Copa América, a final: O mesmo roteiro do ano passado

Chile campeão 2016

Jogo fraco no tempo normal chama a prorrogação para decidir a Copa América. Argentinos tiveram as melhores chances, mas Higuaín e Agüero jogaram as chances do título pelo ralo. Nos pênaltis, Chile repetiu a dose e faturou a taça em cima dos rivais novamente, assim como em 2015.

A presença do Brasil nesta final de Copa América Centenário limitou-se à presença do péssimo árbitro Heber Roberto Lopes. O juizão expulsou Díaz e Rojo ainda no primeiro tempo, supostamente equilibrando um jogo tenso. Mas jogo? Parece que nem teve no MetLife Stadium.

Salvo as chances de Higuaín e Agüero, esta já no fim do segundo tempo, a final do torneio foi algo arrastado, entre dois times cansados e cuidadosos demais para dar um ataque impiedoso rumo ao gol. Na verdade, a Argentina bem que tentou. Uma enfiada de bola para Higuaín poderia ter decidido o confronto, mas assim como em 2014, na final diante da Alemanha, o atacante fraquejou e errou feio, como jamais faria com a camisa do Napoli.

Heber expulsa final da Copa América

A única coisa que realmente chamou a atenção no tempo normal foi a arbitragem polemiquinha de Heber, que roubou o protagonismo dos atletas nas expulsões e cartões amarelos. Cheio das caretas e dos gestos teatrais, o brasileiro quis de fato se aparecer mais do que os 20 que estavam em campo.

Não podemos reclamar de uma coisa: a falta de vontade. Faltaram pernas e um pouco mais de precisão, mas garra, sem dúvida, todo mundo mostrou. Em cada dividida, a sensação era clara de que o pavio estava curto na banana de dinamite. Muita porrada, muitas entradas desmedidas, trancos que evidenciam a rivalidade destas duas seleções.

Depois da grande chance de Higuaín, foi o Chile que chegou com muito perigo. Uma bola alçada na área para Vargas fez Romero saltar para agarrar a bola e evitar o que seria um baldaço de água fria. A Argentina reagiu. Messi bateu falta na área, uma cabeçada desviou a trajetória e Bravo teve que voar para tocar e salvar o Chile da vingança adversária. Era mesmo para acabar em zero a zero. Os dois goleiros evitaram que o placar fosse alterado, prolongando o drama para quem estava dentro de campo e fora dele.

Sinceramente falando: estava difícil aguentar este jogo. O cansaço dos jogadores contagiou quem assistia. O fato de ser uma final de campeonato que poderia coroar ou uma geração bicampeã chilena ou a argentina que saiu de uma fila de 23 anos acabou coroando o sono, já que o horário também não ajudou neste domingão tão cansativo para o trabalhador. As brigas, que poderiam empolgar o pessoal ansioso por cenas lamentáveis, nem foram tão intensas assim. Não precisou chegar a turma do deixa-disso para apartar os brigões. Decepcionante.

Messi marcação

A prorrogação já ia pelas cucuias quando o negócio ficou realmente interessante. A Argentina perdeu o medo de ser feliz e atacou, ô, atacou legal. Um sufoco que acuou a defesa chilena, toda postada na área para segurar o empate. Os pênaltis eram a única saída de emoção para 120 minutos tão insossos.

Aí, meu amigo, foi loucura. Não tem time superior, favorito, azarão e nem medroso em penalidades. É acertar ou errar. É aí que Pelé pode virar Betinho, que Marquinhos pode virar Maradona. Na reedição da Copa América 2015, o roteiro foi o mesmo em solo americano. Com igual desfecho.

Vidal abriu a série e chutou mal, mal demais. Romero quase encaixou. Messi foi ainda pior, batendo alto e isolando a bola no estádio. Depois disso, tivemos cobranças decentes e as com raiva, como a de Mascherano, que por pouco não furou as redes. Biglia, o homem que decidiu para o mal a série argentina, estava desolado antes de bater. Visivelmente abalado, tremeu e chutou nas mãos de Bravo. Silva demorou, titubeou, sofreu por antecipação, mas acertou, que era tudo que se esperava dele. E o Chile foi bicampeão.

O Chile, que até 2015 não sabia o que era vencer um torneio, levou logo dois canecos seguidos, batendo a mesma Argentina com um drama idêntico e os mesmos personagens. Teve a lesão de Di María, uma partida discreta de Messi e o jogo coletivo fraquíssimo da Argentina. Não há um culpado em especial, mas sim a coincidência: os gols perdidos de Higuaín no ano passado e agora que custaram caro à Albiceleste.

Esportivamente falando, a Argentina mereceu mais. Desde o começo, jogou mais bola, tinha mais time, Messi estava voando. Mas o camisa 10 não apareceu da forma que poderia. E ainda perdeu um pênalti daquele jeito. Di María, coitado, está se transformando no Kenny McCormick desta geração, se lesionando em todas as grandes competições que disputa com a Argentina.

Messi chateado final copa américa

Que fazer com tanta infelicidade, Messi? O destino vai te privar para sempre de ser campeão pela Argentina? Que fazer com essas repetidas contusões cruciais, Di María? Talvez trocar de benzedeira, mandar desfazerem esse feitiço? Que fazer com essa raça e esse empenho que nunca são recompensados, Mascherano?

São 23 anos de espera por uma nova taça. E serão 25 em 2018, na próxima chance que estes caras terão para mostrar valor. Um valor que, em clubes, é inestimável. Mas que por seleções, insiste em ser menosprezado. Messi, Di María, Mascherano, Higuaín e Agüero, pela Argentina, são inegavelmente menores do que Vidal, Sánchez, Vargas, Aránguiz e Bravo, os donos do futebol da América do Sul na atualidade. Mas não há justiça no esporte, não. Não há mesmo.

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