Eurocopa, dia 8: A Fúria que encanta e a que cega

Foto: Uefa
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Por Felipe Portes e Matheus Rocha

Espanha atropela Turquia e praticamente elimina adversários da competição com atuação fulminante. Itália se classifica com gol de Éder e Croácia vacila feio dentro e fora de campo contra a República Tcheca.

Itália x Suécia: Parecia burrice, mas a insistência em Éder salvou um jogo ridículo

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Por Matheus Rocha

80 minutos pouco empolgantes. Itália e Suécia faziam um jogo bem fraco, com poucas finalizações. E nenhum dos dois times pareciam querer mudar a situação, já que Antonio Conte escolhia deixar seus jogadores mais criativos no banco, como Lorenzo Insigne, e Erik Hamren não tinha muito material entre os suplentes. Só que a insistência de um dos dois lados acabou dando certo.

O primeiro tempo de Éder foi horrível. O meia-atacante da Inter não fez nenhum passe e chutou uma vez ao gol na etapa inicial. O segundo tempo também não foi muito melhor, com pouca influência sobre o jogo. Mas Conte resolveu insistir no camisa 17 e resolveu tirar o centroavante Graziano Pellé para colocar Simone Zaza, tentando uma movimentação maior.

A aposta deu certo. Zaza desviou a bola de cabeça em um lateral cobrado por Chiellini e Éder pegou a sobra. O ex-jogador do Criciúma passou por um defensor sueco e bateu no canto sem chances para Isaksson. Um verdadeiro momento de brilho em uma partida bem fraca.

Por fim, a Itália, que chegou ao torneio bem questionada, já garantiu sua classificação com duas vitórias. Não foi bonito, mas a equipe foi segura na defesa e não ofereceu muitas chances aos adversários, além de mostrar alguns momentos de brilho, como o lançamento de Bonucci para Giacherinni e o contra-ataque que resultou no gol de Pellé contra a Bélgica.

E a Suécia? Bom, a Suécia sentiu falta de seu principal atacante no torneio. Não, Zlatan Ibrahimovic estava em campo. Os suecos continuam sem ter chutado uma bola ao gol adversário. Sim, eles fizeram um gol no primeiro jogo, mas a bola foi desviada para a meta por Ciaran Clark, defensor irlandês, que também foi responsável por outra finalização contra seu próprio goleiro.

Rep. Tcheca x Croácia: O futebol vive por homens como Srna, não por torcedores estúpidos

Foto: Uefa
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Por Matheus Rocha

Futebol é uma grande paixão, mas não se deixe levar por certas coisas. A festa das torcidas vista na Copa do Mundo no Brasil foi sensacional. E por boa parte da Euro, também. Mas o que os torcedores croatas vêm fazendo não dá para defender, de forma alguma.

A história recente não começa aqui. Quando a Croácia recebeu a Itália durante as eliminatórias em Split, o estádio já estava sem torcida por causa de problemas em uma partida anterior. E os torcedores resolveram desenhar uma suástica no gramado para se manifestar. A Uefa não ficou nada feliz com o acontecido e tirou um ponto da seleção, além de ordenar que as próximas duas partidas com portões fechados e fora de Split.

O ponto retirado complicou a classificação dos croatas, principalmente após a derrota para a Noruega fora de casa na antepenúltima rodada. Mas duas vitórias nos últimos dois jogos resolveram a situação, além da derrota para a Noruega para a Itália.

Voltemos a 17 de junho de 2016. A Croácia fazia um ótimo jogo contra a República Tcheca e vencia por 2 a 0, mesmo após o craque do time, Luka Modric, sair por causa de lesão. Os tchecos diminuíram com Milan Skoda desviando um lindo cruzamento de Tomas Rosicky.

Aí a torcida croata voltou a atrapalhar a equipe. Vários sinalizadores foram atirados no gramado. Alguns jogadores foram até eles, pedindo que parassem enquanto acontecia uma confusão no meio das arquibancadas. Tudo piorou quando um explosivo quase atingiu Ivan Perisic e estourou perto de um segurança que foi tentar retirar o artefato.

Logo depois, falta para os tchecos. Domagoj Vida coloca a mão na bola e o árbitro marca pênalti. Tomas Necid bateu de forma enfática e empatou um jogo em que a República Tcheca não fez nada. E a equipe capitaneada por Rosicky ainda pressionou para tentar a virada, mas os croatas conseguiram se segurar.

Não, o futebol não respira por causa de atitudes babacas como as dos torcedores croatas, por sinalizadores ou por qualquer coisa assim. Mas sim por causa de homens como Darijo Srna, que esteve no funeral do pai na segunda, chorou durante o hino e jogou os 90 minutos, recebendo muito carinho dos companheiros após os gols.

Espanha x Turquia: O baile dos bicampeões

Foto: Uefa
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Por Felipe Portes

A estreia foi uma porcaria, um jogo verdadeiramente hipnotizante e capaz de curar até a mais insistente das insônias. Mas a Espanha se reencontrou em campo. Do seu jeitão, abusando de passes, com muita calma, demoliu a defesa da Turquia. Visivelmente inferior na técnica e no emocional, faltou até motivação aos turcos, que durante todo o tempo apanharam e correram atrás da bola, nos pés do adversário.

Com a posse de bola, a Fúria finalmente jogou como uma bicampeã europeia. Toque a toque, expondo os buracos da defesa adversária, chegou ao primeiro gol em bola alçada na área e desviada de cabeça por Morata. Depois disso, show de bola da Roja. Nolito meteu na rede a segunda, completamente livre, após falha grotesca de posicionamento do beque turco. O 2-0 já estaria satisfatório, mas a Espanha foi atrás de mais um, para encerrar a conta e mostrar ao mundo que está afiada.

A intensidade continuou marcando o tempo de cada golpe da Espanha nos rivais. Completamente rendida ao talento de Iniesta e seus colegas, a Turquia viu um lance controverso encerrar a história da noite em Nice: Morata recebeu um passe de Jordi Alba, impedido, para fazer o terceiro. Aliás, os dois estavam adiantados. Isso pouco alterou o que foi a história do duelo, visto que a Turquia estava engessada e presa na armadilha da marcação alta espanhola.

Mesmo os mais críticos da paciência de Vicente Del Bosque e da cadência imposta pela Fúria se conformaram em ver uma atuação incisiva, vistosa e quase encantadora. Resta saber se eles repetirão a dose na fase do mata-mata ou se o pragmatismo e os toques incessantes voltarão ao cardápio da maior potência europeia da década. Até onde esta Espanha pode chegar?

Há margem para transformar a obsessão com o controle de jogo em algo realmente elogiável, como os grandes times da história do futebol? Cada um no seu estilo. Chatice à parte, a Espanha é um baita de um esquadrão.

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