Eurocopa, dia 17: É hora de atuar como um grande, Portugal

Lewandowski Polônia
Foto: Uefa

Jogo equilibrado entre Polônia e Portugal mostra gols de Lewandowski e do jovem Renato Sanches, maior promessa desta geração lusitana. Apesar de sair na frente muito cedo, seleção polonesa murchou em campo e permitiu reação do adversário.

Logo que começou a partida, a PolôOLHA A BOLA VINDA DA ESQUERDA, PASSE PARA O MEIO DA ÁREA… GOOOOOOOL DA POLÔNIA! LEWANDOWSKI! E foi basicamente neste ritmo que começou o jogo entre Polônia e Portugal, pela abertura da fase de quartas de final da Eurocopa. Com um minuto e uns quebrados, o capitão e camisa 9 quebrou o jejum e marcou o primeiro gol da tarde em Marselha.

Tudo aconteceu em virtude da falha grotesca de posicionamento e combate de Cédric, que subiu mal para a bola, pregado no chão, dando espaço para que Grosicki cruzasse para Lewandowski. De primeira, o artilheiro guardou e assustou a torcida portuguesa.

O que poderia ser uma chave para a vitória diante de uma equipe portuguesa bem abaixo da média, acabou sendo um convite à retranca. A Polônia preferiu administrar muito cedo e diminuiu sua intensidade, chamando Portugal para a briga. De vez em quando, Lewandowski e Milik encostavam na área para criar alguma chance, mas em geral, os portugas tomaram conta e fizeram a bola rodar.

O jogo ficou pau a pau. Não como contra a Croácia, onde foi dominado e por pouco não se despediu da competição, Portugal pareceu recuperado do exaustivo confronto de sábado e mostrou suas garras para deter a turma de Lewandowski. E em um lance de puro talento, o garoto Renato Sanches tabelou na entrada da área, ajeitou para a pancada e contou com desvio para empatar o duelo, aos 33 minutos. Um golaço que evidencia a visão de jogo de Renato, novo contratado do Bayern.

As chances perdidas por Lewa e Milik custaram caro. Rui Patrício foi bem quando exigido na meta portuguesa e talvez tenha inspirado um pouco mais de confiança nos companheiros. Ronaldo, bem marcado, não fez absolutamente nada e só aparecia quando lamentava algum chute errado ou uma furada, coisa que aconteceu duas vezes nos 90 minutos. Entretanto, na primeira etapa, o camisa 7 foi derrubado por Pazdan dentro da área em um empurrão acintoso. O juizão mandou seguir, prejudicando Portugal, que poderia ter virado o jogo antes mesmo do intervalo.

Renato Sanches Portugal
Foto: Uefa

Cansados, os adversários passaram a jogar xadrez no Vèlodrome. Movimentos mais lentos, ataques melhor planejados e a bola que insistia em passar longe da área: quando falhou o físico, restou tentar decidir na inteligência. E assim, Polônia e Portugal foram para a prorrogação, assim como em suas partidas na fase anterior diante de Suíça e Croácia, respectivamente.

Quando o tempo extra teve início, Portugal partiu para o abafa. E adivinha o que Cristiano arrumou? Outra furada. Não fosse pelo jogo decisivo contra a Hungria, ele seria uma grande decepção. Não adianta nada estar obcecado com a glória se ele não consegue ter frieza na hora de concluir o lance. Mas a atuação pífia de Ronaldo tem uma grande explicação: os músculos já não respondem como deveriam, tamanho esforço ao longo da temporada.

Depois do furo, apenas uma invasão de campo chamou a atenção dos espectadores. No mais, estavam todos à espera dos pênaltis. E eles vieram, para definir de uma vez por todas o sobrevivente. Após batidas conscientes, Kuba chutou e Rui Patrício foi buscar com a mão esquerda. Em vantagem logo no penúltimo chute, Portugal se classificou com Quaresma. O sonho lusitano está vivo, muito vivo, mesmo com tanta dificuldade em vencer um jogo. Até agora, só venceram a Croácia, com um gol restando dois minutos para o fim da prorrogação. É talvez a maior decepção que ainda sobrevive a esta Eurocopa.

A Polônia se despede com honra e apenas um gol de seu grande artilheiro. Ele sim entra para o grupo dos flops do torneio, sem nenhuma efetividade em campo. Lewandowski poderia inspirar uma campanha ainda melhor, mas sentiu o peso da responsabilidade. Que venham as eliminatórias para a Copa do Mundo. Aí vem outra chance para o goleador brilhar.

Cristiano, no alto de suas cãibras e cobranças internas, chega a mais uma semifinal de Eurocopa. Mesmo com muita tradição, a equipe lusitana é considerada uma zebra. Zebra por chegar longe fazendo tão pouco. O adversário da próxima fase sai de Gales e Bélgica, dois muito qualificados para a vaga na decisão. É hora de pensar grande e atuar como grande. Para quem reclamou da mentalidade da Islândia, o time de Ronaldo está se saindo uma Grécia de 2004 piorada.

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