Eurocopa, dia 7: A grande história que não foi

Foto: Uefa
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Por Raphael Harris e Vinícius Dutra

Inglaterra vence clássico contra Gales e praticamente assegura classificação em seu grupo. Irlanda do Norte vence a primeira partida em Eurocopas. Alemanha e Polônia ficam no zero e decepcionam torcida em jogo murcho. Confira os destaques do sétimo dia da Euro 2016.

Gales x Inglaterra: Uma questão de orgulho

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O País de Gales lançou um desafio para a Inglaterra: Bale, destaque dos Dragões, afirmou numa entrevista que “os galeses tem mais orgulho de vestirem a camisa de sua seleção do que os ingleses“. Essa simples frase foi como uma faísca num balde cheio de pólvora e querosene. O jogo entre Gales e Inglaterra foi um dos mais esperados dessa edição da Eurocopa. Muita emoção antes da partida começar, e não houve falta dela durante a pelada.

Mas vamos ao que aconteceu enquanto o melão rolava sobre os gramados de Lens, sim? Roy Hodgson optou pelo mesmo time que escalou no empate contra a Rússia, e se contra a Rússia os ingleses não conseguiram chances claras de gol, contra Gales uma chance se apresentou logo no início do primeiro tempo. Adam Lallana foi lançado em profundidade e mandou um cruzamento rasteiro para a área. A jogada foi bonita, mas terminou nos pés do jogador errado. Raheem Sterling estava livre, na cara do gol e mandou a bola bem longe com sua finalização.

Os ingleses mantiveram maior posse de bola e pressão, como contra a Rússia, mas dessa vez mostravam displicência, errando passes e domínio de bola. Gales sabia que ia ter que jogar com sagacidade se quisesse tirar algum proveito da partida. Então, foi num desses momentos raros em que os galeses tinham posse da bola que conseguiram uma falta de frente para o gol. A estrela galesa continuou seu processo de supernova – mas, diga-se de passagem, o goleirão inglês Joe Hart deu uma contribuição. Bale mandou uma bola com muito efeito na direção do canto esquerdo de Hart, que, mal posicionado, não conseguiu segurar a bola. Festa em Cardiff.

O primeiro tempo terminou com Gales na frente, 1-0. Roy Hodgson sabia que seus garotos não estavam produzindo, e fez o que foi preciso para mudar a situação: tirou o atacante Harry Kane, que fez outra partida apagada, e Sterling, que não fez nada além de perder a melhor chance de gol da Inglaterra no jogo. Entraram Sturridge e a sensação do campeão Leicester no Inglês, Jamie Vardy.

Não demorou muito para que Vardy deixasse sua marca no jogo – aos 11 minutos, aproveitou a lambança de Ashley Williams dentro da área galesa para empatar e manter as esperanças inglesas vivas. Londres vibrou e se aliviou um pouco. O restante do segundo tempo foi inteiramente inglês. Todos os jogadores de Gales se posicionaram atrás da bola com o objetivo de segurarem o ponto que bravamente iam conquistando. A tática de Chris Coleman estava funcionando. Roy Hodgson até colocou um 3° atacante – o adolescente Marcus Rashford, o jogador mais jovem a jogar numa Eurocopa pela seleção inglesa.

Aquele tal ditado da água e da pedra ocorreu novamente. Aos 47 do segundo tempo, no finzinho dos 3 minutos de acréscimo, Daniel Sturridge pegou a sobra depois de jogada confusa dentro da área galesa e meteu o bico da perna direita na bola. Entrou. A Rainha Elizabeth já abria as garrafas de champanhe e gritava um belíssimo “chupa, Gales, caralho!“. Sua queridíssima seleção mostrou o orgulho que eles têm pela camisa.

Os galeses, por sua vez, sabem que orgulho não falta para eles, e que eles ainda tem plenas condições de progredirem nessa edição da Eurocopa. A virada inglesa significa que os Three Lions agora são o primeiro colocado do grupo. Enfrentam a Eslováquia no próximo jogo. O País de Gales joga contra a Rússia.

Ucrânia x Irlanda do Norte: A primeira vez de Norn Iron

Foto: Uefa
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No jogo de abertura da segunda rodada do grupo C, a Irlanda do Norte venceu a Ucrância por 2-0. Gareth McAuley, aos 49, e Niall McGinn, aos 96, foram os responsáveis pelos gols da histórica vitória norte-irlandesa, que venceu pela primeira vez na fase de grupos da Eurocopa.

Para a partida de hoje, a Ucrânia apostou no mesmo onze inicial da estreia. Os ucranianos entraram no gramado conscientes de que precisariam ser ofensivos contra os norte-irlandeses, além da certeza de que seriam obrigados a propor o jogo. Contudo, a equipe de Mykhaylo Fomenko teve muita dificuldade para superar as linhas adversárias com passes, evidenciando total dependência das conduções de seus talentosos pontas, Konoplyanka e Yarmolenko. Entretanto, apenas o jogador do Sevilla buscou gerar ocasiões pelos lados, enquanto Andriy permaneceu tímido pela direita. Por outro lado, a Irlanda do Norte era simples em suas ações. E apesar dessa simplicidade, o plano de jogo se mostrou bastante eficiente ao longo do primeiro tempo. O esquema tático mudou em relação ao jogo de estreia, mas o comportamento defensivo permaneceu o mesmo, com os alas auxiliando na marcação e fechando os lados – criando uma linha defensiva que por vezes era composta por até seis jogadores.

Diante do muro alvi-verde, a falta de capacidade ucraniana para criar situações ficava cada vez mais gritante. Com dos 45 minutos, os norte-irlandeses não necessitaram defender tão agressivamente para neutralizar o jogo da Ucrânia. Apesar de feio, a Norn Iron jogava melhor. Inclusive finalizando com mais frequência em jogadas de bola parada. Craig Cathcart, após cobrança de escanteio, esteve próximo de marcar o 1-0. Antes do intervalo, McAuley desperdiçou oportunidade semelhante. Nessa altura do jogo, conjunto de Michael O’Neill usava e abusava do jogo direto.

No segundo tempo, o cenário era parecido. A Ucrânia, sempre pelos lados do campo, tentava agredir, mas os britânicos resistiam. Além de resistir, a Irlanda do Norte mantinha a jogada de bolas longas como alternativa. E o gol, de certa forma, nasceu assim. Após cobrança de falta lateral, Gareth McAuley subiu mais alto que todo mundo para testar a bola no fundo da baliza defendida por Pyatov. O time de Fomenko queria responder rápido, mas, por conta do nervosismo, errava muitos passes entre seus dois volantes. O jogo foi interrompido por causa da chuva de granizo. Tempo para Ucrânia colocar a cabeça no lugar e traçar um plano melhor para empatar o jogo, certo? Errado. Os seguidos cruzamentos laterais persistiram, sendo frustrados por uma zaga composta por soldados de Tony Pulis.

Para os norte-irlandeses o gol da tranquilidade chegou nos momentos finais de jogo. Em bola cruzada por  Josh Magennis, Dallas chutou, Pyatov cedeu o rebote que McGinn aproveitou para marcar o 2-0. Histórico. A Irlanda do Norte triunfava pela primeira vez na Eurocopa. Ao final, vitória justíssima para o time de Michael O’Neill, que ciente de suas limitações soube preparar a melhor estratégia para chegar com chances de classificação na última rodada da fase de grupos, contra a poderosa Alemanha.

Alemanha x Polônia: O Pacto de não agressão de Milik

Foto: UEFA
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No encontro das seleções mais fortes do grupo C, o zero a zero predominou. A Alemanha iniciou forte, com posse de bola, circulação e tentativas constantes de finalizações nos primeiros 15 minutos. A boa movimentação dos homens de frente possibilitava diversas linhas de passes aos germânicos, que sempre pecaram nas definições das jogadas. A Polônia, por sua vez, adotou a esperada postura defensiva para agredir em contragolpes. A ideia era bastante clara: permanecer recuada, fechar bem os lados e, após a recuperar, sair em velocidade com Grosicki e Kuba. Além disso, o time Adam Nawalka alternava sua pressão alta para não oferecer conforto aos alemães na saída de bola. Contudo, Mannschaft tinha em Jêróme Boateng, Mats Hummels e Toni Kroos os responsáveis pela segurança nos primeiros toques. Mesmo com tanta qualidade, a tetracampeã mundial não finalizava com perigo – foram 8 arremates na etapa inicial, sendo que nenhum foi entre os paus do goleiro Fabianski

O segundo tempo começou alucinante, com a Polônia desperdiçando a melhor ocasião da partida. Grosicki cruzou da direita, Milik apareceu sozinho dentro da pequena área, mas finalizou de maneira ridícula e a bola foi para fora. A Alemanha, através de Mario Götze, respondeu no lance seguinte – na primeira defesa do arqueiro polonês. O jogo ficou bastante animado a partir daí, com seguidas transições – e finalizações – de ambas equipes. Numa delas, Lewandowski teve espaço para conduzir livre e ficar frente a frente com Neuer, contudo o atacante foi travado por Boateng. Momentos depois, Grosicki carregou pela direita, achou Milik mais uma vez livre na área, mas novamente o atacante falhou de maneira inacreditável. Parecia que o atacante do Ajax havia assinado o pacto de não agressão com os germânicos.

Entendendo o contexto da partida, Joachim Löw apostou em André Schürrle e Mario Goméz para marcar o gol da vitória no abafa, mas o plano não surtiu efeito algum – os poloneses permaneceram com a segurança defensiva demonstrada ao longo do jogo. Ao final, o primeiro empate sem gols da Euro. Com esse resultado, a Ucrânia, que perdeu a segunda no jogo prévio, tornou-se a primeira seleção eliminada da competição. Os ucranianos não têm mais chances de classificação, uma vez que, mesmo vencendo a Polônia na próxima rodada, empatará em pontos com a Irlanda do Norte – que conta com a vantagem no confronto direto.

0 pensamento em “Eurocopa, dia 7: A grande história que não foi”

  1. O cara ainda é novo, ainda tem muito pra progredir. Vai contar com o apoio de Guardiola. É, quem sabe? É claro que falo do Sterling. Até o momento ela está mais pra um Chamberlain, um Walcott da vida. Eu vejo mais futuro no Rashford. Esse é diferente. Qual atacante inglês tem ou já teve aquela habilidade? Não lembro de nenhum que eu tenha visto. Pra quem gosta de futebol mesmo, e o inglês ama, esse é o cara que eles nunca tiveram. Nem Owen. Vou ficar na torcida por esse moleque!!!
    E o Kane? O que deu nele?
    O Hart segue a cartilha dos goleiros ingleses. Qual o momento do jogo em que ele vai entregar a rapadura? Mas aposto que chega nas 4ª e só!
    Ei Gales vamos jogar cara. Pro inferno com resultado, o que vier tá bom. Faz como os norte-irlandeses e os irlandeses. “Bora” brincar de bola merda!!!
    Engraçado mas essa Alemanha não tá com cara de Alemanha. Mas ainda é a Alemanha, vamos respeitar…
    Milik. É… ah, deixa pra lá.
    Abração ao site, parabéns pelo conteúdo!!!

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