Copa América, dia 3: Uma noite para se esquecer no Uruguai

México x Uruguai 3

Primeiro grande jogo da Copa América foi entre México e Uruguai com gols e expulsões, além da tensão em campo. Mexicanos dominaram os rivais e brilharam na noite em Arizona. Venezuela também largou com vitória no seu grupo, contra a Jamaica.

Venezuela x Jamaica: A retranca regueira

Venezuela Jamaica

Ninguém se surpreendeu com mais um jogo ruim e um placar magro pela Copa América. As limitações técnicas de jamaicanos e venezuelanos não ficaram tão evidentes, mas o sol e a alta temperatura prejudicaram um pouco do espetáculo em Chicago.

O único gol da tarde foi de Josef Martínez, e ao contrário do que podia parecer, La Vinotinto não brocou com facilidade a defesa jamaicana. Liderada por Mariappa, a retaguarda dos Reggae Boys se portou bem e fez um trabalho elogiável nos 90 minutos para conter o avanço do bonde Salomón Rondón. Entretanto, quem apareceu para decidir para a Venezuela foi Josef Martínez, aos 15 minutos iniciais, com boa jogada de Guerra na armação. Parecia que seria um massacre depois disso. Não foi.

A Jamaica se desdobrava demais na marcação até perder o volante Austin, ainda no primeiro tempo. Para a surpresa geral, o selecionado jamaicano de Winfried Schäfer lidou de uma forma diferente com a inferioridade numérica: partiu para o desespero e tentou punir a Venezuela no ataque. E quase saiu com o empate, acertando até a trave no início dos 45 minutos finais. Vários momentos de pressão quase tiraram a vantagem vinotinto na partida.

A estreia e a vitória da Venezuela podem embolar o grupo. A previsão é de uma luta bem acirrada pelas vagas na segunda fase. E quem perder de agora em diante se complica. Né, Uruguai?

México x Uruguai: O hino errado era um mau presságio

México x Uruguai

O Uruguai teve alguns motivos para reclamar em campo, no Arizona. Também sofrendo com o forte calor que fazia na região, a Celeste começou a Copa América com o pé esquerdo em vários sentidos. O negócio ficou estranho quando a organização do estádio tocou o hino chileno ao invés do uruguaio. Obviamente os jogadores não cantaram e fizeram cara de confusão. Isso se repetiu bastante ao longo dos 90 minutos.

Aos três minutos, Álvaro Pereira foi subir para tentar cortar um cruzamento e cabeceou contra a própria meta, abrindo o placar para os mexicanos. À esta altura, o estilo ofensivo do time de Juan Carlos Osorio estava em plena fúria para ganhar o jogo em poucos ataques. Pressionando demais a competente defensiva uruguaia, o México foi o dono das ações e mereceu muito ampliar a vantagem que estava construindo.

Visivelmente nervoso em campo, o Uruguai cometeu muitos erros no ataque, errando por precipitação e ineficiência. Além disso, direcionou inúmeras reclamações contra a arbitragem, mesmo sem razão para tal. Era um negócio de tentar ganhar faltas e lances no grito, um tanto quanto estranho.

Quando tinha a bola, o México gastava em passes e tentava cansar os marcadores charruas. O que já era difícil, ficou ainda pior quando Vecino se destemperou e tentou acertar uma bicuda de várzea em Corona, que descia pela esquerda. Como ele já tinha amarelo, coube ao senhor juiz mostrar o cartão vermelho e desfalcar o Uruguai em campo. Aí as coisas subiram para a cabeça do time de Óscar Tabarez.

Toda a velocidade mexicana estava deixando os uruguaios irritadíssimos, já que eles sofriam para alcançar os adversários e lidar com a intensidade do confronto. Cavani foi o que chegou mais perto de vazar Talavera. E Rolán, que teve as melhores chances, bateu mal e desperdiçou uma linda jogada iniciada por Godín, que desceu como um trem ao ataque e acionou Cavani. O grandalhão rolou e deixou a bola limpa para Rolán empatar, mas o jovem errou o alvo. Essa foi a tônica do Uruguai em campo: quando parecia que o gol ia sair, a trama acabava em tiro de meta para os mexicanos.

Por falar em Talavera, o goleirão quase entregou a paçoca duas vezes no mesmo lance. Ao sair catando borboleta no meio da área e depois aparecer para socar a bola contra o próprio gol. Por sorte ele conseguiu jogar para escanteio. Do contrário, ia ser um gol contra dos mais estúpidos desta década. Com a expulsão de Guardado, no meio da segunda etapa, o Uruguai viu a chance de ouro diante dos seus olhos. Godín cabeceou uma bola alçada na defesa mexicana e empatou. Estava tudo aberto?

Não. O México subiu para matar. Aos 40, Márquez completou uma jogada meio bumba meu boi na área uruguaia e mandou um foguete no alto da meta para fazer o segundo. Desanimado, o selecionado celeste entregou os pontos de vez e foi para as cordas. La Tri se aproveitou da bagunça e ainda fez o terceiro, com Herrera, selando o placar. Graças a uma defesa de Muslera, o quarto não saiu. Quando o jogo chegava perto do apito final, parecia que veríamos uma goleada ser consumada, mas não houve tempo.

O massacre evidenciou a grande fase que vive o México, que bateu o adversário mais temido de sua chave com certa facilidade. É de esperar que os de Osorio amassem também a Jamaica e a Venezuela e dificultem demais a vida de quem vier no mata-mata.

Ao Uruguai, resta catar os cacos e erguer a cabeça para buscar uma reação. A pressão vai aumentar para os duelos restantes e só a experiência de Tabarez, Cavani e talvez Suárez, que se recupera de lesão. Mesmo assim, Luisito jogaria abaixo de seu potencial completo, já que o prazo ideal para o seu retorno é apenas ao fim da primeira fase. Cai um dos favoritos, mas aparece outro em seu lugar. Agora sim, a Copa América parece ter começado de verdade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *