Eurocopa, dia 3: Agora vai, Croácia?

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Crédito: UEFA

Por Matheus Rocha e Vinícius Dutra

Terceiro dia da Eurocopa teve Croácia dominando Turquia e vencendo com golaço de Luka Modric, Polônia estragando a festa dos norte-irlandeses e Alemanha batendo a Ucrânia, mesmo tomando alguns sustos.

Turquia x Croácia: Agora vai?

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Após a Copa do Mundo de 1998, a Croácia sempre entrou em torneios internacionais com grandes expectativas. Desde então, os resultados não têm sido realmente bons. Mas se dá para tirar algo da estreia dos croatas na Euro 2016 é que este grupo tem tudo para finalmente fazer jus ao que se espera.

A Croácia não teve problemas para vencer a Turquia por 1 a 0 com um golaço de Luka Modric (sim, Babacan poderia ter ido melhor no lance, mas não dá para tirar o crédito do meia do Real Madrid). E deveria ter sido bem mais, já que foram duas bolas na trave e outras várias chances criadas.

O técnico Ante Cacic é bastante criticado pela mídia local por mudar muito o time, dando pouca sequência em seu trabalho. Mas parece que ele finalmente achou um balanço, usando muito os jogadores mais experientes de seu grupo.

Como esperado, Modric foi o general. Por muitas vezes, ele foi no campo defensivo buscar a bola para começar o ataque. E ele tinha bastante liberdade para avançar, já que Milan Badelj fazia o trabalho sujo, cortando praticamente todas as tentativas turcas sem precisar bater. Por fim, Ivan Rakitic jogava um pouco mais avançado, mas trabalhava tanto quanto os dois que estavam atrás.

Os externos foram fundamentais na vitória. Ivan Perisic foi um dos croatas que mais apareceu na partida, dando bastante trabalho, seja na direita ou na esquerda e até centralizado, aproveitando a movimentação de Mario Mandzukic, que fez um trabalho bem decente saindo da área. E por mais que Marcelo Brozovic não tenha tido o mesmo destaque de Perisic, ele também jogou bem, principalmente no fim do segundo tempo.

A defesa foi bem segura. Darijo Srna e Ivan Strinic não deram muito espaço aos turcos. No meio da defesa, Domagoj Vida trabalhou muito bem e Vedran Corluka foi um verdadeiro guerreiro, tendo que sair de campo várias vezes para que os médicos pudessem arrumar o curativo na cabeça que o zagueiro “ganhou” após um choque no primeiro tempo.

O misto de experiência e talento do grupo é ótimo. Segundo Slaven Bilic, que estava na campanha da Copa de 98, é até melhor do que a sua geração, que fica na mente dos croatas pela medalha de bronze em sua primeira participação em um torneio importante. E realmente não dá para ficar surpreso se os uniformes quadriculados aparecerem bem longe na competição.

Polônia x Irlanda do Norte: Sem brilho, mas com os três pontos

Foto: Uefa
Foto: Uefa

Polônia sofre, mas consegue derrotar uma Irlanda do Norte praticamente inofensiva. A postura conservadora dos norte-irlandeses expôs algumas debilidades polonesas, como incapacidade para construir situações em longos períodos de posse de bola. Entretanto, a insistência de Milik foi vital para a conquista do primeiro triunfo na Eurocopa.

Os poloneses iniciaram a partida em alta velocidade, buscando o gol logo nos primeiros movimentos. Por outro lado, os britânicos resistiram e, com o passar do tempo, a falta de criatividade da Polônia foi ficando evidente. Pela direita, as combinações de Kuba Błaszczykowski e Lukasz Piszcek foram boas de alternativa de ataque, mas o ferrolho montado por Michael O’Neill conseguia barrar o ímpeto polonês. Tirando boas jogadas de Milik – quando este saia da área para participar das ações – a Polônia teve pouquíssimo jogo interior, utilizando cruzamentos laterais como sua principal arma. Isto, inevitavelmente, fez com que a equipe de Adam Nawalka ficasse previsível, facilitando o trabalho defensivo dos norte-irlandeses. Robert Lewandowski? Estava bastante isolado entre os defensores de três metros de altura.

A Irlanda do Norte, com um time titular deveras defensivo – quatro zagueiros, dois laterais e outros dois meio-campistas -, apostava tudo em lançamentos longos para o potente centro-avante Kyle Lafferty. O plano era bastante simples: bola longa no Lafferty. Contudo, provou ser inoperante porque Norn Iron terminou a primeira etapa sem ter finalizado ao gol de Szczesny.

No segundo tempo, o padrão ofensivo dos poloneses persistiu o mesmo, com Kuba gerando as melhores situações. Para a etapa complementar, a Irlanda do Norte alterou seu sistema tático – do 5-4-1 ao 4-1-4-1 – e a aposta se mostrou um grande erro. Os espaços para os poloneses começaram a surgir e, aos 51 minutos, Milik aproveitou cruzamento de Błaszczykowski para marcar o único gol do jogo.

Na reta final da partida, os norte-irlandeses tentaram pressionar pela igualdade – com diversos cruzamentos/lançamentos longos -, mas sem sucesso. Superiores em praticamente todo momento do jogo, as águias brancas só não ampliaram devido por causa da falta de pontaria no último terço do campo. Aos homens de Michael O’Neill, muito esforço e entrega, mas não houve ousadia para almejar algo na partida… Resta saber como a Irlanda do Norte será capaz de reagir nos dois jogos que faltam, com a consciência de que terá de melhorar muito para sonhar com alguma coisa na Eurocopa.

Alemanha x Ucrânia: Dominação germânica

Foto: Uefa
Foto: Uefa

A Alemanha derrotou a Ucrânia por 2 a 0, na estreia do grupo C na Euro. No Stade Pierre-Mauroy, em Lille, a seleção germânica, apesar dos sustos no primeiro tempo, dominou amplamente e só não fez mais porque na meta ucraniana estava um inspirado Pyatov. Mustafi, aos 18 minutos, e Schweinsteiger, no último lance do jogo, marcaram para os alemães. Até aqui, a vitória por dois gols de vantagem é a maior da Euro 2016.

A equipe comandada por Joaquim Löw iniciou a partida apresentando suas armas: futebol controle, movimentação constante e pressão alta. Toni Kroos e Sami Khedira davam toda segurança para os germânicos dominarem o jogo com muita troca de passes. O gol alemão, contudo, saiu em bola parada. Em lançamento de Kroos – o melhor da Mannschaft -, Mustafi testou livre dentro da área para superar o goleiro Pyatov. Os alemães permaneceram confortáveis no jogo, monopolizando e conservando domínio da bola.

A Ucrânia, por sua vez, buscava responder com a habilidade de seus pontas. A partir da meia hora de jogo vimos Yevhen Konoplyanka e Andriy Yarmolenko mais envolvidos nas jogadas. Numa delas, Yarmolenko encontrou Konoplyanka livre dentro da área, o jogador do Sevilla chutou, mas Jérôme Boateng salvou praticamente dentro do gol. Minutos depois, em trama pela esquerda, Zozulya viu seu tento ser bem anulado. O lance não valeu, mas nesta altura do confronto, além de responder com contra-ataques, a Ucrânia também chegava com perigo em cobranças de escanteio – representando tentativa de reação dos ucranianos.

No segundo tempo, os alemães souberam conservar a vantagem conquistada nos 45 minutos iniciais – sem deixar de acumular chances para ampliar o marcador. A Ucrânia não conseguia mais correr com a bola, a pressão em campo contrário exercida pelos germânicos cortava qualquer possibilidade de construção. Recuperando a posse com rapidez – e com Khedira trabalhando mais próximo de Kroos -, a Alemanha retomou o domínio total do meio-campo. Apesar da superioridade dos tetracampeões mundiais, o gol da tranquilidade não chegava. Schürrle, Draxler e Özil desperdiçaram chances de matar o jogo, mas foi com Schweinsteiger, já no último minuto, que os homens de Löw conseguiram aumentar a vantagem. O placar de 2-0 reflete melhor o controle estabelecido pela Mannschaft na etapa complementar.

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