Noite de Libertadores: Independiente supera mais um obstáculo

Pumas x Del Valle

Pumas amassou o Independiente Del Valle na primeira etapa e ficou perto da classificação para as semifinais da Libertadores, mas um vacilo na segunda etapa colocou os equatorianos de volta na parada. Nos pênaltis, herói do tempo normal caiu em desgraça e viu os visitantes fazerem a festa.

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O futebol recente tornou o critério do gol fora de casa como desempate em uma grande canalhice, daquelas que arruínam boas histórias com um lance fortuito que vale ouro no agregado. Mas ao contrário do que se acredita sobre esta forma de decidir uma partida de mata-mata, Pumas e Independiente Del Valle fizeram um confronto essencialmente morno, mas que ficou interessante a partir do momento em que os equatorianos fizeram o gol que igualava o placar geral.

Na ida, um 2-1 justo deixou o confronto aberto para a revanche na Cidade do México. O Independiente poderia ter matado o rival em seus domínios, mas deu uma fresta de esperança para que os mexicanos continuassem vivos na competição. Pois o gesto de generosidade por parte dos negriazules foi retribuído pelo Pumas neste embate: Sosa apareceu como um raio e cablam, marcou duas vezes em três minutos para encaminhar a classificação ao seu clube.

Quer dizer, aos 18 minutos do primeiro tempo já se sabia que em condições naturais de tempo e pressão, os donos da casa levariam a classificação, visto que conseguiam a vantagem necessária. E assim tivemos outro arrastado capítulo de um jogo morno, ainda mais desinteressante do que a proposta de semana passada.

Mas o intervalo, a expulsão de Ayala, a oxigenação das cabeças equatorianas e até mesmo o desespero da caravana de Sangolquí alteraram o panorama do jogo por completo. Calma, já chegamos lá, uma coisa por vez.

A partida estava fácil para o Pumas, que explorava a defensiva do Independiente e não fazia nunca o terceiro, para acabar de vez com a disputa. O goleirão Azcona sofreu horrores para suster a pressão e os chutes em direção ao seu gol. A zaga tentou manter a compostura e os mexicanos aos poucos se acomodavam em cima do placar. Eis que Ayala, o bandido da noite pelo Del Valle, entrou de sola no meio da perna de Sosa, quase quebrando um dos instrumentos de trabalho do oponente. Foi expulso sem conversa pelo árbitro, com enorme justiça. Fosse detido ainda no gramado, ninguém reclamaria. Entrada desleal e passível de prisão.

Com um a menos, o selecionado de Pablo Repetto resolveu arregaçar as manguinhas para fazer seu jogo. E aí as coisas finalmente esquentaram de vez. Ataque após ataque, uma bola caiu na área mexicana, Sornoza meteu o pé para desviar e venceu o goleirão Palacios. Estava instaurado o drama na Cidade do México.

Foram muitas as ocasiões em que o Pumas esteve na área do rival buscando o gol da salvação, mas Azcona cresceu em situação adversa e salvou as principais chances dos donos da casa. Angulo, diferentemente dos jogos anteriores, foi mal no ataque, nem apareceu e quando teve a oportunidade diante dos olhos, fez bobagem e abusou do preciosismo. O tempo normal se esgotou e os times foram obrigados a decidir a questão nas penalidades, do jeito que o povo gosta e clama.

Sosa, o vilão inesperado da noite
Sosa, o vilão inesperado da noite

Loteria ou não, aquela coisa toda de desespero, consagração e desgraça absoluta, os tiros fatais entre Pumas e Independiente Del Valle trataram de contar uma história à parte do que vimos nos 90 minutos. O quase-herói Sosa foi ao inferno por bater mal, de forma telegrafada, para a defesa de Azcona, que na cobrança anterior chegou a relar os dedos no chute de Ludueña. Os dois gols de Sosa no tempo normal não serviram de consolo ao pobre meia, que saiu inconsolável de campo.

Para encerrar a série e classificar o Independiente para as semifinais pela primeira vez na história da Libertadores, o zagueirão Mina bateu sério, no canto alto direito e eliminou o Pumas. Equatorianos avançam para pegar o Boca Juniors, que não pode jamais subestimar a determinação deste grupo valioso do Del Valle, comandado por Repetto.

Em um momento tão complicado para o povo do Equador, um pouco de alegria para seguir em frente: agora é o imortal Independiente que chega com moral entre os quatro melhores da competição. Já é o adorável azarão deste ano. Outra zebra na próxima fase pode ser um sinal gritante de que estamos testemunhando mais um lindo enredo de superação daqueles que nunca figuram entre os candidatos ao título.

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