Copa América, dia 8: O grande roubo contra a Bolívia

Chile Bolivia

Com um uniforme bem estranho para a sua tradição, o Chile se vestiu de Rússia para enfrentar a Bolívia e só ganhou porque foi ajudado pela arbitragem. Pênalti mandraque deu a vitória à Roja, que só conseguiu furar o bloqueio boliviano nos acréscimos. Argentina fechou a segunda rodada batendo no Panamá com atuação precisa de Messi.

Chile x Bolívia: O pênalti que matou os bolivianos

Bolívia roubada Chile

Era para ser um daqueles dias em que a gente exalta a força de vontade e a perseverança de um time fraco contra um favorito. A Bolívia fez milagres dentro do fraco selecionado que escalou para esta Copa América. O Chile, na posição de campeão, era um bando e não mereceu vencer. Não mereceu porque fez quase tudo errado, atacou de forma desordenada, não teve consistência na armação e porque proporcionou um jogo sonolento.

Sobre os gols, o que você precisa saber é que os chilenos saíram na frente com Vidal, logo após o intervalo. A etapa inicial não deixou saudade e tivemos muitas finalizações na lua por parte de La Roja. A conversa de vestiário funcionou e os chilenos entraram mordendo nos 45 minutos finais. Entretanto, a Bolívia soube reagir e deu trabalho para os adversários. De repente, o talismã Jhasmany Campos entrou para colocar fogo no confronto.

O menino Campos então foi incumbido de bater uma falta, algo que ele fez com extrema maestria para acertar o lugar onde a coruja dorme na baliza de Bravo. E assim o jogo ficou empatado. A Bolívia lutou bravamente para manter o resultado, atravessou um momento de tensão com o desmaio de Eguino, estava resistindo aos acréscimos, até que…

Aos 52 minutos, o árbitro Jair Marrufo mudou a história do confronto, para pior. Ele marcou um pênalti de Gutiérrez, que saltou para cortar um cruzamento dentro da área, recolhendo os braços. A bola bateu no antebraço dele, de costas. Ficou claro que não houve intenção, mas Marrufo preferiu cair na do bandeira e apontou a marca da cal. Vidal, sem titubear, meteu na rede e consolidou a reação chilena no torneio.

Podemos dizer que a Bolívia não se classificaria mesmo que chegasse com chances na última rodada. Podemos dizer que os jogadores bolivianos realmente estão muito longe em nível técnico dos do Chile e dos da Argentina, que serão os adversários na última rodada. Mas não se pode descartar o efeito devastador que uma eliminação súbita e injusta por erro de arbitragem causa na confiança de um grupo.

Pouco importa se a Bolívia não merecia ter saído de campo com os três pontos, mesmo porque o zagueirão Zenteno e o goleiro Lampe fizeram milagres para evitar gols chilenos. Ainda assim, fica a marca da ineficiência do Chile, que acabou premiado com um pênalti mal marcado e que ceifou o seu adversário da competição sem chance e nem margem para choro.

De certo o segundo tempo trouxe muito mais emoção e até entretenimento para quem gosta de futebol intenso, mas ver um duelo ser resolvido assim, em um erro tão grotesco, é desanimador. Depois da arbitragem prejudicar o Equador naquele gol fantasma de Bolaños em Alisson, na estreia do Brasil, os homens do apito mancharam outra vez o torneio, transformando a alegria de um continente em vergonha e constrangimento.

O atual campeão agora pega o Panamá na última rodada precisando vencer para seguir na competição. Deve ganhar dos panamenhos e avançar, mas não dá a mínima pinta de que chegará longe. A mínima…

Argentina x Panamá: Pugilismo e San Lionel

Messi acena

A Argentina teve mais complicações do que o previsto contra o valente time do Panamá. Não por quesitos técnicos ou por chances criadas, mas pelo tanto que os panamenhos desceram o sarrafo nos atletas da Albiceleste. No placar, não tivemos tantas ações, agora, em compensação, nas cacetadas…

Não demorou muito para a Argentina derramar sangue do Panamá em campo. Otamendi subiu e testou sozinho para as redes. Depois disso, a única atração foi mesmo a garra dos canaleros. Quer dizer, garra não: truculência. O que teve de dividida atrasada, porrada fora da bola e agressões claras, não estava no gibi. E o juiz só expulsou a primeira das bordoadas panamenhas, punindo um ingênuo Godoy por dar um murro na cara de Gaitán. O volante, aliás, ganhou um troféu pela ignorância: levou dois cartões em oito minutos, um gênio.

Quem pensava que o Panamá ia aliviar a barra, se enganou. Os caras bateram ainda mais na etapa final. Gaitán, coitado, levou outros dois murros. Ele provavelmente deve ter algum problema com panamenhos, porque Cooper o agrediu depois de um rolinho humilhante na lateral. Com um soco na cara, sem vergonha alguma, Cooper castigou o adversário pelo talento.

Otamendi gol argentina

Paulada daqui, paulada de lá, a Argentina já tinha lamentado a saída de Di María, lesionado, na primeira etapa. O craque da estreia saiu reclamando de dores na coxa e preocupa para a sequência do campeonato. Atendendo a pedidos da torcida em Chicago, Tata Martino colocou Messi em campo. A substituição era arriscada, já que o camisa 10 não está 100% fisicamente e o Panamá estava exagerando na violência.

Cultivando um look de lumbersexual, ou em uma réplica caricata de Xabi Alonso, Messi entrou, pegou a faixa de capitão, levou a torcida ao delírio e desfilou com seu cabelo moderno e barba ruiva. A sua participação foi muito mais para ganhar ritmo do que para efetivamente resolver alguma coisa. Mas resolveu. A verdade é que a Argentina estava com o jogo na mão e só não ampliou a vantagem antes disso porque Higuaín foi por demais lento em uma jogada de cara para o goleirão Penedo. Fora isso, não pareceu em nenhum momento que o Panamá iria causar algum problema.

Mesmo com Messi em campo, a postura da Albiceleste era bem inofensiva. Passes despretensiosos gastavam o tempo até que em uma falha da defesa, Higuaín deu a assistência mais bizarra da sua carreira, com o rosto, para Messi só aparecer para colocar no canto. Aí o negócio decolou de vez. A grande chance panamenha no jogo, com 27 da segunda etapa, foi o retrato deste time. Em uma arrancada, dois jogadores ficaram contra Mascherano no ataque. Contudo, El Jefecito se antecipou e deu um bote perfeito para frustrar o Panamá.

O confronto já estava cozinhando quando Messi provou do veneno dos panamenhos. O capitão argentino tomou uma unhada no pescoço de Henriquez, mais um episódio de selvageria. E foi por causa desta falta bruta e desnecessária que Messi aumentou com uma cobrança ridícula de perfeita, vencendo Penedo ao acertar o canto superior da meta. Que monstro.

Lutando contra problemas físicos, o rapaz iluminou uma partida que se não estava entediante, certamente ficava devendo em técnica. Lionel também o quarto e último da noite em um lance de resistência e cola nos pés: se livrando da marcação, entrou na área como quis e bateu de canhota no canto. Que seja abençoada a mãe de Messi por trazê-lo ao mundo.

No futebol, Argentina 5-0 Panamá, com unzinho de Agüero ali na conta do chá. No Boxe, vitória por pontos dos panamenhos pelos golpes aplicados em Gaitán, que só não foi a nocaute porque tem o queixo duro. E o atleta do Benfica irá descansar tentando entender o que diabos fez para ser tantas vezes o alvo da fúria dos seus oponentes.

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