Real conquista a Europa pela 11ª vez no maior clássico de Madrid

Real Madrid v Club Atletico de Madrid - UEFA Champions League Final
Foto: Uefa

Clássico madrilenho começou fraco, mas trouxe fortes emoções na segunda etapa, quando o Atlético buscou o empate contra o Real. Liga dos Campeões foi decidida nos pênaltis, com o erro crucial de Juanfran para entregar a 11ª taça europeia da história dos merengues.

Não foi a final que queríamos ver, mas Real Madrid e Atlético fizeram um jogo que teve momentos cruciais e discutíveis. A começar pelo gol irregular dos madridistas com Sergio Ramos, a partida foi cercada de decisões equivocadas da arbitragem.

Mas não é a arbitragem que detém o protagonismo do clássico madrilenho em Milão. Em um confronto disputado, com inversão de papeis ao longo dos 90 minutos, vimos o Atlético começar falhando na sua proposta defensiva e o Real impôr uma superioridade técnica que nos últimos anos não tem sido demonstrada nos jogos contra o rival.

Sergio Ramos, impedido, abriu o placar. A defensiva atleticana deu mole algumas vezes e quase foi punida com outros gols merengues. Depois de apertar por metade do primeiro tempo, o Real se fechou e deu a bola ao Atlético, em uma decisão corajosa por parte de Zidane. Será que seria uma boa alternativa deixar um time que contra-ataca tão bem tomar as decisões? Até os 33 do segundo tempo, era um acerto.

Mas o Atlético, em toda a sua raça e determinação, jamais iria se entregar em um jogo tão favorável quanto esse. Se o Real não queria ganhar, que os rivais aproveitassem. Um penal em Torres ameaçou igualar a questão no San Siro, mas Griezmann exagerou na força e acertou o travessão. Em uma vingança quase perfeita por 2014, o Atlético seguiu em cima para fazer o gol.

Foto: Uefa
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De tantos erros, o Atlético parecia destinado a sofrer outra vez. As finalizações passavam rentes à trave de Navas, os chutes saíam sem aquele algo a mais para balançar a rede. Era sorte a separar o Atlético do empate. Pois Gabi, o capitão colchonero que se mostrou a alma do time em campo, armou a jogada que mudou o destino do dérbi: com um bolão para Juanfran, por cima da defesa, o meia permitiu uma trama bem arquitetada que resultou em gol de Carrasco, o talismã de Simeone. O belga entrou na área pela porta da frente, acompanhado por Lucas Vázquez e cutucou para o fundo da rede.

A esta altura, o Real estava contente com a defesa. E quando atacava, esbarrava em um gigante Oblak e na dupla sempre firme entre Godín e Savic. A chance perdida por Bale, aliás, sem goleiro, desencadeou na descida que originou o gol de empate do Atleti. O que estava se desenhando desde a volta do intervalo tomou cores e inflamou um duelo que estava um tanto quanto morno. Pelo bem da competição, tivemos minutos finais empolgantes, honrando tudo que estava em jogo.

O Atlético ganhou um contragolpe no último minuto e Carrasco ia fazendo um golaço, mas Sergio Ramos chegou em carrinho por trás no belga, matando a jogada. O juiz só deu amarelo e pouco depois encerrou a partida. Ou seja: além do gol irregular, a arbitragem deixou de expulsar Ramos em um lance pra lá de claro e passível de cartão vermelho.

Na prorrogação, quem pensou que os dois times iriam se guardar, acertou. O Atlético voltou animado e deu trabalho para o oponente, visivelmente cansado e sem poder fazer alterações. Com Ronaldo sumido, Kroos substituído na segunda etapa sem ter participado e Bale esgotado, o jogo virou totalmente para os de Simeone, que souberam ter paciência para esperar a hora de atacar.

Os atleticanos aprenderam a lição de 2014, definitivamente. Tiveram paciência, não sentaram em cima de um placar e mereceram demais vencer a final, mas chegaram ao limite físico. Enquanto os colchoneros tinham fôlego e pernas de sobra, o Real caía a cada lance com dores musculares e caras de sofrimento.

Os 30 minutos finais foram muito aquém, até mesmo porque o cansaço madridista se encaixou com a cautela atleticana. Como ninguém quis fazer gol, as penalidades foram necessárias para conhecermos o campeão. Só pelo que tinha feito com a bola rolando, o Atlético merecia ser vencedor, até porque conseguiu superar os erros de arbitragem repetidos para seus adversários.

Foto: Uefa
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Mas na crueldade do esporte, o Real se sagrou campeão pela 11ª vez, graças a um erro de Juanfran, que acertou a trave. Cristiano Ronaldo, que estava desaparecido, bateu o último penal com a qualidade que se sabe que ele tem. Desta vez, a revanche terminou com um gostinho de quem passou muito mais perto da taça. No detalhe, na disputa que sempre consagra mais quem tem a cabeça no lugar, o Real venceu e castigou o Atlético, em sua terceira final perdida na competição.

Talvez seja uma das finais em que podemos questionar o merecimento do vencedor. O Atlético foi muito mais incisivo e se tivesse vencido ainda nos 90 minutos, não seria nenhum absurdo. Não que o Real seja um time desorganizado ou que jogue pouco. Mas hoje, exclusivamente neste 28 de maio, o Atlético carregou o sonho até o último suspiro, em uma caminhada que se lembrará por muito tempo.

A Liga dos Campeões se rende mais uma vez à magia de Zidane, que do banco, foi o último pilar de calma do Real Madrid. Sergio Ramos fez a sua parte, mas deveria ter sido expulso, Ronaldo não chamou protagonismo e Bale correu demais sem a bola, mais do que conseguiria. Vence o maior da Europa, mais uma vez. A esperança de vermos algo diferente é que cai morta perto da orla, depois de tanto nadar.

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Foto: Uefa

Real Madrid 1-1 Atlético (5-3 nos pênaltis)

28 de maio, San Siro, Milão
Final da Liga dos Campeões
Gols: Sergio Ramos, 15, 1T; Carrasco, 34, 2T

Real Madrid: Navas, Pepe, Ramos, Carvajal (Danilo), Marcelo, Casemiro, Kroos (Isco), Modric, Bale, Cristiano Ronaldo e Benzema (Lucas Vázquez). Técnico: Zinedine Zidane

Atlético de Madrid: Oblak, Savic, Godín, Juanfran, Filipe Luís (Lucas Hernández), Gabi, Koke (Partey), Saúl Ñíguez, Augusto Fernández (Carrasco), Griezmann e Torres. Técnico: Diego Simeone

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