Crowe.

Emiliana Torrini é uma das queridinhas da produtora Shonda Rhimes. Suas músicas já apareceram 10 vezes na série Grey’s Anatomy. Torrini também aparece na trilha de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” com a música “Gollum’s Song”.

A TV e a Islândia vivem um sério caso de amor por causa de Game of Thrones. O país foi escolhido como locação do Winterfell e da Muralha da famosa série. Além disso, os produtores não perdem uma oportunidade de incorporar músicos islandesas nos episódios da série. É o caso do Sigur Rós, que se apresenta durante o casamento fatídico casamento do rei Joffrey. Membros da banda Of Monsters and Men aproveitam as pausas das turnês para fazer umas pontinhas como extras.

Como sempre costuma acontecer, membros de bandas de sucesso se arriscam em projetos solo. Olafur Arnalds, ex-integrante da banda experimental múm, é um deles. Na cena musical do país, todo mundo se conhece e a brodagem é tanta os músicos produzem e colaboram em trabalhos uns dos outros.

A música islandesa é única, mágica e inovadora. Ela entra pelos ouvidos, se espalha pela pele, desperta os sentidos e rouba pra sempre o seu coração.

  1. HljómarEr Hann Birtist
  2. Tappi TíkarrassHrollur
  3. Purrkur PillnikkGluggagægir & Augun úti
  4. ÞeyrKiller Boogie
  5. The SugarcubesBirthday
  6. BjörkArmy Of Me
  7. Sigur RósÓveður
  8. AmiinaÁsinn
  9. ÁsgeirKing And Cross
  10. Of Monsters And MenWolves Without Teeth
  11. GusGus Over
  12. Emiliana TorriniToday Has Been OK
  13. Retro StefsonSkin
  14. Samaris Góða tungl
  15. SeabearI Sing I Swim
  16. MúmSing along
  17. Ólafur Arnalds This Place Was A Shelter
  18. Just Another Snake Cult Spell of Platonic Reversal
  19. VökWaterfall
  20. ÁrstíðirThings You Said
  21. Stafrænn HákonSót
  22. KaleoWay Down We Go

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