Copa América, dia 6: Fazer 7 a 1 no Haiti é sacanagem

Brasil x Haiti 2

Brasil vence a primeira na Copa América com um placar bem familiar. Em partida extremamente fácil contra o Haiti, Seleção participou de outro 7-1, agora do lado que goleou. Bom saldo deve dar a vaga para a segunda fase ao time de Dunga.

Brasil x Haiti: Os haitianos certamente não mereciam

É inevitável traçar um paralelo entre a derrota na semifinal da Copa do Mundo de 2014 contra a Alemanha, já que o placar foi o mesmo. Dois anos depois do maior vexame da história da Seleção, há no fundo, ali no fundo, o sentimento de vingança dos atletas que vieram ouvindo tantos absurdos, mesmo os que não estiveram em campo no Mineirão. Pois é. Se em jogos grandes a atuação ainda deixa a desejar, contra um adversário muito fraco, o Brasil passeou. Foi um show de bola, mas não fugiu ao roteiro esperado.

Desde o começo estava encaminhada uma goleada. Phillipe Coutinho e Renato Augusto estavam inspirados. Willian, com seus passes enjoados, também fez grande partida, apesar de não marcar gols. Ofensivamente, o Brasil fez tudo o que estava sendo cobrado desde a queda na última Copa América. O problema é que o Haiti não é mesmo o parâmetro para esta “evolução”.

Com toda a história que o Haiti carrega nos últimos anos, comemorar uma goleada e ainda tirar onda de um adversário tão frágil parece uma grande sacanagem. Não importa o que sofremos desde aquela tragédia monumental contra a Alemanha. O Haiti simplesmente não merecia ser eliminado da competição desta maneira. Entretanto, um único souvenir resta aos haitianos desta noite em Orlando: o gol de Marcelin, em rebote de Alisson. Pelo menos o de honra os rapazes fizeram no todo poderoso Brasil.

Dunga e seus comparsas dirão que a Seleção cresceu diante da adversidade e após um jogo ridículo contra o Equador. No entanto, não há outro resultado possível em um confronto como esse. É evidente que um placar assim dá um pouco de confiança, mas se os atletas entrarem contra o Peru pensando que vão conseguir outra lavada, a queda vai ser dolorosa.

Brasil Haiti

Não há muito o que se comentar a respeito dos 90 minutos jogados pelo Brasil. Um time que buscou demais o gol, trocou passes com extrema facilidade e entrou na área como Michael Jordan faria se jogasse basquete mano a mano contra Nelson Ned. Não houve competição em nenhum momento, talvez alguns lances em que a defesa do Haiti esteve bem postada. Mas essencialmente, foi uma verdadeira pelada em que até o churrasqueiro poderia entrar e deixar o seu gol.

Nenhum dos comandados de Dunga tem culpa do Haiti ser ruim como é. E nem os haitianos devem ser ridicularizados por isso, é óbvio. Para alguém do tamanho do Brasil querer fazer chacota de uma equipe humilde e que nunca foi nada no esporte além de saco de pancadas, parece execrável desdenhar do esforço dos bravos haitianos.

A goleada por 7-1 sobre este pobre diabo de adversário não quer dizer absolutamente nada. Nem que o Brasil se tornou um timaço do dia para a noite e nem que é uma porcaria por não fazer 14 ou 20 com tantas chances. É um destes duelos que mais parecem amistosos no meio de um campeonato. O teste de verdade foi contra o Equador e nós vimos bem o que aconteceu. Para a última rodada, é óbvio que a Seleção dominará o Peru e se classificará. Do mata-mata em diante, salve-se quem puder.

Equador x Peru: Fale com seu médico, eu falaria

Equador x Peru

O jogo entre Equador e Peru daria um belo comercial do Boston Medical Group. Em um choque interessante no estádio University of Phoenix, os adversários fizeram um duelo franco ao longo dos 90 minutos. Para provar que a segunda rodada está dando um banho de emoção na primeira, o Peru esteve por demais incisivo e abriu dois gols de vantagem ainda na etapa inicial.

Os lances que originaram os dois gols saíram de belas jogadas. Cueva, novo reforço do São Paulo, marcou o seu ao brincar de cirandinha com o beque adversário, aplicando um giro demoníaco antes de bater no canto da meta de Domínguez. O segundo, em jogada que caiu nos pés de Flores, teve o mesmo roteiro: domínio e pancada do peruano, que estava de costas para o gol e precisou se virar para acertar um chute no cantinho.

De repente, o Equador mostrou porque é um dos melhores times do continente. Voltando a atacar com frequência e aparando as arestas na sua retaguarda, o selecionado tricolor se encontrou em campo e diminuiu com Enner Valencia, anotando mais uma pintura na noite. No intervalo, faltou a Ricardo Gareca o jogo de cintura para manter a vantagem. E quando a bola rolou para os 45 minutos finais, só deu Equador. Tanto que Miller Bolaños deixou tudo igual aos três, e aí a coisa esquentou de verdade.

O Peru caiu muito de rendimento e os ataques eram quase sempre inofensivos. Sem conseguir se impor em campo, a equipe de Guerrero e Cueva entrou na roda dos passes rápidos do oponente. Quando o pessoal de Gareca se dava conta do que estava acontecendo, o Equador já estava dentro da área para finalizar. Foi dramático e muito satisfatório para quem gosta de bom futebol, coisa que foi praticada em grande maioria deste encontro no Arizona.

Noboa, Montero e Enner Valencia estavam causando enorme aflição na torcida peruana, que se recolhia a rezar durante os ataques do pessoal de camisa amarela. Do outro lado, Cueva e Guerrero controlavam as ações. E então, o Peru se viu envolvido em uma armadilha, encaixotado na marcação rival e ainda sufocado pela forte presença de ataque equatoriana. Nos 10 minutos finais vimos uma disputa acirrada pelo gol da vitória. Tivemos um voleio, uma bicicleta e certamente o genuíno desejo de ir às redes por parte dos guerreiros no gramado.

Com tanta vontade, os times acabaram recorrendo ao clássico estilo de cruzamentos na área. As defesas apareciam soberanas para afastar pelo alto, frustrando quem já gritava nas arquibancadas à espera de um chute plástico para balançar o barbante e assim extravasar toda uma alegria contida pelo equilíbrio no marcador. Ruidíaz teve a última chance de dar a vitória ao Peru, mas errou por centímetros e o chute passou riscando a trave de Domínguez.

No final, o empate foi justo para os dois. Como os peruanos dominaram no início e acabaram sofrendo no fim, foi melhor terminar em 2-2 para não configurar um verdadeiro crime na chave. Pior para o Peru, que precisa secar o Equador e ainda pegar o Brasil na última rodada. Em caso de goleada equatoriana contra o Haiti, o Peru precisaria vencer para se salvar. Mais emoção vindo aí, ainda bem.

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