Noite de Libertadores: Não se pode renunciar por completo ao jogo

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Atlético Nacional consegue virada maluca contra o Rosario Central e vence batalha campal contra os argentinos, que estavam classificados até os 50 do segundo tempo. Expulsões deram o tom do nervosismo em campo.

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Medellín pegava fogo quando os primeiros minutos de Atlético Nacional e Rosario Central rolaram. Torcida gritando e fazendo a trilha sonora nos arredores do estádio Atanasio Girardot, times fazendo seus primeiros movimentos em campo para a decisão da vaga nas semifinais da Libertadores. Era aquela alegria, aquela irreverência característica do povo colombiano, que sabe como fazer uma festa.

O salão para o festejo estava pronto, bonito, pulsando para o encontro com o Central. Ali, começava o segundo capítulo de um confronto duríssimo entre duas das mais encantadoras equipes que pisaram nos gramados desta edição da Libertadores. Adrenalina, corações acelerados e ansiedade. Copete, atrapalhado, tentava desarmar um adversário no canto direito da sua área quando tropicou, caiu e botou uma vez o braço na bola. Enquanto tentava desesperadamente se agarrar na cintura de Salazar, o meia caiu e repetiu o gesto de levar a mão à pelota, só para que o pênalti fosse marcado sem dúvida pelo árbitro da partida. Marco Rubén não vacilou e botou na rede.

Quem pensou que o duelo estava resolvido subestimou completamente o espírito do torneio e o próprio Atlético. (Este que vos escreve está entre os que subestimaram, diga-se.) O gol do Central foi o estopim para atitudes destemperadas por parte do Nacional, que atacou bastante, mas de forma desordenada. Bastou que o veteraníssimo Macnelly Torres assumisse o papel de protagonista que as coisas começaram a virar para os Verdolagas. Na conta do chá do primeiro tempo, o meia e camisa 10 empatou a partida, dando moral aos colombianos para a segunda etapa.

Guerra Atletico Nacional
Guerra, autor do segundo gol dos Verdolagas

E como desgraça é pouca para o Central, que trocou de papel e se viu intimidado e perdido em campo, Guerra virou para os donos da casa. De repente, a postura acomodada e um tanto arrogante dos argentinos se virou contra eles. Pelos cortes de câmera da transmissão, era possível ver o técnico Eduardo Coudet prestes a assassinar um dos seus. Ora bolas, fizeram tudo certo até aquele momento e de repente resolveram sentar em cima da vantagem? O agregado estava empatado, mas o Central continuava se classificando pelo gol marcado longe de seus domínios, naquele pênalti atroz marcado em infração de Copete.

Desde o primeiro segundo que a bola rolou para a etapa complementar, o Atlético amassou para fazer seu placar. Exceto uma bola na trave de Rubén, que seria nada mais que uma vadiagem premiada, os colombianos mereceram sair de campo vencedores e classificados. Talvez a postura esnobe dos canallas fosse tão inapropriada que causou cegueira, impediu de raciocinar com calma e buscar o gol da segurança.

Sufoco e porradas bem calculadas do Nacional estouraram o resto da dinamite que havia para transformar a partida em um conflito civil entre dois países, ao menos era o que se podia sentir a cada carrinho, a cada empurrão e tranco trocado entre os jogadores. A coisa ficou tão bélica que em atendimento a um dos canallas, o médico do Central entrou em campo para falar poucas e boas para o juiz, por ter autorizado o reinício da partida sem o lesionado Burgos. Aí foi a senha para mais bate-boca, confusão, cutuca daqui e cutuca de lá.

Berrio, o salvador da noite em Medellín
Berrio, o salvador da noite em Medellín

Burgos, que mal conseguia parar em pé, acabou expulso por cometer uma falta pertinho da área e deu a senha para momentos ainda mais cabulosos. O Nacional jogou fora e o Central armou um contragolpe venenoso que achou Rubén lá na frente. O capitão teve a chance de entrar na área, de cara para o goleiro, mas preferiu fazer o passe ao invés de marcar o gol, lembrando a Lei de John McClane. A punição divina aos canallas veio no minuto seguinte, graças a Berrio, que pegou uma bola safada antecipando Sosa para mandar às redes: 3-1. Estava consumado o crime. De classificado a eliminado em um lance bobo e de preciosismo, o Central caiu na própria armadilha.

Eram 50 minutos quando o quebra-pau tomou conta do campo. Berrio provocou o goleiro Sosa e levou uma patada de Musto. Curiosamente, só o colombiano foi expulso pelo lance, por ter se comportado de forma anti-desportiva. Até um dos gandulas apareceu para dar um safanão em Musto, que saiu impune. Quer dizer, impune, mas eliminado da competição. O juizão deu dois minutos extras para compensar a parada, mas não havia necessidade de mais jogo, o milagre estava completo. Como manda o almanaque da Libertadores, a comemoração dos Verdolagas quase foi abafada por reações violentas do Central, que já não tinha mais nada a perder e partiu para a porrada.

A história mais incrível desta fase, até aqui, consagra os colombianos, que vão enfrentar o São Paulo com a faca entre os dentes na semifinal. Melhor assim, para elevar o nível de competição. Pelo que apresentou hoje, o Central esqueceu completamente das suas qualidades e cai com justiça perante este elétrico selecionado de Reinaldo Rueda. A insanidade está só começando, meus amigos.

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