Eurocopa, dia 4: A subestimadíssima Itália mostra força

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Itália estreia com vitória convincente e surpreende a Bélgica. Espanha joga mal, mas vence, enquanto a Suécia de Ibrahimovic emperrou na defesa da Irlanda. Primeira rodada da Eurocopa vai se encerrando no quarto dia de disputa.

Espanha x Rep. Tcheca: Mais um jogo dominado, mais dificuldades para finalizar

Espanha x República Tcheca
Foto: Uefa

Por Matheus Rocha

Tinha toda a cara de um jogo da Espanha contra uma seleção menor em um torneio internacional. Os comandados de Vicente Del Bosque tiveram a bola por muito tempo, mas tiveram muitos problemas para efetivamente quebrar a retranca tcheca. E quando passavam, a finalização não estava ali. Foi necessário um toque de mágica e um atacante de emergência para conseguir levar os três pontos na estreia na Euro.

Mesmo com 32 anos, Andrés Iniesta continua sendo um jogador incrível. Talvez no Barcelona ele já não tenha tanto destaque, visto que os olhos estão mais voltados para o trio MSN. Mas sua contribuição na seleção espanhola ainda é extremamente importante. A maioria das chances realmente importantes passou pelos pés dele, inclusive o único gol.

Quando já parecia que a partida poderia terminar 0 a 0, Iniesta aproveitou uma sobra de bola após um escanteio e colocou com precisão na cabeça de Gerard Piqué. O atacante emergencial só guiou para o lado da rede sem dar chances a Petr Cech. O resultado espanhol é bom, mas a atuação preocupa bastante já que continua mostrando algo que foi visto na preparação da equipe: a dificuldade para furar defesas com precisão.

O time segura a bola por muito tempo e até chuta bastante, mas peca demais nas finalizações, colocando poucas no alvo. Na derrota contra a Geórgia, foram 17 disparos, mas apenas três forçaram defesas do goleiro adversário. Contra a República Tcheca, 15 finalizações e oito no gol, mas não dá para dizer que Cech realmente teve trabalho. Um time que domina tanto e que tem jogadores bons não pode sofrer tanto para quebrar uma retranca.

E não dá para depender de um zagueiro para marcar seus gols. Álvaro Morata até colocou uma bola na trave, mas perdeu uma ótima chance cara a cara com Cech. Aritz Aduriz entrou e também falhou. Nolito e Pedro, outras duas boas opções, não contribuíram tanto assim. Dominar partidas como a Espanha faz é algo bom, mas não dá para criar poucas chances claras e ainda desperdiçá-las.

Não custa nada para que alguém faça como a Suíça na Copa de 2010, que aproveitou praticamente o único ataque que teve para bater os futuros campeões na estreia. E se não fosse por Cesc Fabregas salvando uma bola na linha, isso poderia ter acontecido novamente contra os tchecos.

Irlanda x Suécia: Não foi suficiente, Ibra

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Por Caio Bitencourt

Na estreia do grupo E, Irlanda e  Suécia  empataram por 1 a 1, em jogo que em alguns momentos se assemelhou a uma partida de rúgbi. As duas equipes concediam poucos espaços, deixando o primeiro tempo em alguns momentos até fraco tecnicamente.

O primeiro tempo foi de poucas ações, e as melhores chances do primeiro tempo foram todas irlandesas contra uma Suécia apática, que parecia sumida na partida. Primeiro com chute de fora de Hendrick aos 9. Depois de minutos monótonos, a Irlanda voltou a atacar com chutes de fora de Brady aos 29, que foi pra fora, e especialmente na bola na trave de Hendrick aos 32, que assustou o velho de guerra Isaksson.

No segundo tempo, a Irlanda continuou a atacar com mais frequência. E aos 2 minutos, Hoolahan recebeu após bela jogada de Coleman, dentro da área, e chutou pra marcar o gol da vantagem irlandesa. A torcida verde foi à loucura. O problema para quem estava acompanhando pela internet é que muitos portais creditaram erroneamente como um gol da Irlanda… do Norte.

A partir daí, a Suécia passou a melhorar na partida, crescer no jogo. Especialmente na figura de sua estrela máxima, Ibrahimovic. Na sua primeira chance, aos 14, Clark lhe negara a glória do gol de empate após cabeçada. Em jogada do próprio Ibra, ele procurou Guidetti na área, livre. Clark se antecipou de novo, mas dessa vez, era pra colocar a bola nas próprias redes, sem chances para Randolph. Uma cabeçada de artilheiro.

Após o empate, só houve uma grande chance na partida, quando em chute de Hendrick, Isaksson fez defesa à queima-roupa, impedindo os irlandeses de retomarem a vantagem. Para a frustração dos irlandeses que lotaram o Stade de France, o resultado final foi mesmo um empate, nem tão bom e nem tão ruim para os dois.

Bélgica x Itália: Tem que respeitar

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Por Caio Bitencourt

Em Lyon, a Itália venceu a  Bélgica por  2 a 0, em jogo que se desenhava um amplo favoritismo belga, com rara esperança italiana. Muito pelo que se viu nas Eliminatórias, nos amistosos pré-Euro e pelo clima de contestação ao trabalho de Antonio Conte desde que confirmou sua ida ao Chelsea, a Itália não estava tão crente de que faria sucesso neste torneio.

Mas assim que o árbitro apitou o início de jogo, a Squadra Azzurra soube neutralizar as ações ofensivas da Bélgica, que mal ameaçava. E quando tentava, era em chutes de longe, como o de Nainggolan, do meio da rua, que Buffon pôs pra escanteio. Fora isso, os Diabos Vermelhos travavam em frente ao catenaccio azzurro. Tinham mais posse de bola, mas não conseguiam criar.

Durante boa parte da partida, a Itália soube agir com disciplina tática, e os comandados de Antonio Conte, depois de muitas críticas ao técnico, souberam aproveitar os espaços, especialmente aos 32 minutos, quando em lançamento pirlesco de Bonucci, deixou o contestadíssimo Giaccherini livre pra tocar na saída de Courtois e abrir o placar. Logo Giaccherini, preterido por 9 entre 10 tifosi italianos.

A Itália ainda teve uma boa chance aos 36, quando após rebatida errada de cabeça de Fellaini, Pellè cabeceou pra fora. Depois disso, volta no tempo. Bélgica voltou à carga no ataque, mas não conseguiu criar grande perigo ao final da primeira etapa. Marc Wilmots precisou agir e colocou o time mais a frente na segunda etapa.

E o que se via era uma Bélgica em um modo ataque total, chegando a contra-ataques fulminantes, como quando Lukaku recebeu na cara do gol, fez tudo certo e deu um toque por cima de Buffon. Mas a bola caprichosamente foi pra fora. Wilmots chegara a colocar atacantes mais velocistas, como Mertens. Trocou Lukaku por Origi. A velocidade belga esbarrava muitas vezes nas faltas italianas. Bonucci e Thiago Motta foram os destruidores de Conte em campo.

Foram poucas as ações belgas contra uma Itália que havia escolhido permanecer ali, no catenaccio, à espera do momento certo para dar o bote. Mas antes disso, Origi cabeceou pra fora aos 36 minutos uma chance clara. Além de uma incrível chance que caiu nos pés de Fellaini nos minutos finais, mas ele não chutou. Quem não faz, toma. E o velho jargão foi escutado quando após jogada de Immobile, ele lançou Candreva, que viu Pellè livre pra soltar a bomba e fechar o placar.

Uma vitória importante para superar a desconfiança. E importante também porque foi a primeira vitória italiana em uma estreia de Eurocopa desde 2000, quando a Azzurra venceu por 2 a 1 a Turquia, naquela edição sediada em Bélgica e Holanda. O autor de um dos gols? Antonio Conte, o atual técnico, que finalmente nesse ano, terá paz com os tifosi e a imprensa para trabalhar a próxima partida. Até a próxima rodada, pelo menos.

0 pensamento em “Eurocopa, dia 4: A subestimadíssima Itália mostra força”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *