Copa América, dia 4: Quem não tem cão, caça com gato

Di Maria silêncio

Estreia do Panamá com vitória e clássico entre Chile e Argentina foram as partidas desta segunda-feira na Copa América. Não faltou vontade no quarto dia de disputa nos Estados Unidos, que dirá a Argentina, que matou o Chile em dois contragolpes.

Panamá x Bolívia: A América de Blas Pérez

Panamá x Bolívia

Aos 35 anos, o atacante Blas Pérez não vê limites para continuar marcando seus gols. O goleador do Vancouver Whitecaps, provavelmente o novo maior jogador da história do Panamá, foi o homem da noite em Orlando, contra a Bolívia. Não bastasse a novidade de ver os panamenhos estrearem na Copa América, Pérez deu a vitória ao seu país em um jogo interessante para abrir a rodada do Grupo D.

Foram dois gols de Blas Pérez, uma referência no ataque do Panamá. Agora ele tem 41 no total com a camisa da seleção. E tudo indica que com este futebol, o gigante deve superar o companheiro Luís Tejada logo logo na artilharia geral, quiçá neste mesmo torneio. Falta apenas um tento para o novo recorde. Tejada, aliás, entrou na segunda etapa, mas não teve tanto brilho.

Quando se fala no futebol do Panamá, naturalmente nos lembramos dos irmãos Jorge e Julio Dely Valdés, o segundo com passagens honrosas no futebol europeu e no Nacional do Uruguai. Hoje, o sinônimo da valente equipe panamenha é sem sombra de dúvida Blas Pérez, que com a sua experiência e liderança conduziu o time até a primeira vitória na competição. Sabemos que as vagas para a segunda fase provavelmente devem ficar com Chile e Argentina, mas não custa nada sonhar com uma atuação impecável diante dos favoritos para roubar um ou outro pontinho.

O confronto em Orlando foi dominado pelo Panamá, mas a Bolívia também teve seus 15 minutinhos. Entretanto, a maturidade do futebol apresentado por Blas Pérez e seus comparsas neutralizou a ação boliviana e ainda gerou momentos de muito perigo. O capitão panamenho tomou para si o protagonismo completo ao abrir o placar e consolidar a vitória nos minutos finais. Arce, pela Bolívia, diminuiu o marcador, mas os esforços dos alviverdes não foram suficientes.

E assim, a Bolívia continua sendo a Bolívia e o Panamá chega chegando na parada, para quem sabe causar certa dor de cabeça a chilenos e argentinos.

Argentina x Chile: Trocando a arte pela eficiência

Argentina x Chile

Ver um jogo bom entre dois grandes do continente é sempre uma experiência gratificante. Argentina e Chile fizeram mais uma reedição da final da última Copa América e não decepcionaram na emoção. Com muita briga por espaço e várias jogadas que mostraram a rivalidade entre as equipes, os dois times foram separados apenas por detalhes.

No pouco que foi criado na primeira etapa, Romero se consagrou ao evitar um gol quase certo do Chile. A Argentina estava menos ativa no ataque nos 45 minutos iniciais, mas quando resolveu apertar a defesa chilena, fez seu resultado com poucas chances. Toda aquela excelência dos homens de trás em La Roja ficou fora do campo e a geração campeã virou apenas mais um time normal em campo.

Quando a bola rolou no segundo tempo, a diferença técnica pesou. Aránguiz vacilou demais na saída, perdeu para Banega e viu o meia do Sevilla dar um passe açucarado para a conclusão de Di María. O jogador do Paris Saint-Germain ajeitou rapidamente a bola e mandou um chute no canto do gol de Bravo. É assim que se pune uma falha adversária.

Como se fosse um replay, as coisas ficaram ainda melhores para a Albiceleste. Daí foi Banega quem recebeu a bola no mesmo lugar que Di María para ampliar a vantagem. E Bravo, que assistia ao jogo de camarote, debaixo da trave, foi com bracinhos curtos para pegar a bola no fundo da rede. Mas Bravo não falhou só: Isla cobriu mal o seu setor na defesa e permitiu a infiltração argentina.

Talvez seja seguro dividir entre Di María e Banega os louros para os melhores em campo. Os dois estiveram infernais, sobretudo Di María, que estava deveras insinuante quando encarava defensores chilenos. Em uma dessas, irritou Gary Medel e ficou cara-a-cara com o rival na lateral, muito perto das famigeradas cenas lamentáveis. Assim como Renato Aragão faria em qualquer episódio da Turma do Didi, o juiz chegou com os cartões amarelos na função de extintor, apartando a treta.

O desespero chileno era tão grande a cada descida argentina, que os defensores voltavam desagrupados para seus lugares, apenas com o intuito de tentar bloquear um novo passe para gol por parte de Banega ou Di María. E aí a mentalidade de La Roja ficou comprometida com os seguidos erros no ataque e na marcação. Era tanto erro que nem parecia o mesmo time que saiu campeão dentro de casa na última Copa América.

Enquanto a formação de Juan Antonio Pizzi foi passível de críticas e mais críticas pela postura dispersa e falhas capitais, a Argentina mereceu de fato os três pontos e o placar, talvez até mais dilatado. Muito eficiente e perigosa em suas tramas, a equipe se mostrou segura com o desfalque de Messi, ainda se recuperando de lesão. As únicas decepções foram Higuaín e Agüero, que pouco fizeram em campo, provavelmente exaustos de uma temporada difícil por seus clubes.

Não que isso anule tudo o que já foi dito sobre esta peleja, mas o Chile diminuiu no último minuto com um gol de Fuenzalida, de cabeça. Culpa de uma saída estabanada de Romero, que não achou nada em seu voo no meio da área.

De um ano pra cá, aparentemente só a Argentina evoluiu. Com esta estreia interessante, dá para projetar sem exageros o fim da longa fila de 23 anos sem títulos. Nas mãos de Pizzi, o Chile voltou a ser o time ligeiramente interessante que refuga na hora H. E isso certamente é um sinal de que renovar o título na competição é uma possibilidade bem remota.

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