Eurocopa, dia 15: O recital de Eden Hazard

Foto: Uefa
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A França sofreu mais do que deveria, mas conseguiu a virada contra a Irlanda em um duelo emocionante. Na segunda partida do dia, a Alemanha atuou como verdadeira tetracampeã mundial e não deu chances aos eslovacos. No jogo de encerramento, a Bélgica foi liderada por um espetacular Eden Hazard na goleada sobre a surpreendente Hungria. 

França 2×1 Irlanda: Antoine Griezmann ao resgate

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No duelo entre David e Golias, o David estava sedendo por vingança pelo que aconteceu naquela famigerada partida de repescagem para a Copa do Mundo de 2010, em que a Irlanda ficou fora por uma mão de Henry no lance que originou o gol da classificação francesa.

O tento irlandês, aos dois minutos, dava indícios de que a conta estava chegando para os bleus. Paul Pogba acabou por derrubar Shane Long dentro da área. Brady converteu a penalidade, deixando a República da Irlanda em vantagem no marcador. A França, muito nervosa, tentou reagir na sequência, mas quase sofreu o 2-0 em uma trapalhada do zagueiro Rami.

Com a vantagem no placar, a Irlanda naturalmente adotou uma postura bastante defensiva. Mesmo assim, os irlandeses pressionavam a partir da linha divisória do gramado, não deixando a França atravessar o campo com claridade. Liderados por Jeff Hendrick, os boys in green estavam sempre atentos aos desarmes. Aliás, Hendrick representava tudo que Martin O’Neill queria de seus jogadores: Intensidade, imposição física e capacidade de conduzir a bola para contra-atacar.

A França, com seu habitual problema para construir desde seus centrocampistas (Kanté, Matuidi e Pogba), se lançava de todas as formas para encontrar a igualdade. Pogba, mesmo errando muito, era quem mais tentava, mas foi facilmente superado pelos atletas irlandeses.

Para a segunda etapa, Didier Deschamps provomeu algumas mudanças. Primeiro, no esquema tático – o time passou para o 4-2-3-1, com Pogba e Matuidi como volantes; Antoine Griezmann saiu da direita (agora ocupada por Kingsley Coman) e passou a jogar centralizado. As alterações foram vitais. Muito na base do abafa, a anfitriã passou a atacar melhor, construindo oportunidades e não sofrendo contragolpes rivais. O gol de empate nasceu após boa troca de passes até o cruzamento certeiro de Sagna na cabeça de Griezmann. Êxtase em Lyon. A virada veio minutos depois, com o mesmo Griezmann a marcar seu segundo tento na partida. No lance, Olivier Giroud fez belo movimento para atrair a marcação, fez o pivô e assistiu Antoine para o 2-1.

A Irlanda ainda tentou reagir. Entretanto, além do desgaste físico que já apresentava, viu o zagueiro Shane Duffy ser expulso por falta na entrada da área em Griezmann. Tendo essas dificuldades impostas, apenas o espírito de luta não foi suficiente para os irlandeses forçarem a prorrogação.

Alemanha 3×0 Eslováquia: A mais perigosa versão da Mannschaft

Foto: Uefa
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A partida começou com uma dominação brutal dos germânicos. O time de Joachim Löw, que tinha apenas Julian Draxler no lugar de Mario Götze como única mudança em relação ao último jogo, protagonizou um monólogo desde os primeiros movimentos. Sempre com muita posse, a Alemanha estabelecia quase todos os seus jogadores no campo de ataque – laterais pelos flancos e trio de meias trocando posições pelo centro -, ocupando os espaços no gramado com critério. A Eslováquia, sufocada, não conseguia sair, sendo travada quando tentava contra-atacar. Antes do gol de Jérôme Boateng, aos 8’, Sami Khedira mandou por cima após o lançamento em falta lateral de Toni Kroos. Era o aviso dos comandados de Löw de que o time usaria a bola parada como ponto forte para vencer o jogo. Depois do 1-0, com Boateng, a Mannschaft aumentou ainda mais seu controle no duelo – Mesut Özil ainda desperdiçou um pênalti aos 13’.

O ímpeto alemão permitia ao time atacar com uma facilidade impressionante. Apresentando sempre muitas variações em suas jogadas, com bola parada, combinações pelos lados, tabelas por dentro e chutes de longa distância, a tetracampeã causava perigo à meta de Kozacik com muita frequência. Mas o segundo gol insistia em não sair. Julian Draxler, contudo, resolveu chamar a responsabilidade para superar as marcações eslovacas, invadir a área e encontrar Mario Gómez para ampliar a vantagem no marcador.

No segundo tempo, a Eslováquia tentou reter a bola para buscar uma improvável reação na partida. A Alemanha, por sua vez, estava preocupada em matar o jogo em algum contragolpe. O terceiro gol germânico, entretanto, nasceu em cobrança de escanteio que Draxler aproveitou a sobra no segundo poste para estufar as redes do goleirão Kozacik. Depois disso, tivemos poucos registros ofensivos. O duelo entrou num marasmo tão grande que Löw resolveu colocar Lukas Podolski em campo.

Ao final, a atuação coletiva dos alemães permite a Joachim Löw ter garantias sobre diversos aspectos relacionados ao time titular. Joshua Kimmich como lateral-direito parece uma solução; Toni Kroos fez outra exibição brutal, digna de melhor jogador do torneio; Julian Draxler no trio de meias ofereceu muitas possibilidades, contribuindo para superar adversários com dribles ou receber passes entre linhas; Mario Gómez teve muita presença na área. Faltou apenas Thomas Müller, que mesmo assim esteve mais envolvido em relação aos primeiros jogos na Eurocopa.

Bélgica 4×0 Hungria: O recital de Eden Hazard

Foto: Uefa
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Buscando confirmar o favoritismo contra uma das grandes surpresas da Eurocopa, a Bélgica entrou no gramado do Estádio Municipal com o objetivo de marcar nos minutos iniciais. O gol de Alderweireld, aos 10’, deu mais tranquilidade ao time de Wilmots para recuar e construir as situações posteriores em corridas contragolpeadoras. A Hungria, claramente surpresa por ter que dominar com bola, ofereceu o contexto desejado pelos diabos vermelhos. As seguidas perdas pelo centro facilitavam os contra-ataque da Bélgica, que, com De Bruyne e Mertens, perdeu oportunidades na frente do arqueiro Gábor Király. O goleirão de moletom ainda fez excelente após falta cobrada por De Bruyne.

Pouco mais de meia hora de jogo e os húngaros permaneciam concedendo o melão em zonas vitais do campo. Naquele ritmo, era questão de tempo para que os belgas ampliassem o marcador ainda antes do intervalo – algo que não aconteceu. Em um cenário de tantas falhas da equipe adversária, Eden Hazard esteve brilhante em jogadas verticais. Nos magiares, o jovem Ádám Nagy fugiu do padrão do time, errando apenas um único passes nos 45 minutos iniciais.

O segundo tempo iniciou com o cenário semelhante ao da primeira etapa. A diferença era que a Hungria conseguia ameaçar em algumas escapadas. Entretanto, a Bélgica era superior e seguia desperdiçando situações. E liderados por um Eden Hazard soberano, os diabos vermelhos teimavam em não matar o confronto enquanto que o goleiro Thibaut Courtois era exigido com alguma frequência.

Contudo, Eden Hazard estava on fire. O craque belga lançou Batshuayi que, em seu primeiro toque na bola, ampliou o placar em 2-0. A Bélgica finalmente encontrou a tranquilidade, mas faltava o gol de Hazard para coroar sua excelente atuação. E foi em um contra-ataque puxado por De Bruyne que Eden recebeu na esquerda, cortou para dentro e finalizou sem chances para o goleiro Király. Com os húngaros abatidos, Ferreira-Carrasco fechou a conta em 4-0, após outro contragolpe.

O placar elástico é um duro golpe para a Hungria, uma das grandes surpresas da Eurocopa. Entretanto, a ausência de László Kleinheisler somado aos dias inspirados de Thibaut Courtois e, sobretudo, de Eden Hazard foram vitais para os diabos vermelhos avançarem no torneio com a maior margem da fase oitavas de final.

0 pensamento em “Eurocopa, dia 15: O recital de Eden Hazard”

  1. Atenção ingleses ou islandeses (já pensou?) a França não tá com toda essa bola, não. Alemanha, não tem jeito, é Alemanha. Bélgica, faça o favor de chegar a final…

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