Descraques da Euro: Robson-Kanu, o atacante que não faz gols

Robson-Kanu

Olha o Kanu, ele é perigoso… A frase de Galvão Bueno na semifinal das Olimpíadas de 1996 poderia servir muito bem para descrever uma das principais armas ofensivas do País de Gales, que, ao contrário do companheiro multimilionário Gareth Bale, está sem clube no momento.

Filho de pai nigeriano, Hal Robson-Kanu nasceu em Londres e chegou a disputar partidas pelas seleções de base da Inglaterra, mas acabou escolhendo representar Gales internacionalmente porque parte da família de sua mãe veio de Cymru (o nome do país em sua língua local).

Eu me considero muito galês e os torcedores me aceitaram”, disse o meia em 2011, perto de estrear pelo “novo país” contra “a velha seleção” em casa. “Eu também tenho descendência nigeriana, mas escolhi jogar por Gales e estou muito feliz com a minha decisão”.

Hal entrou na academia do Arsenal quando tinha apenas 10 anos, mas acabou rejeitado e partiu para o Reading cinco anos depois por influência de Brendan Rogers, que trabalhava com a base dos Royals em 2004. Demorou apenas três temporadas para que o garoto já estivesse no time principal, de onde não saiu mais, acumulando pelo menos 30 partidas por época até o fim de 2015/16, quando seu contrato acabou e não houve um acordo para renovação.

Sim, é isso mesmo que você entendeu. Robson-Kanu, um provável titular de uma equipe da Euro, vai para a competição sem um clube. Em entrevista à BBC em maio, o jogador disse que queria se concentrar em ajudar a seleção e que após o fim do torneio, sentaria com os times interessados em seus serviços.

Robson Kanu Reading

O que torna Robson-Kanu um jogador ainda mais interessante é a forma com que ele é utilizado pelos técnicos que trabalharam com ele. Até a temporada 2014/15, o jogador aparecia mais como meia no Reading, normalmente pelo lado canhoto e algumas vezes pelo meio, mas poucas vezes no ataque.

Por outro lado, na seleção galesa, Kanu é utilizado basicamente como atacante. Das oito partidas que disputou nas eliminatórias para a Euro, o ex-Reading começou seis delas como o homem mais avançado da equipe. Isso porque Gales costuma jogar em um 3-4-2-1, que visa proteger a defesa e liberar os jogadores mais talentosos. E se formos pensar na última linha antes de Kanu, a equipe tem Aaron Ramsey e Gareth Bale, o que complica um pouco a disputa por ali.

Curiosamente, o atacante teve apenas um gol nas eliminatórias, mas era um fator extremamente importante para que a equipe criasse oportunidades. Kanu é bastante inteligente, principalmente em sua movimentação, o que abre mais espaço para Bale, Ramsey ou qualquer outro meia que venha de trás. Isso apareceu bastante na sonora vitória contra Israel fora de casa, por 3 a 0, com tentos de dois tentos de Bale e um de Ramsey. E foi justamente o resultado que praticamente colocou Gales em sua primeira Euro e a primeira competição internacional desde a Copa do Mundo de 1958.

O trabalho de Kanu é tão reconhecido pela torcida que o atacante ganhou um canto baseado em “Push it”, de Salt-n-Pepa, um dos grandes hits do hip-hop americano no final do século XX. E com direito até ao acompanhamento dos Barry Horns, a banda de sopros e percussão que acompanha todos os jogos de Gales em casa.

Se Gales tiver sucesso na Euro, pode colocar na conta de Bale e/ou Ramsey. Mas tenha certeza que para os dois jogarem tudo o que podem e levar a seleção adiante, o trabalho de Robson-Kanu é fundamental.

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