Copa América, dia 7: O vexame histórico do Uruguai

Suárez Uruguai

Uruguai se despede da Copa América já na segunda rodada ao perder para a Venezuela. Partida horrorosa dos charruas custou caro e a Vinotinto fez seu jogo no erro adversário. México se junta aos venezuelanos e também já está na segunda fase.

Uruguai x Venezuela: Por deus, Muslera!

Rondón Venezuela

Está decretada mais uma eliminação na Copa América. A Venezuela fez o que julgavam impossível e venceu mais uma partida. Justo contra quem? O Uruguai, maior vencedor da competição. Em jogo inacreditável de tão ruim e azarado por parte da Celeste, a Vinotinto fez Luisito Suárez se contorcer em caretas no banco.

O panorama já se pintava complicado quando Cavani e seus colegas desperdiçaram gols e mais gols na frente do arqueiro Hernández. Cavani, aliás, furou um chute que poderia tranquilizar os uruguaios. Completamente inoperante e entregue ao nervosismo, a seleção de Óscar Tabárez não esteve à altura da própria tradição e desempenho recente no futebol mundial. O desfalque de Suárez, lesionado, fez toda a diferença para este vexame na edição centenária do torneio americano.

Suárez foi obrigado a ver tudo sentado do banco. Quando pediu para entrar e ouviu um não do treinador, saiu socando a proteção de vidro ao redor das poltronas. Destemperado e provavelmente sem condições físicas de evitar o desastre, o atacante do Barcelona foi mais um a fazer cara feia perante a atuação horrível de seus companheiros.

O Uruguai acabou pagando o pato por Muslera, que estava mal posicionado e quase foi surpreendido com um chutaço de Guerra do meio da rua. O goleiro foi encoberto e conseguiu tocar com a ponta dos dedos para evitar o gol no primeiro lance, mas Rondón, oportunista, apareceu para espetar a bola para o fundo das redes no rebote. Com todo o segundo tempo pela frente, os uruguaios mostraram a garra de sempre, porém sem a eficácia necessária. Muslera é inexplicavelmente o titular da seleção, deixando o ótimo Martín Silva no banco. Apesar das atuações em torneios grandes, Muslera é limitadíssimo e deixou isso claro nesta noite. É hora de experimentar um pouco a reserva.

É verdade que os charruas ainda buscaram a igualdade, mas ao invés de respirar fundo e fazer o seu jogo, a equipe preferiu se enervar e reclamar com a arbitragem a cada falta não marcada. Novamente tentando ganhar no grito, como fez contra o México, o Uruguai é um justo eliminado do torneio: a Venezuela pareceu ter mais capacidade de marcar do que Cavani e seus parceiros. Sabe aquele seu amigo que é péssimo no futebol e quando perde a bola pede falta, mesmo sem razão? Então, este foi o retrato uruguaio na partida. Muita chiadeira, gente estressada e pressionada, pouco futebol.

Na base do abafa, a Celeste jogava na área, cruzava de forma tosca e se irritava quando o goleirão Domínguez defendia. De forma esperta, a Venezuela geriu o tempo e administrou a vantagem até o apito final. O esquadrão de Tabárez nem de longe parecia aquele time que deu a maior suadeira no Brasil pelas Eliminatórias. O que virá depois? A geração nem é tão velha assim para ser substituída. O futebol do Uruguai precisa se reinventar um pouco se quiser manter o nível.

Já a Venezuela, chega fumegante e com suas vitórias simples para galgar espaço entre os melhores do continente nesta Copa América. É difícil carregar um país tão desacreditado ao sucesso total, mas o esforço tem sido enorme para fazer desta geração vinotinto a melhor de todas.

México x Jamaica: Não foi por falta de oportunidade

Chicharito

Deu a lógica no Rose Bowl, em Pasadena. O México passou pela Jamaica e se classificou para a próxima fase da Copa América. Mas olha que foi no maior sufoco. Não fosse por um gol de Chicharito Hernández no começo e pela atuação monstruosa de Ochoa debaixo das traves, La Tri estaria em maus lençóis diante dos Reggae Boys.

O México de Juan Carlos Osorio começou muito bem o jogo e apertando em busca do seu gol. Ele não demorou a sair, em bola alçada para Chicharito cabecear e abrir o placar. Esperava-se que os tricolores tivessem a capacidade de infligir uma goleada aos adversários, mas o cansaço e a fragilidade defensiva colocaram em xeque o triunfo e a classificação antecipada.

Subestimamos a Jamaica de Winfried Schäfer e a verdade é que este time não é bobo. Soube botar a bola no chão quando precisava e trabalhou bem a ofensividade ao apostar na correria em cima da lenta defesa oponente. Só Donaldson, sozinho, perdeu cinco ou seis chances cristalinas para empatar, sempre tropeçando ou chutando errado. Inocente como todos os outros escretes jamaicanos que o futebol já viu, este até consegue se postar melhor em campo, sofrer menos sufoco, mas ataca mal. Muito mal.

O México estava contente com apenas 1-0 e a vaga nas quartas. E nem agrediu tanto assim para aumentar a sua vantagem. Entretanto, aos 36, Oribe Peralta mostrou serviço e saiu na cara de Blake para bater rasteirinho e marcar o segundo. Era o fim do pesadelo que quase veio a tornar a estadia da equipe mexicana na Califórnia em uma bad trip total.

Não adiantou a Jamaica fazer fumaça. Sempre que os jogadores chegavam para acender um jogo morno pelas pontas, Ochoa estava lá para apagar a chama. Totalmente no estilo estraga-prazer, o goleirão mexicano fez a sua parte para manter o  placar inalterado a favor de sua seleção. De olhos vermelhos com a fúria e a vontade de sair de campo com pelo menos um gol na conta, os Reggae Boys travaram uma luta contra os próprios corpos, cansados pelo efeito do calor, da derrota e da nuvem de desânimo que baixou após o lance decisivo de Peralta.

Com tantas oportunidades desperdiçadas, é uma lástima que a Jamaica esteja lidando com a possibilidade real de sair da Copa América sem marcar nenhum golzinho sequer. Quem sabe no amistosão contra o Uruguai na rodada final, que não vale absolutamente nada se não um pouquinho mais de honra na volta para casa. Ainda há uma pontinha acesa de esperança no horizonte.

Enquanto isso, os mexicanos pegam a Venezuela para decidir quem fica com a primeira posição e pega um chaveamento supostamente mais fácil nas quartas de final. Mata-matas geralmente não costumam dar sopa aos de melhor campanha, mas conseguir outra vitória dará confiança a mexicanos ou mesmo os venezuelanos, que estão com a faca entre os dentes para causar novo impacto. A zebra veste vinho na Copa América.

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