Pequeno guia cinematográfico da Copa América, parte II

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Continuando nossa viagem pelo cinema das Américas, mostramos o que de mais interessante Brasil, Equador, Haiti e Peru já filmaram. Garantimos que nossa lista é tudo, menos óbvia e reserva deliciosas surpresas para aqueles que desejam conhecer um pouco mais da quase desconhecida produção cinematográfica fora do eixo Argentina – Uruguai – Chile.  Do cinema semi amador do Haiti ao peruano que faz filmes baseados em livro de vencedor do Nobel de literatura, temos filmes para todos os gostos. Preparados? Bora!

Brasil

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Antes de começar, gostaríamos de esclarecer que nesta lista você não vai encontrar filmes brasileiros indicados ao Oscar, nem filmes derivados de comédias de TV e produzidos pela Globo Filmes. Muito menos atores que saíram pelas portas dos fundos do YouTube. Nada contra, cada um com seu cada um. Só nos reservamos o direito de indicar filmes que ofereçam algo além de simples divertimento.

A produção cinematográfica brasileira tem filmes para todos os gostos. Nesta lista reunimos alguns dos melhores filmes já produzidos por essas bandas, embora muitos deles estejam esquecidos. Destacamos alguns ótimos documentários, uma adaptação de um conto clássico de João do Rio e a animação cult de Cao Hamburguer. Esses são certamente filmes que teríamos muito orgulho de apresentar para qualquer gringo ansioso para conhecer um pouco do cinema brasileiro.

Eis nosso cardápio:

Ganga Bruta (Ganga Bruta, 1933) ­- Humberto Mauro

O Pagador de Promessas (O Pagador de Promessas, 1962) – Anselmo Duarte

O Bandido da Luz Vermelha (O Bandido da Luz Vermelha, 1968) – Rogério Sganzerla

Matou a Família e Foi ao Cinema (Matou a Família e Foi ao Cinema, 1969) – Júlio Bressane

A Noite do Espantalho (A Noite do Espantalho, 1974) – Sergio Ricardo

Eles Não Usam Black-Tie (Eles Não Usam Black-Tie, 1981) – Leon Hirszman

Memórias do Cárcere (Memórias do Cárcere, 1984) – Nelson Pereira dos Santos

Frankenstein Punk (Frankenstein Punk, 1986) – Cao Hamburguer e Eliana Fonseca

A Dama do Cine Shanghai (A Dama do Cine Shanghai, 1987) – Guilherme de Almeida Prado

Ilha das Flores (Ilha das Flores, 1989) – Jorge Furtado

Ação Entre Amigos (Ação Entre Amigos, 1998) – Beto Brant

Serras da Desordem (Serras da Desordem, 2006) – Andrea Tonacci

O Bebê de Tarlatana Rosa (O Bebê de Tarlatana Rosa, 2011) – Renato Jevoux

Sangue Azul (Sangue Azul, 2014) – Lírio Ferreira

A História Da Eternidade (A História Da Eternidade, 2014) – Camilo Cavalcante

Equador

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Há pouco mais de cinco anos o cinema equatoriano começou a aparecer. Antes disso, de 1980 a 2005, a produção cinematográfica do país foi de 12 longas. Fazer cinema era considerado um luxo e foi preciso uma ajudinha do governo para incentivar a formação de profissionais da área audiovisual. A criação do Conselho Nacional de Cinematografia já rende seus primeiros frutos e muitos filmes foram premiados em festivais internacionais.

Um dos fatores mais importantes para o aumento da produção local foi a crescente presença de público. Desde 2010, a audiência nas salas de cinema é tão impressionante que os filmes equatorianos fazem mais sucesso que os americanos. O segredo? Existem boas histórias e gente que quer conhece-las.

Aqui vão 15 bons exemplos do que o cinema equatoriano anda aprontando:

Los Hieleros del Chimborazo  (Los Hieleros del Chimborazo, 1980) – Gustavo Guayasamín & Igor Guayasamín

La tigra (La tigra, 1990) – Camilo Luzuriaga

Sensaciones (Sensaciones, 1991) – Juan Esteban Cordero & Viviana Cordero

Ratazanas, Ratos e Ladrões (Ratas, ratones, rateros, 1999) – Sebastián Cordero

Crônicas (Crónicas, 2004) – Sebastián Cordero

Esas no son penas (Esas no son penas, 2005) – Daniel Andrade & Anahí Hoeneisen

Cuando me toque a mi (Cuando me toque a mi, 2006) – Víctor Arregui

A que distância (Qué tan lejos, 2006) – Tania Hermida

Prometeo Deportado (Prometeo Deportado, 2009) – Fernando Mieles

Los canallas (Los canallas, 2009) – Ana Cristina Franco

Atrás de ti  (A tus espaldas, 2011) – Tito Jara

Com o Meu Coração em Yambo (Con Mi Corazón En Yambo, 2011) – María Fernanda Restrepo

Melhor Não Falar de Certas Cosas (Mejor no hablar de ciertas cosas, 2012) – Javier Andrade

Sin otoño, sin primavera (Sin otoño, sin primavera, 2012) – Iván Mora Manzano

Silencio en la tierra de los sueños (Silencio en la tierra de los sueños, 2013) –  Tito Molina

Haiti

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Até os anos 50, a produção de cinema do Haiti se limitava a imagens amadoras de agricultura. Os filmes exibidos nas salas de cinema de Porto Príncipe eram faroestes americanos e, posteriormente, filmes de artes marciais feitos em Hong Kong.

Nos 28 anos em que o ditador Duvalier esteve no poder, apenas 3 filmes foram produzidos: “Map paly net” (1976), de Raphael Stines, “Olivia” (1977), de Bob Lemoine e “Anita” (1980), de Rasul Labuchin. Depois do terremoto que quase destruiu o país, em 2010, o Haiti começou sua reconstrução. E o cinema também seguiu essa tendência, embora ainda tenha muito pela frente.

Achar 15 filmes haitianos não foi tarefa fácil. Especialmente porque já vi filmagens de churrasco de família de melhor qualidade. Mas, enfim, vamos dar um desconto porque eles ainda estão engatinhando nesse negócio de cinema.

Lumumba – (Lumumba, 2000) – Raoul Peck

La peur d’aimer (La peur d’aimer, 2000) – Reginald Lubin

Barikad (Barikad, 2001) –  Richard Senecal

I love you Anne (I love you Anne, 2003) –  Richard Senecal

V.I.P. (V.I.P., 2004) – Reginald Lubin

Le miracle de la foi (Le miracle de la foi, 2005) –  Jean-Gardy Bien-Aimé

Pluie D’espoir (Pluie D’espoir, 2005) – Jacques Roc

Cousines (Cousines, 2006) –  Richard Senecal

Gason Makoklen (Gason Makoklen, 2006) –  Wilfort Estimable

Show Kola (Show Kola, 2008) – Richard J. Arens

Stones in the Sun (Stones in the Sun,2012) – Patricia Benoit

Meurtre à Pacot (Meurtre à Pacot, 2014) – Raoul Peck

Lakay (Lakay, 2014) –  Tirf Alexius

Dancing in the shadow of Love (Dancing in the shadow of Love, 2014) –  Tutu Demosthene

La Belle Vie: The Good Life (La Belle Vie: The Good Life, 2015) – Rachelle Salnave

Peru

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Do cinema político dos anos 70 ao novo cinema peruano, grandes mudanças surgiram nas últimas 4 décadas. A Ley de la Cinematografía Peruana talvez tenha sido a única coisa decente que Alberto Fujimori fez durante seu governo. Ela impulsionou a produção de filmes no país. Atualmente, a média de filmes produzidos no Peru chega a 12 por ano. Com produções cada vez mais bem feitas, os filmes peruanos tem conquistado admiradores e vencido alguns festivais importantes pelo caminho, como é o caso de “A Teta assustada” de Claudia Llosa que levou o Urso de Ouro no festival de Berlim.

A geração surgida nos anos 90 tem identidade, estilo próprio e dá prioridade a temas que mostrem a realidade local. O novo cinema peruano também busca um ajuste de contas com a história e não deixa de lado temas como os ‘anos de chumbo’, os movimentos revolucionários, especialmente o Sendero Luminoso e o Túpac Amaru, e a cultura andina. Até os filmes românticos mostram uma atitude política.

O cinema peruano é diferente e por isso vale a pena ser conhecido. Aqui estão 15 dicas para quem ficou curioso:

En la selva no hay estrellas (En la selva no hay estrellas, 1967) – Armando Robles Godoy

Gregorio (Gregorio, 1982) – Fernando Espinoza

La boca del lobo (La boca del lobo, 1988) –  Francisco J. Lombardi

Juliana (Juliana, 1989) – Fernando Espinoza & Alejandro Legaspi

Alias ‘La Gringa’ (Alias ‘La Gringa’, 1991) – Alberto Durant

Reportaje a la muerte (Reportaje a la muerte, 1993) – Danny Gavidia

Pantaleão e as Visitadoras (Pantaleón y Las Visitadoras, 2000) – Francisco J. Lombardi

Paloma de papel (Paloma de papel, 2003) – Fabrizio Aguilar

Días de Santiago (Días de Santiago, 2004) –  Josué Méndez

A Teta Assustada (La Teta Asustada, 2009) – Claudia Llosa

Contra Corrente (Contracorriente, 2009) – Javier Fuentes-León

Las malas intenciones (Las malas intenciones, 2011) – Rosario Garcia-Montero

Chicama (Chicama, 2013) – Omar Forero

El Evangelio de la Carne (El Evangelio de la Carne, 2014) – Eduardo Mendoza de Echave

NN (NN, 2015) –  Héctor Gálvez

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