Eurocopa, dia 2: O Reino Unido se apresenta

Foto: UEFA
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Três partidas animaram o sábado de disputa na Eurocopa. Dois britânicos estiveram em campo pelo grupo B e quem saiu comemorando foi o pessoal de Gales, que retornou após tanto tempo a um torneio internacional e venceu a Eslováquia. Inglaterra decepcionou ao sofrer gol no fim contra a Rússia.

Albânia x Suíça: Eurocopa dos gols perdidos

Suíça Schär

Por Felipe Portes

Suíça e Albânia encerraram as ações do grupo A nesta manhã, em Lens. Em um jogo envolvendo certa tensão diplomática, já que alguns suíços possuem origem albanesa, a torcida presente no estádio Bollaert-Delelis teve papel importante na história deste confronto.

Ao invés de saudar Taulant Xhaka, que é um dos astros da Albânia e enfrentava seu irmão Granit, do outro lado, a torcida albanesa vaiou alguns dos suíços que preferiram jogar pela seleção mais forte ao invés de defender a pátria-mãe. Por falar em mãe, a genitora de Granit e Taulant estava nas bancadas com uma camiseta especial, em uma ilustração das bandeiras dos dois países divididas com o nome da família Xhaka. Um amor. Dito isso, a bola rolou para um confronto não muito empolgante.

Alguns dos fatores para que a partida fosse abaixo do esperado: o gol aos cinco minutos de Fabian Schär, de cabeça, a atuação sensacional dos goleiros Sommer e Berisha e o caminhão de gols perdidos de Seferovic, que deveria mudar de posição, tão mal que foi nesta estreia suíça. Sempre esbarrando em Berisha, que tirou até com o pé alguns arremates, Seferovic passou vergonha.

Dominando completamente as ações, a Suíça quase foi punida pela sua ineficiência ofensiva. Gashi, que entrou no segundo tempo pela Albânia, saiu de cara para Sommer e chutou errado, para um milagre do goleirão do Borussia M’Gladbach. A bola passou muito perto do travessão com um desvio de Sommer.

Xhaka, o suíço, fez seu papel e articulou bem o ataque, várias vezes deixando os colegas em boa condição para marcar. Entretanto, o astro da sua seleção foi mesmo Shaqiri, o mais ativo e com poder de decisão. Quem também ia ganhando um 10 era Dzemaili, que saiu feito uma hiena alucinada em direção ao ataque, driblando todo mundo, mas tropeçou e caiu sozinho antes de concluir a ofensiva. É, quase.

Pelo lado albanês, lamenta-se a expulsão do zagueirão Cana, que levou dois cartões amarelos ainda no primeiro tempo e foi tomar banho mais cedo. Xhaka, o Taulant, esteve discreto e saiu na segunda etapa para dar lugar a Ergys Kace. Nem tudo é desgraça. O time de Giovanni Di Biasi até pode se orgulhar da grande partida feita por Berisha, o seu destaque debaixo das traves. E para quem estava estreando, o papel nem foi tão ruim assim.

Gales x Eslováquia: Há quanto tempo

Foto: Uefa
Foto: Uefa
Por Raphael Harris

O povo galês viveu nessa tarde um momento histórico. Sua seleção nacional, que não participou de grandes torneios do futebol europeu e mundial por 58 anos, fez sua estreia na Euro 2016 contra a Eslováquia, pelo Grupo B. Uma estreia que, sem exageros, representa um dos maiores triunfos da história da seleção galesa.

A estrela do País de Gales, Gareth Bale, entrou em seu processo de supernova – mas esse nem foi o momento mais marcante do jogo entre os galeses e eslovacos. A estrela da Eslováquia, Marek Hamsik, quase acabou com a felicidade dos britânicos nos minutos iniciais da partida: driblou um, driblou outro, deixou um terceiro pra trás e finalizou.

Tudo parecia certo para que um golaço abrisse o placar do primeiro jogo do Grupo B. Acontece que o jovem lateral esquerdo dos Dragões, Ben Davies, disse “aqui não, porra!” (em inglês, imagina-se), e tirou a bola em cima da linha. Muito provavelmente os galeses com problemas cardíacos não gostaram desse momento, mas a seleção estava viva.

Aos dez minutos de jogo, uma oportunidade veio para que o camisa 11 de Gales chamasse a responsa – e foi exatamente isso que ele fez. No melhor estilo Bale, bateu uma falta com categoria, enganando o goleiro Kozacik e abrindo o placar. E aí, meu amigo, foi uma explosão que emocionou a qualquer um (menos os eslovacos). O time inteiro correu para abraçar Bale, e a torcida de vermelho presente no Nouveau Stade de Bordeaux foi à loucura. Há quem diga que o goleirão frangou, já que a bola veio em cima dele.

Curioso que, o primeiro gol de Bale pela sua seleção foi em 2006. Contra a Eslováquia. De falta. Mas, nessa época, ele era apenas um lateral esquerdo jogando pelo Southampton, nem coque ele usava. Pelo restante do primeiro tempo, a equipe de Chris Coleman não apresentou grandes ameaças. Cadenciou o jogo, não arriscou muito para proteger o resultado. Gales até teve a má sorte de não ter um pênalti a seu favor, quando Skrtel cotovelou Jonny Williams no rosto dentro da área.

Foi aos 16 minutos do segundo tempo, porém, que Ondrej Duda quis mudar o rumo do jogo. Não perdoou, e com seu primeiro toque na bola empatou a pelada: 1-1 no placar.

Os galeses talvez até se contentassem com um empate em sua estreia na Eurocopa, mas ainda havia um momento de glória por vir. Aaron Ramsey, jogador importante do Arsenal, carregou a bola pelo centro do campo e foi driblando até a entrada da área. Tentou dar um corte com a intenção de abrir espaço para um chute – e conseguiu. Quem chutou, porém, foi Hal Robson-Kanu, todo desajeitado. Mas naquele momento pouco importava a técnica do chute, pois Gales estava de novo na frente, aos 35 do segundo tempo. E aí, meu amigo, não sei se aqueles cidadãos com problemas cardíacos sobreviveram.

Robson-Kanu anotou seu terceiro gol pela camisa vermelha, e que momento incrível para decidir marcá-lo. Pouco mais de 9 minutos depois, a partida terminou e a glória foi total. 58 anos depois, eles estão de volta. Voltaram pra valer.

Inglaterra x Rússia: O vacilo que custou dois pontos

Foto: UEFA
Foto: UEFA

Por Raphael Harris

Uma Inglaterra renovada mostrou suas armas contra a Rússia na sua estreia na Euro 2016. E pergunte para qualquer um que esteja acompanhando a seleção inglesa desde 1966 – isso era o que a equipe sempre precisou: renovação. A adversária dos Three Lions foi a Rússia, seleção BEM experiente, talvez o exato oposto da Inglaterra.

Roy Hodgson levou para a Eurocopa um contingente jovem e com jogadores que representaram a seleção poucas vezes, algo que foi requisitado pelos torcedores ingleses por anos a fio. O jogo em si foi morno, sem grandes oportunidades de gol. Mas a seleção inglesa dominou a posse de bola e foi a que mais arriscou, com chutes de fora da área e jogadas de escanteio. O primeiro tempo foi o momento ideal para que algum jogador de camisa branca abrisse o placar, mas ficou no 0-0. Fato que talvez sirva de lição para a pouco experiente Inglaterra.

A pressão inglesa se manteve no segundo tempo. Já ouviram o ditado da água mole e da pedra dura? Foi mais ou menos o que aconteceu. Dele Alli, o adolescente de 19 anos, eleito jogador jovem da temporada 2015/16, meteu uma caneta no zagueiro russo e foi derrubado antes que pudesse dar sequência à jogada. Falta na entrada da área para a seleção da Rainha Elizabeth. Kane chegou por perto. Rooney chegou por perto. Porém foi o volante do Tottenham, Eric Dier, que chegou e falou “deixa com o pai”. Surpreendentemente, ele colocou a bola na gaveta. Dier, de 22 anos, anotou seu segundo gol em sua oitava aparição vestindo a camisa branca.

28 minutos do segundo tempo, 1-0 para a Inglaterra. “Deus salve a Rainha” ecoava pelo Vélodrome. Infelizmente para os britânicos, foi aí que a falta de experiência bateu. A Rússia, naturalmente, não quis deixar seu orgulho pra lá e correu atrás do empate. Foi um verdadeiro bombardeio russo na área inglesa nos 10 minutos finais da partida. Cruzamento aqui, cruzamento lá, uns escanteios. A defesa dos Three Lions parecia que ia resistir, mandando a bola para longe a cada lançamento em direção a sua área.

Roy Hodgson fez duas substituições, tirando Rooney, o capitão, que fazia boa partida, e Sterling, que poderia ter feito mais impacto no jogo. Os ingleses, porém, não conseguiram reter a posse de bola e tiveram que aguentar a ofensiva russa até o fim do jogo. Três minutos de acréscimo. E foi a 1 minuto do fim do jogo que o zagueiro Vasiliy Berezutski subiu no oitavo andar e cabeceou a bola. A pelota subiu e encobriu a todos: a Rússia empatava o jogo.

Todos os ingleses presentes no estádio pensaram “for fuck’s sake”. Mas os russos não estavam nem aí e comemoraram o empate daquele jeito que só se encontra em Moscou. A Inglaterra perdeu 2 pontos às suas próprias custas, não conseguindo ampliar o placar e nem cadenciar o jogo após abrirem o placar. Inexperiência e erro de substituição feito por Hodgson.

Slutsky, técnico da Rússia, dormirá aliviado, sabendo que ainda há grandes chances de sua equipe progredir no torneio, enquanto o velho Hodgson agora descobriu que seus garotos tem de melhorar se querem avançar para as fases finais da Euro 2016.

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  1. No primeiro jogo a Suiça lembrou aquela velha Suiça e o Shaqiri tá muito fortão, muito pesado, Gales depende muito do Bale (novidade!) e por ele, torço pra ir adiante. Os ingleses, bem, os ingleses, dizer o quê? Supreendeu o Walker e o Dier, jogaram muito. Lallana, pode esquecer (até hoje não sei qual sua utilidade). Sterling não pode ser titular (quem sabe Guardiola não ensine-o a jogar futebol!). Kane batendo escanteio e falta, alguém entendeu isso? Contra Gales, sei não, eu entraria com um goleador: Vardy. Mas acho que vai ser empate (com os ingleses sofrendo contra a Eslováquia, pra variar!). Já a Rússia, tudo bem, tá com 4 desfalques, mas fosse depender das eliminatórias… Já era!!!

    1. Kane tava meio maluco, né? E não foi o atacante que esperávamos. Também entraria com o Vardy, tiraria o Lallana do meio, ele errou demais. Gostei da Inglaterra, mas faltou mais poder de finalização.

    2. Em um dos jornais ingleses de hoje, “um tal de” Alan Shearer questionou o motivo do artilheiro da Premier League, Harry Kane, ser o cobrador oficial de escanteios. Se isso não for “idéia” do Hogdson, suspeito que seja do “gênio” Gary Neville.

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