Eurocopa, dia 6: Bombardeio ao castelo albanês

Foto: Uefa
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França sua sangue para bater a Albânia com dois gols nos minutos finais, superando a forte retranca dos adversários. Eslováquia venceu a sua primeira partida em Eurocopas e suíços se salvam de derrota contra os romenos. Sexto dia de competições foi bacana em solo francês.

Rússia x Eslováquia: Deu o maior ruim para os russos

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Vimos na tarde de sábado que a Eslováquia vendeu muito caro uma derrota para Gales. Em mais uma atuação sólida, a equipe liderada por Marek Hamsik fez a sua parte e desta vez, conseguiu alterar o destino ao fim dos 90 minutos. Pela segunda rodada do Grupo B, os eslovacos bateram a Rússia e se recuperaram de queda na estreia.

Para embolar o grupo, agora os eslovacos aguardam o resultado de Gales e Inglaterra, na manhã de quinta, para saber o que terão de fazer ante os ingleses na derradeira rodada. Se a Eslováquia não encanta, pelo menos joga um futebol envolvente e com bom aproveitamento ofensivo.

Hamsik, como era de se esperar, foi a peça-chave do time de Jan Kozak. Foi ele que deu o passe açucarado para Wladimir Weiss entrar na área com tranquilidade e bater o goleirão Akinfeev. Com rapidez e habilidade, a equipe de Hamsik dominou o jogo e mereceu até mesmo fazer 3 ou 4 gols para matar a partida. Apenas no primeiro tempo, Weiss e Hamsik balançaram as redes, para desespero dos russos.

Não que a Rússia não tivesse se apresentado. Dzyuba e Smolov criaram chances perigosas, mas ficou a sensação de que o time soviético não estivesse tão afiado para conseguir nivelar o confronto. Como a Eslováquia já tinha assustado antes de fazer os seus gols, a vantagem foi construída com justiça. Hamsik lançou um bolão nas costas da defesa adversária, Weiss dominou, cortou para trás e tirou os marcadores do lance para bater e mandar para o fundo do gol. Um belíssimo tento. Hamsik, imparável, fez o segundo em trama igualmente elogiável. Ele recebeu na lateral esquerda, puxou para dentro da área e mandou um canhão. A bola ainda ricocheteou na trave antes de entrar e aumentar o marcador.

Como demorou para a Rússia entrar no jogo novamente. Lenta e dispersa, a equipe de Leonid Slutsky deve ter ouvido poucas e boas nos vestiários para tentar a remontada. E em alguns momentos, pareceu mesmo que o empate viria. A missão era mais complicada do que foi contra a Inglaterra, por tudo que os eslovacos estavam fazendo em campo.

O esforço russo para tentar alcançar os oponentes foi recompensado. Glushakov recebeu cruzamento de Shatov e cabeceou para diminuir. Foram muitos arremates em direção ao gol, mas poucos com a precisão necessária para balançar o barbante. O abafa dos soviéticos foi a tônica dos minutos finais, mas talvez fosse tarde para mostrar força. A defesa eslovaca se segurou nas bases para administrar a vantagem e conseguiu assim a sua primeira vitória em competições europeias após a dissolução da Tchecoslováquia. Enquanto a coirmã República Tcheca fazia boas atuações, a Eslováquia só estreou agora, conseguindo um bravo triunfo na segunda jornada.

Na última rodada, tudo será decidido. A não ser que a Inglaterra vença Gales na quinta-feira, a situação da chave está em aberto. E diante do que vimos destes dois países até aqui, a Eslováquia parece mais pronta para avançar do que a decepcionante Rússia de Slutsky.

Romênia x Suíça: Osso duro de roer

Foto: Uefa
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O segundo jogo desta quarta-feira foi incapaz de separar as seleções de Romênia e Suíça. Enquanto os romenos buscavam o primeiro ponto para respirar na competição, a Suíça queria mais era acalmar os ânimos para chegar inteira contra o último duelo desta fase, contra a Albânia. Para o lamento dos suíços, a coisa foi bem complicada de lidar diante dos amarelos.

Em 1994, durante a fantástica Copa do Mundo dos Estados Unidos, estes dois países se enfrentaram e a Suíça surpreendeu a todos fazendo 4-1 no placar contra um dos mais memoráveis esquadrões daquele torneio: a Romênia de Hagi. Mas isso não impediu os cárpatos de avançar para a segunda fase. Diferentemente daquele dia em que os romenos saíram goleados, apesar de favoritos, a Suíça era favorita no reencontro.

Os papéis quase se inverteram quando aos 18 minutos, a consistente seleção de Anghel Iordanescu ganhou um pênalti a seu favor. Chipciu tentava aprontar alguma dentro da área quando foi puxado pela camisa por Lichtsteiner. A falta, absolutamente infantil, custou caro aos suíços. Stancu, com seriedade e sem risadinha, fez. É o segundo gol de pênalti que a Romênia faz nesta Euro. Cristiano Ronaldo provavelmente faria sucesso se jogasse por eles ao invés de Portugal. Tergiverso.

A Suíça partiu para o desespero, uma derrota aqui poderia ser decisiva. Muitos chutes longe do alvo estavam desesperando o professor Vladimir Petkovic. A superioridade era visível, mas enquanto houvesse afobamento na criação e nas chegadas ao gol, o placar seguiria desfavorável. E pior: a Romênia chegaria em melhor condição para somar seis pontos no duelo contra a Albânia. Foi numa bola vinda de escanteio que a sorte mudou para a Suíça.

Os vermelhos contaram com levantamento de Rodríguez para o meio da bagunça na área. Um rebote da defensiva romena achou Mehmedi, que de forma acrobática emendou um voleio fulminante. A bola foi lá no alto, encantando os espectadores dentro e fora do estádio em Paris. A Romênia, que desperdiçou a chance de seguir atacando para garantir a vitória, optou pela retranca, chamando os adversários para seu campo, praticamente convidando ao chute. Como são legais os romenos. Abriram a porta de casa, disponibilizaram um sofá, a TV, colchões e as acomodações da sala. “Venham, sintam-se à vontade, a residência é de vocês por agora“. Xhaka, Shaqiri, Mehmedi e o atrapalhado Seferovic entenderam o recado e deram trabalho aos marcadores.

E assim foi até o apito final, com pressão considerável dos suíços, que no fim das contas mereciam ter vencido. Nestas voltas que o futebol dá, eles quase foram punidos por aquela bobeira de Lichtsteiner. Se empatar com a França, a Suíça se classifica. Se perder, terá de torcer para que a Albânia faça o jogo da vida e segure a Romênia. Caso contrário, o saldo de gols poderá ser definitivo. Projetemos uma vitória por 2-0 dos romenos e uma derrota suíça: a coisa ficaria bem delicada.

França x Albânia: A muralha albanesa

Foto: Uefa
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A França se importou tão pouco com o jogo contra a Albânia que poupou Griezmann e Pogba no primeiro tempo. Claramente subestimando a equipe adversária, que estreou com derrota perante a Suíça, a dona da casa não conseguiu se desvencilhar da forte marcação albanesa proposta pelo técnico Giovanni Di Biasi.

A tendência foi durante todo o jogo foi de ataque francês, ainda que sempre esbarrasse na última linha adversária. Muito bem postada e sem perder o tempo de bola em nenhuma dividida, a seleção visitante anulou completamente a armação dos de Didier Deschamps e ainda soube descer com enorme perigo, inclusive botando uma bola na trave.

Encaixotando a França, a Albânia fez o que pôde para impedir o avanço das tropas oponentes. Payet, o geniozinho a ser batido além de Pogba, que entrou no segundo tempo, fizeram das suas com lançamentos venenosos e dribles, mas a defesa albanesa marcava muito em cima e não deixava jogar.

Griezmann também acabou sendo chamado para o confronto, juntamente com Gignac, que ficou na vaga de Giroud, pouco efetivo. As principais armas da França foram inutilizadas até os 30 do segundo tempo, quando a pressão da torcida empurrou o time adiante. Cansada demais para seguir combatendo e antecipando as ofensivas, a Albânia caiu de rendimento e ficou refém da disparidade técnica que era evidente antes mesmo da bola rolar.

O gol, aquele danado, não saía. A cada minuto, a sensação de que o jogo foi puro ataque contra defesa ficava mais nítida. A agonia dominava a euforia quando aos 44, um passe pelo alto de Rami encontrou o baixinho Griezmann livre para cabecear. Bola no fundo da rede, sem chance para Berisha. Era o golpe que os Bleus precisavam para derrubar o muro de concreto que estava levantado na frente do gol albanês.

Com a cabeçada de Griezmann, praticamente acabou a chance de vermos a Albânia na segunda fase. Logo ela, que veio com tão pouco para bater com os grandes e usou da sua defesa firme para combater ataques bem mais valiosos e respeitáveis que o seu. Não bastasse a frustração de ver o castelo de areia ruir no fim, os albaneses ainda acompanharam Payet consolidar o triunfo dos anfitriões com uma jogada ao seu melhor estilo: aplicando um corte no defensor e aproveitando a queda de Gignac, que quase desperdiçou um ataque perfeito. Outra vez o camisa 8 fecha de forma classuda a conta para a sua seleção. Ele sabe muito bem se prestar a um papel de destaque em campo.

Agora sim a França pode se dar ao luxo de escalar alguns reservas no amistoso com a Suíça na próxima rodada. Até para os suplentes a missão não aparenta ser tão complicada para garantir os 100% de aproveitamento. Aos albaneses, resta erguer a cabeça e rezar por uma vitória contra a Romênia combinada com vários outros resultados. Mas isso já é um sonho bem difícil de realizar, melhor fazer as malas e se despedir após rápida visita ao país-sede desta Euro.

0 pensamento em “Eurocopa, dia 6: Bombardeio ao castelo albanês”

  1. Se a Inglaterra não vencer Gales, o pau vai cantar contra a Eslováquia. Ingleses, ingleses. Será essa mais uma fracassada geração?
    Rússia? Esquece, vai.
    Guardiola sabia o que tava fazendo quando mandou Shaquiri embora do Bayern. E a Inter também. Fosse ele metia a cara no fisiculturismo.
    A França depende, de fato, do Payet e do Pogba. Cadê a lateral direita dos Bleus? Digne está em melhor forma técnica que Evra. Será que o Griezmann acordou?

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