Eurocopa, dia 16: A tarde perfeita para uma aula de futebol

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Por Caio Bitencourt e Raphael Harris

Itália pega a Espanha de calça curta, faz jogo intenso e fica com a vaga para as quartas. Inglaterra sai na frente da Islândia, mas relaxa, toma a virada e passa vergonha na Euro. Dia não foi muito bom para os favoritos, que tomaram aula de futebol.

Itália x Espanha: a aula de futebol italiano

Pellè gol Espanha

Por Caio Bitencourt

Tudo fazia crer que veríamos um grande jogo de futebol. Com oportunidades para os dois lados, um jogo mais igual. Mas assim que o árbitro turco apitou o início do jogo, já se via um domínio claro italiano, tanto na parte técnica quanto principalmente na parte tática por meio do 3-5-2 de Antonio Conte.

Logo nos primeiros minutos, se via um domínio muito grande da Itália como não havia acontecido nessa Euro até então. Minutos atacando dentro do campo de defesa espanhol, até que, aos 8, uma cabeçada de Pellè foi defendida à queima-roupa por De Gea. Uma pressão grande italiana nos 20 primeiros minutos, o sinal do que seria o confronto.

A Espanha até queria mostrar sua cara, mas não conseguiu levar perigo a não ser em chute fraco de Iniesta aos 28 minutos. De Gea foi o grande nome do primeiro tempo. O jovem espanhol fez quatro defesas difíceis. O problema é que aos 32, ele rebateu mal uma falta cobrada por Eder, e Chiellini, na raça, empurrou pro gol para abrir o placar para a Azzurra. Festa, muita euforia e outro forte sinal de que a vaca bicampeã estava indo para o brejo.

No segundo tempo, a Espanha entrou melhor. A Itália não dificultava o ataque espanhol e não atacava tanto mais. E aos 5 minutos, após cruzamento na área, Morata cabeceou pra defesa de Buffon. Depois de um chute de Eder aos 10 minutos que De Gea defendeu, só deu Espanha.

Especialmente nos 15 minutos finais, Buffon foi muito ameaçado. O goleiro esteve bem em dois chutes de primeira de fora da área, de Iniesta e Piqué, aos 30 e 31, respectivamente. E mais ainda numa finalização do mesmo Piqué, frente a frente, aos 44. Mas a Itália soube resistir, acima de tudo. Soube segurar a barra magistralmente no campo de defesa e subindo a marcação para restringir a posse de bola espanhola.

Outra virtude dos meninos de Conte nesta tarde foi prender a bola no campo de ataque. Especialmente quando o professor colocou em campo Insigne, que entrou para segurar a bola na lateral. Mas o atleta do Napoli fez mais que isso. Em meio a uma Espanha mal organizada, ele viu Darmian na direita passando livre e cruzou pra Pellè matar o jogo, garantindo assim a festa de uma torcida e de Antonio Conte, todos enlouquecidos. Enlouquecidos e classificados para as quartas de final.

Já a Espanha, eliminada, mais uma vez morre com um 3-5-2, que foi a pedra no sapato da geração treinada por Vicente Del Bosque, assim como nas derrotas para Holanda e Chile na Copa do Mundo, ambas que usavam o 3-5-2. Esquema que Antonio Conte consagrou nesta tarde em Saint Denis. Vai de quem usa. A Itália quis vencer muito mais do que a Espanha, que em alguns momentos, pareceu acomodada. Bicampeã, sem muito a perder, deu adeus. E assim segue a banda.

Inglaterra x Islândia: Another Brexit on the wall

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Por Raphael Harris

Três leões foram brincar num vulcão e nunca mais voltaram. A Islândia produziu uma virada histórica sobre a Inglaterra, e continuou sua ótima campanha nessa Eurocopa. Por outro ponto de vista, porém, os ingleses foram eliminados e continuaram seu histórico vergonhoso nas competições internacionais.

Pelo menos dessa vez não foram eliminados nas penalidades. O jogo em si foi extremamente simples – três gols em 15 minutos. Rooney aos quatro, de pênalti, Sigurdsson aos seis e a virada islandesa veio aos 18, através de Sigthorsson. Os garotos da Rainha Elizabeth, como nos outros jogos que disputaram, controlaram a posse de bola e ditaram a partida.

Porém, de nada adianta se não fazem nada com a bola. A pelota foi de um lado para o outro, nunca conseguindo uma infiltração ou jogada mais perigosa. Chutes de fora da área sendo a arma mais potente dos Three Lions. Raheem Sterling, que não jogou nada nessa edição da Eurocopa, conseguiu fazer algo bom – foi derrubado na área e conseguiu pênalti. Rooney, o maior artilheiro da seleção inglesa, bateu bem e marcou. Naquele exato momento, todo mundo se perguntou “agora vai?”.

Mas não foi porra nenhuma, claro. Dois minutos depois, Sigurdsson aproveitou sobra na área inglesa e empatou a peleja. Naturalmente, a Inglaterra se mandou para o campo de ataque, mas o que isso quer dizer? Nada, claro, os caras não sabem o que é atacar. E os islandeses que não são bobos aproveitaram os erros ingleses para arrumarem contra-ataques e jogadas de perigo. Foi num desses que veio a virada.

Os azuis trocaram passes ao redor da área inglesa, Kolbeinn Sigthorsson arranjou espaço para chutar e bateu rasteiro. Eu, você e minha avó pegaríamos esse chute. Infelizmente, Joe Hart aceitou, e o vulcão islandês explodiu. O resto do jogo foi a Inglaterra fazendo a mesma coisa – tocando de um lado para o outro. Erros de passe, domínio e chute contribuíram para a frustração dos leões, que não conseguiram criar sequer uma chance clara de gol. Roy Hodgson, sem saber o que fazer, colocou os atacantes Vardy e Rashford para tentar salvar sua dignidade, mas foi tarde demais.

A Islândia derrotou Hodgson e seus homens por 2×1. Heroísmo islandês mas vergonha inglesa ao mesmo tempo. Com esse resultado, a campanha surpreendente da Islândia continua, eles enfrentam a França nas quartas de final. Já os ingleses voltam pra casa, e o que poderia ter sido uma geração renovada que mudaria a mentalidade inglesa, fracassa como todos as gerações anteriores. Mas a Inglaterra não tinha saído da Europa na quinta-feira? Há!

As quartas de final da Eurocopa

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Quinta-feira, 30 de junho
Polônia x Portugal, 16h

Sexta-feira, 1º de julho
Gales x Bélgica, 16h

Sábado, 2 de julho
Alemanha x Itália, 16h

Domingo, 3 de julho
França x Islândia, 16h

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