Copa América, dia 10: A mão que afaga é a mesma que apedreja

Foto: GloboEsporte.com
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Brasil cai na primeira fase da Copa América em lance absolutamente execrável validado pela arbitragem. Jogo ruim e com muitas chances perdidas cobrou seu preço em gol de mão feito por Ruidíaz. Peru e Equador avançam pelo Grupo B e a Seleção faz feio mais uma vez.

Equador x Haiti: Missão dada é missão cumprida

Equador Haiti

O Equador tinha a simples missão de bater o já eliminado Haiti para ficar com a vaga na segunda fase. Esperando o desfecho de Brasil e Peru, que jogavam no segundo horário, a seleção tricolor se apresentou com classe ao confronto, no que foi uma grande confraternização entre amigos regados a cerveja e churrasco.

Com imensa facilidade, o Equador fez 4-0 nos haitianos e três de seus gols foram o retrato do completo desinteresse dos adversários. Pelo menos por parte da defesa, não houve resistência e os Valencia entraram na área como bem queriam, fazendo uma festa deprimente de passes e gols de gente que até tira o pé para não humilhar tanto um adversário.

A saga do Haiti se encerrou mais ou menos dentro do script óbvio: saco de pancadas do grupo, só embaçou pra o Peru, na estreia, quando perdeu por 1-0. A sacolada do Brasil e esta nova derrota para o Equador foram resultados que se não eram esperados, não surpreenderam a ninguém.

Aos equatorianos, a recompensa pela recuperação. Pela boa exibição diante do Brasil, com gol legal anulado e sobretudo pela valentia de não se render com dois gols contra no primeiro tempo diante do Peru. A reação desta equipe, uma das mais interessantes do torneio, deve motivar a uma campanha histórica mais adiante. Bola estes meninos têm de sobra. Enner e Antonio Valencia, Cazares, Ayoví, Bolaños: vem coisa boa por aí para os equatorianos.

O golaço da tarde veio pelos pés de Noboa, que completou uma boa jogada pela direita pegando de primeira e mandando no canto da meta haitiana. A cereja do bolo em um duelo marcado por gols banais.

A classificação equatoriana veio após uma correção divina na justiça que norteia a Copa América. Em um lance que vai ficar por muitos anos na cabeça do torcedor brasileiro.

Brasil x Peru: A mão de Ruidíaz

Foto: GloboEsporte.com
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Pênaltis não marcados para os dois lados, cai-cai na área peruana, reclamações, finalizações erradas e desespero. Falta de comprometimento e de empenho, um gol absurdamente ilegal que definiu o jogo: o Brasil está fora da Copa América ainda na primeira fase com a derrota por 1-0 para o Peru. Outro vexame na conta desta Seleção.

Voltemos para o jogo de estreia entre Equador e Brasil, no sábado passado. Um jogo amarrado, com poucas chances e certamente muita decepção acerca do que o time de Dunga poderia oferecer. Entre os contragolpes do Equador, um lance levou destaque: Bolaños chutou a bola da linha de fundo e venceu Alisson, que engoliu um baita frango. Porém, a arbitragem anulou o tento julgando que a bola saiu na trajetória até a meta brasileira.

Passamos pelo Haiti, que apanhou de 7-1 e foi eliminado na segunda rodada. O Brasil se contagiou com o clima de euforia que a goleada trouxe. Muitos pregaram cautela, mais calma, enquanto Dunga e seus comparsas tentavam exaltar a evolução do jogo brasileiro. Contra o Haiti! Segue o jogo.

Chegamos a esta malfadada noite de domingo: o Brasil enfrentou o Peru para definir a sua vaga para a segunda fase. Ninguém contava com uma derrota. No mínimo, o esperado era um empate contra Guerrero e seus Bluecaps. Quando a bola rolou, o medo foi ganhando forma a cada vez que a Seleção ia ao ataque e falhava vergonhosamente em chutar no gol. Aí os meninos do cai-cai apareceram: muita simulação, mergulhos e reclamações. Só tiveram razão mesmo quando Lucas Lima foi travado dentro da área, caiu e o juiz não marcou nada. Primeiro erro da noite do apitador.

Minutos mais tarde, Flores passou pela mesma situação, sendo derrubado por Gil dentro da área brasileira. O professor mandou seguir. Os peruanos protestaram sem sucesso e foram enervados para o intervalo. Até então, o astro era o goleirão Gallese, que pegava tudo que o Brasil mandava na sua direção. O panorama era: a equipe Canarinho apertava e tentava furar o bloqueio peruano, mas a frustração se transformou em desespero.

Foto: GloboEsporte.com
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Eis que Ruidíaz saiu do banco, aos 19 do segundo tempo. Aos 29, o lance que mudou o destino da sua seleção. Um cruzamento da ponta direita encontrou o atacante livre no meio da área, de cara para o gol. Ele desviou com o braço e com a coxa, em um movimento meio descoordenado, como um bonecão de posto. Imediatamente, criou-se um bololô em torno do árbitro: como assim o gol foi legal?

O juiz Andrés Cunha conversou por minutos com o bandeirinha e contou com uma interferência externa para se decidir. Sabe-se lá o que o responsável pela comunicação fora do campo estava fazendo. Qualquer coisa, menos assistindo ao jogo. E assim, o trio de arbitragem optou por validar o gol de Ruidíaz, em uma irregularidade tão gritante quanto o gol de Maradona em 1986 contra a Inglaterra.

Lembra daquele gol que foi roubado do Equador? Então, ele veio por meio do karma punir o Brasil nesta Copa América. A polêmica gerou seis minutos de acréscimo não aproveitados pela Seleção de Dunga. A chance mais clara foi de Elias, que perdeu um lançamento sem desviar para a rede.

Felizmente, a imprensa não focou muito no erro grandioso da arbitragem como desculpa. Não foi isso que eliminou o Brasil. Foi a inércia contra o Equador, o pavor de jogar a bola que este país sempre jogou em campo, com o pior time que fosse. Foi o medo de passar um carão tão marcante quanto o 7-1 em 2014, foi a escalação tosca de Dunga e provavelmente a preleção fracassada que ele deu antes do jogo frente o Peru. Estamos diante de um dos erros mais bizarros cometidos por um juiz, que teve a cara de pau de validar um gol ilegal mesmo com a ajuda externa. Mas a falha de forma alguma é a explicação para uma queda precoce como esta do Brasil. É tacanho justificar o fiasco apenas por esta ótica. Simplesmente tacanho.

Tivesse o Brasil feito o mínimo que se espera, o placar teria sido outro. Mas há quem prefira colocar na conta da mão safada de Ruidíaz que classificou o Peru para a segunda fase, como líder. A mesma mão que decretou o zero a zero inaugural contra o Equador tirou o doce da boca de Dunga e sua comitiva. Com crueldade nunca antes vista. Karma é karma, a justiça foi feita, ainda que de forma torta.

E não chore pelo zero a zero que teria sido se o gol de mão fosse cancelado, Dunga. O Brasil só ficou refém do resultado em virtude da sua incapacidade de montar um time decente com tantas peças boas em mãos. Outro vexame, outra lição que o pessoal da CBF dificilmente vai assimilar. No fundo, nunca vai mudar nada a não ser que tudo vá para o raio que o parta.

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