O outro Ragnar herdeiro de Odin

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Ragnar Sigurðsson entoou o o coro viking junto com os companheiros e calou a torcida inglesa, assim como fez, durante os séculos VIII e IX,  o rei que lhe empresta o nome. Foi do camisa 6 da Islândia o primeiro gol – e o primeiro prego no caixão da Inglaterra – que levou sua seleção onde nenhum outro tinha levado. As semelhanças entre os dois Ragnars não termina aí. Os dois, descendentes de Odin, parecem bafejados pelos deuses e destinados a grandes feitos.

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Ragnar Lodbrok não é um personagem fictício da série The Vikings, do History Channel. Ele existiu de verdade e tocou o terror contra ingleses e franceses. Fazendeiro de nascimento, nunca se contentou com a vida monótona e tornou-se guerreiro. Ragnar participou de várias incursões para saques e pilhagens. Nos períodos em que estava em terra firme, era dominado pelo tédio. Por isso, decidiu liderar a expedição por mares nunca dantes navegados e acabou invadindo a ilha britânica (a atual Grã-Bretanha).

Em busca de novas emoções, Ragnar fica obcecado por conquistar Paris, cidade cercada por muros e considerada impenetrável tanto por terra quanto pelo rio Sena. Os franceses não contavam com a paciência viking. Mesmo em menor número, os bravos nórdicos resistiram por meses e tomaram a cidade sem derramar sangue. Lodbrok foi coroado rei da Dinamarca e seus feitos são parte importante das sagas nórdicas.

A história que tem o dom de se repetir

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França e Inglaterra parecem estar no destino daqueles chamados Ragnar. Desconhecido antes da Euro 2016, Ragnar Sigurðsson é um dos destaques da competição. Nascido em um país sem nenhuma tradição futebolística, desde cedo ele soube que tudo que queria na vida era jogar futebol. “Futebol é tudo que eu tenho na vida. Não tenho estudo. Lutei para ser jogador de futebol. Quando todos os outros garotos estavam se divertindo e bebendo nas férias, eu estava em casa comendo aveia.”

O sacrifício valeu a pena e ele foi descoberto pelo Fylkir, time da capital Reykjavik. Originalmente meio campista, foi convertido em zagueiro por sua força física. A mudança rendeu frutos e durante o tempo que defendeu a zaga do Gotemburgo, o time sueco bateu o recorde de menos gols concedidos. Além disso, o islandês foi o amuleto da sorte do time sueco, que depois da sua chegada venceu seu primeiro campeonato depois de 11 anos de seca, tomando apenas 23 gols em 26 partidas. Ragnar tem tão pouca pinta de boleiro que foi barrado por um segurança na festa de comemoração do título. Foi necessária a intervenção de jogadores e dirigentes do clube para convencer o brutamontes que Sigurðsson era uma das estrelas do time.

Fazendo jus ao sangue viking que corre em suas veias, deixou a Islândia aos 20 anos e foi jogar no IFK Gotemburgo. Em 4 anos, depois de disputar mais de 100 partidas, deixou a Suécia e seguiu a Dinamarca para defender o FC Copenhague. Atualmente joga no Krasnodar da Rússia e seu contrato vai até 2018. Isso não impede que times da Inglaterra e Alemanha cobicem seu passe, estipulado em € 5 milhões. Tottenham, Liverpool e Leicester já mostraram interesse pelo jogador e representantes do Schalke e do Wolfsburg entraram em contato com o clube russo. No dia 19 de junho, Sigurðsson completou 30 anos, mas o presente ele espera receber no dia 10 de julho, em Paris.

Depois da França, a história

Antes da Eurocopa começar, as apostas na vitória da Islândia estavam pagando  40/1. Hoje, na véspera da partida contra a anfitriã França, não parece impossível imaginar uma final entre Islândia e País de Gales. Mas chegar às quartas de final já pode ser considerado um feito quase tão grande quanto as conquistas do rei Ragnar. Certamente renderá altas conversas quando os dois se encontrarem no Valhala.

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