Eurocopa, dia 13: Um fim emocionante para a primeira fase

Foto: Uefa
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Por Caio Bitencourt e Felipe Portes

Dramas marcaram o último dia da fase de grupos da Eurocopa. Portugal fez um jogo absurdo contra a Hungria em busca da classificação, enquanto a Islândia festejou a sua segunda posição, com vaga nas oitavas. No Grupo E, empates sem gols deram um fim sonolento a este estágio do torneio.

Hungria x Portugal: Temperatura máxima

Foto: Uefa
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Por Felipe Portes

Antes de ler o relato, entre no clima com esta vinheta aqui. Pronto? Então vamos lá.

Quem passou os últimos 17 dias reclamando de jogos mornos, certamente teve de se calar diante de um elétrico duelo entre Hungria e Portugal. Duas seleções de estilos diferentes que se chocaram e fizeram um grande espetáculo em Lyon. Não é que as jogadas tenham sido recheadas de dribles ou artimanhas ensaiadas. É que o futebol, aquele que você sonha em ver na TV ou no estádio, finalmente apareceu. É a intensidade com a qual foi disputado o confronto que marcou, fez história. Valia muita coisa para os rivais.

Bem, vamos começar de forma linear. A Hungria se preparou muito bem para enfrentar Portugal. Saudosa da geração de Puskas nos anos 50, a equipe magiar chegou para a Eurocopa com a missão de se classificar em um grupo equilibrado. Apenas Portugal era apontado como favorito para a vaga na segunda fase. No mais, era depender de seus talentos para fazer uma exibição à sua altura.

Os húngaros saíram na frente com gol de Gera, um tiro de longe que pegou Rui Patrício de calças curtas. Aos 19 minutos, sabíamos que o negócio ia ser dramático. Porque os lusitanos precisariam desesperadamente da virada ou de um empate para quem sabe brigar por uma vaguinha. A vitória era a forma mais fácil de avançar, mas quem disse que a Hungria deu mole? Nani deixou tudo igual, e lá estavam os adversários outra vez para descontar: Dzsudzsák fez o segundo, logo na volta do intervalo, batendo falta e contando com desvio da barreira para trair Rui Patrício. Cristiano empatou outra vez, de letra, dentro da área. Estavam cobrando tanto ele, que uma hora o rapaz se encheu e respondeu em campo.

De repente, o segundo tempo virou uma passarela de gols e um grande show dos capitães. Curiosamente, os dois vestem o número sete e são os mais técnicos de suas seleções. Praticamente um Ronaldo x Ronaldo. E o Ronaldo húngaro colocou novamente a sua pátria em vantagem, do mesmo jeito que havia marcado o segundo. A diferença é que a bola voltou para os pés de Dzsudzsák, que ajeitou, procurou um espaço e bateu. A pelota bateu em um português e foi parar nas redes. Os tugas não desistiram. Ronaldo, o original, apareceu para tocar de cabeça e deixar 3-3. Insano, o grande embate desta Eurocopa, que não ficou devendo em vontade, emoção ou cenas dramáticas de superação.

Não importa nem um pouco se as defesas eventualmente vacilaram nos lances. Quem prefere analisar posicionamento tático e desmerecer o tamanho de um jogo assim, claramente não entende do que este esporte é feito. É da comoção, do suor, do golaço, da derrota cruel, da incrível zebra, do craque pressionado, dos azarões que deixam tudo no gramado. Se alguém me perguntasse o que eu prefiro ver, entre uma partida extremamente bem jogada e sem falhas táticas ou técnicas ou um negócio maluco, bagunçado e cheio de gols, fico sem hesitar com a segunda opção.

O futebol é o caos, é a completa desolação, a exaltação de heróis e crucificação dos vilões, é a catarse coletiva, é o drama, o choro de quem saiu de casa e deixou tudo para trás a fim de se comover com uma bola rolando e as histórias que podem ser testemunhadas em paralelo. É a loucura, é o olhar para o amigo ao lado e perguntar se aquilo tudo está mesmo acontecendo. É maravilhoso e ponto final.

O relógio do árbitro chegou aos 48 minutos, mas que pareceram 200 nesta guerra interminável pela vantagem no placar. Ao fim, os dois oponentes saíram completamente exauridos e classificados na tabela para as oitavas de final, assim como a Islândia. Os minutos derradeiros marcaram um verdadeiro jogo de compadres, com toques de lado e gastando tempo para transformar aquela saga incrível em um banho-maria lamentável. A Hungria segurou a posse o quanto pôde e comemorou o fato de ter conseguido resistir aos avanços de Cristiano Ronaldo e Nani.

Um final melancólico, mas que de forma alguma mancha um encontro fulminante. E que mudou tudo, já que pela ordem, avançam Hungria, Islândia e Portugal, a primeira seleção desde 1980 a passar de fase sem vencer nenhuma partida. Ai, ai, ai…

Áustria x Islândia: Calando bocas

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Por Felipe Portes

E aí, Cristiano Ronaldo? Quem estava comemorando um empate na estreia com uma mentalidade de time pequeno? A Islândia venceu a Áustria com um gol no final e passou em segundo, na frente do esnobe português. A situação do grupo F foi um verdadeiro tapa na cara do craque lusitano, que certamente poderia ter ficado quieto depois da sua estreia neste torneio.

A Islândia ensinou algumas coisas interessantes aos mais arrogantes. Que não é porque você não tem tradição que isso significa que o seu time será para sempre ruim. Portugal massacrou os islandeses, mas não fez o segundo gol que queria. E por isso, Ronaldo saiu tão possesso de campo. A mesma postura de defesa competente se fez presente no encontro dos islandeses com a Hungria, um empate em 1-1. Contra a já combalida Áustria, a Islândia se superou e encerrou a fase de grupos com um histórico triunfo, para calar a boca de quem duvidava deles.

Bodvarsson e Traustason marcaram os icônicos gols islandeses, os que valeram a segunda posição da chave, à frente de Portugal, que suou bicas e beirou a eliminação várias vezes diante da Hungria. Apesar de não ter sido um jogo de provocar caretas ou fortes emoções, a Islândia levou na moral o confronto e ainda segurou a barra de ter um pênalti contra. Dragovic teve a chance de deixar tudo igual e motivar seus companheiros, em plena rajada contra a defesa inimiga. Mas acertou o poste e jogou fora a esperança. Schöpf empatou e os austríacos ficaram com um gosto amargo na boca, o de ter beliscado o triunfo.

Eis que Traustason completa uma trama que começou lá de trás, vinda pela direita, onde a bola atravessou a defesa e encontrou os seus pés para finalizar. O goleirão Almer ainda se esticou, relou na pelota, mas era tarde demais. O fiascão da Áustria contrastou violentamente com a euforia inédita dos islandeses que levaram bandeiras, gritos e a gloriosa sensação de estão entre os 16 melhores da Europa, em um sonho jamais sonhado nem pelo torcedor mais otimista.

Se você acha que foi só uma classificaçãozinha sem-graça com um fim xoxo, então veja só este vídeo aqui com narração islandesa no lance do segundo gol. E isto é só.

Suécia x Bélgica: Uma luta de boxe

Foto: Uefa
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Por Felipe Portes

O começo até que foi bom, mas em geral, a marcação foi amarrada demais e não tivemos grandes chances até os minutos finais. A Suécia esteve ligeiramente melhor e mais determinada a vencer, mas cruzes, como é ruim esta seleção de Ibrahimovic. Finaliza mal, não empolga, não tem um jogador realmente interessante além de seu capitão e ainda quer se fazer de tradicional.

Gren, Liedholm, Nordahl, Larsson, Brolin, Dahlin e a geração de 1994 devem chorar sangue vendo um uniforme tão bonito trajando um bando destes em campo. Mas faz parte, a Suécia nem sempre vai ser envolvente como foi no passado. E agora que Ibrahimovic se despediu dos serviços internacionais, a tendência é que piore ainda mais. Triste, mas é verdade.

A Bélgica, com a sua molecada, pareceu nem querer jogar tanto assim, mas quando quis, passou perto do gol. Lukaku teve duas chances seguidas e esbarrou em Isaksson e no bandeirinha para marcar. Na terceira oportunidade concreta, a Bélgica consagrou o veterano Isaksson. Desesperada e sem tanta criatividade, a Suécia apelou para o famoso kick and rush, aquele estilão tosco da Inglaterra até os anos 1990. E com esta premissa, quase fez o gol, com uma cabeçada perigosíssima afastada por Kevin De Bruyne em cima da linha.

No contragolpe, a Bélgica deu o recado: “Olha só, a gente é melhor, vocês não vão fazer gol nem se jogarmos por uma semana, então vamos logo resolver isso aí.” Hazard armou a jogada, a bola caiu nos pés de Nainggolan, que ajeitou e mandou uma cacetada no canto de Isaksson, indefensável. Ibrahimovic chateadíssimo por sair de cena sem conseguir uma última vitória, ficando na lanterna, já que a Irlanda venceu a Itália na outra partida.

Os Diabos Vermelhos avançam e nós esperamos que aquele futebol excelente das eliminatórias também dê as caras no mata-mata. Para a Suécia, a volta para casa será marcada pelo último aceno de Ibrahimovic como craque e capitão desta equipe. Que venham as oitavas de final.

Itália x Irlanda: A revanche vem aí

Irlanda x Itália
Foto: Uefa

Por Caio Bitencourt

O primeiro tempo foi de pressão irlandesa por toda parte, já que os Boys in Green jogavam pela classificação contra uma Itália rodeada de reservas. Por isso procuravam o gol a todo custo, especialmente nas bolas alçadas na área e chutes de longe na meta de Sirigu, enquanto a Itália em toda a primeira etapa, só arriscou uma vez  ao gol de Randolph, quase no fim dela, em chute pra fora de Immobile.

A não ser este lance, só deu Irlanda, e os alviverdes tiveram três grandes chances ao longo da primeira etapa: aos 9, em chute de longe de Hendrick. E em duas bolas aéreas: aos 21, em cabeçada de Murphy defendida por Sirigu, e aos 32, em cabeçada de Duffy após lançamento vindo da lateral que foi pra fora.

O segundo tempo dava a impressão de que as coisas se acalmariam. Depois do voleio de Zaza por cima do travessão aos 8 minutos, quase não houveram mais ações na partida, a Itália levava ao banho-maria e a Irlanda não ameaçava mais, o que tornava a partida enfadonha.

A torcida italiana já pedia há alguns jogos a presença de Insigne e El Shaarawy nas partidas, e eles acabaram entrando na segunda etapa. O jogador do Napoli chegou até a quase marcar um golaço em jogada individual, mas acertou a trave. Isso acabou animando os irlandeses, que passaram a chegar mais ao gol.

Aos 38 minutos, Bonucci escorregou na frente de Hoolahan, que invadiu a área e chutou fraco nas mãos de Sirigu. Mas a Irlanda teve uma segunda chance no momento seguinte: em bola alçada na área do próprio Hoolahan, dessa vez Brady ganhou de Bonucci e testou firme pro gol, aproveitando a saída erradíssima de Sirigu para marcar o gol da classificação.

Com o apito final, festa dos Boys in Green que não há hora pra acabar. Uma classificação tão emocionante que fez até Roy Keane chorar em campo. E a adversária é ninguém menos que a causadora do maior trauma recente do futebol irlandês: a França, que ainda instiga raiva a muitos torcedores por aquela mão na bola de Henry no gol de Gallas… Haverá vingança?

Os confrontos das oitavas de final

Foto: Uefa
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Sábado, 25 de junho
Suíça x Polônia, 10h
Gales x Irlanda do Norte, 13h
Croácia x Portugal, 16h

Domingo, 26 de junho
França x Irlanda, 10h
Alemanha x Eslováquia, 13h
Hungria x Bélgica, 16h

Segunda, 27 de junho
Itália x Espanha, 13h
Inglaterra x Islândia, 16h

Teremos gostinho de revanche em duas partidas específicas. Itália e Espanha se pegam na reedição da final de 2012, quando a Fúria dizimou os italianos com o placar de 4-0. E a Irlanda reencontra a França menos de sete anos depois daquele fatídico gol ilegal com o toque de mão de Henry, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. Graças à aquele lance, os franceses se classificaram. Vai pegar fogo o mata-mata.

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