Noite de Libertadores: Orión, o grande herói de um baita jogo

Orión Boca

Boca Juniors supera próprias limitações na noite e elimina o Nacional nos pênaltis para avançar às semifinais da Libertadores. Equipe argentina começou muito mal, mas buscou um empate suado para vencer nos penais com ajuda de seu goleiro Orión, o destaque da noite. 

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Para começar uma maravilhosa rodada dupla, Boca Juniors e Nacional fizeram um jogo que não deixou a desejar na emoção, em La Bombonera. A igualdade técnica e a capacidade dos uruguaios em se defender deu um toque especial ao jogo. Para quem gosta desse negócio de comparar tradição: o Boca tem seis e o Nacional tem três títulos na Copa Libertadores. Sabendo disso, vamos ao que realmente interessa.

Não foi questão de tradição ou de grandeza. Não mesmo. O Nacional sofreu para lidar com o bombardeio xeneize e o goleirão Conde salvou o que poderiam ter sido pelo menos dois gols do time da casa. Foi uma partida franca, em que a única saída era vencer para os argentinos. Mesmo porque é difícil imaginar este time de Guillermo Barros Schelotto jogando por um empate sem gols. Aos poucos, foi possível notar que os mandantes não estavam tão inspirados no ataque e o estilo agressivo de Tévez não apareceu como se esperava.

Para punir a sonolência dos homens de articulação do Boca, um contragolpe uruguaio provou-se fatal. Um passe que iria cruzar a área foi de encontro aos pés de Cata Díaz, capitão boquense, que desviou para as próprias redes e venceu Orión. O Boca sentiu o gol e por algum tempo minguou em campo, para desespero de sua tão eufórica e fiel torcida.

A voz que ecoava na Bombonera empurrava os de azul y oro ao ataque. A serenata dos renascidos esquentou o clima e fez o disperso selecionado de Schelotto cair em si para notar a importância do combate. E para complicar ainda mais a missão, a obrigação era fazer um gol. Ou o inferno os esperaria ao trilhar do apito final do careca Héber Roberto Lopes.

O goleiro Conde e a dupla de zaga Victorino-Polenta foram os principais pilares do time visitante na noite. Mais preocupado em administrar a sua vitória e exercer a sua hipnotizante estratégia de afastar o perigo da área, o Nacional de Eduardo Munúa seguiu a mesma receita dos últimos jogos para obter êxito. Gastou a bola o quanto podia, de vez em quando levava algum perigo, mas quase sempre dava a pelota ao Boca para medir a força da mordida que receberia. Numa dessas, Pavón apareceu na ponta direita, livre, e mirou uma finalização bem no cantinho, vencendo o camisa 1 charrua. Gol do Boca, incendiando de vez o seu povo.

Pavón

O problema é que em meio a tanta vibração ensandecida, como deve ser, Pavón se deixou levar e foi punido com o cartão amarelo por tirar a camisa em sua comemoração. Como já tinha cartão, foi expulso e recebeu consolo do juizão, que chegou no seu cangote e disse algo como “pô, menino, não tinha o que fazer, tá na regra, foi mal, vai lá, não fica triste não“. Foi a maior broxada em La Bombonera desde o gol de Romarinho na final de 2012 deste mesmo torneio.

Contudo, a batalha não se restringiu aos míseros dois gols. E não porque o confronto estivesse tedioso, mas porque a injustiça não quis se meter neste jogo, dando a vitória a alguém que não a merecesse por completo. Desta forma, na pinta dos 45, Héber apitou e abriu as cortinas para o pesadelo de todo envolvido no mata-mata: as penalidades. Deu até para sentir que o Nacional queria decidir tudo na marca da cal, já que os seus atacantes não estavam em noite tão iluminada assim.

Quis uma doce reviravolta da Libertadores que o goleiro Conde começasse se consagrando ao pegar dois pênaltis do Boca. Mas a trama adensou e Orión repetiu o feito do colega de posição, agarrando dois chutes também, somando quatro defesas seguidas. Tivemos também, antes disso, o pênalti de Fernández, pelo Nacional, um desatino de cavadinha. Foi o último chute certo dos uruguaios. Pérez, que foi muito mal e Insaurralde, pelo Boca, desperdiçaram suas cobranças. Veio então o momento febril das séries alternadas, onde Carballo errou feio e chutou no meio do gol, facilitando uma defesa de certa forma manca de Orión, que deixou o Boca em vantagem.

Coube a Carrizo fazer o gol que colocou os xeneizes na semifinal, do jeito que a galera gosta: num enredo dramático com vários plot twists, baldes de água fria e reações furiosas da massa local. E assim se vai mais um time que tanto dificultou a vida dos rivais e já ia derrubando outro favorito. O Nacional pode se orgulhar de uma grande campanha, mesmo sem estar entre os mais bem cotados para o título. O Boca, por sua vez, cresce diante da adversidade e mostra por que é tão temido quando entra em campo.

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