Noite de Libertadores: A volta do São Paulo cascudo

São Paulo x Atlético

Partidaço entre Atlético Mineiro e São Paulo no Independência termina com vitória atleticana e classificação tricolor. Perfil cascudo do time de Edgardo Bauza fez a diferença e neutralizou a loucura ofensiva do Galo. Só resta um brasileiro na Libertadores e ele reside no Morumbi.

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Em uma noite que o futebol ofensivo quase venceu, Atlético Mineiro e São Paulo duelaram e deixaram tudo no gramado do Independência. Um jogo intenso, sem tempo para respirar, um duelo de duas equipes que descobriram uma veia competitiva nesta quarta-feira em Belo Horizonte.

Aparentemente, esta foi a definição perfeita do que conhecemos como jogão: a batalha franca e destemida pela vitória ou pelo resultado desejado. Ao longo de 90 elétricos minutos, o Atlético controlou as ações na maior parte do tempo, mas também sofreu bastante para se ver livre dos golpes do São Paulo.

O primeiro gol da noite veio com Cazares, em trama ligeira pela direita. O goleiro Dênis espalmou e o equatoriano pegou o rebote, contando com muito azar do tricolor, que empurrou para dentro da própria rede com as pernas. Cinco minutos depois, Carlos completou de cabeça um cruzamento exímio vindo de Douglas, dando ao Galo o que precisava para avançar. Tudo parecia resolvido com uma raiva assustadora até mesmo para este Atlético, notório brigador como se viu no jogo de ida.

Mas o São Paulo não estava morto. Maicon testou a bola em um escanteio bem batido por Kelvin e diminuiu, virando a situação a favor dos paulistas. A partir deste lance, vimos algumas chances que colocaram a capacidade cardíaca dos torcedores visitantes à prova. E por alguns momentos, o time de Edgardo Bauza mereceu o empate.

Um tanto quanto rendido, o Atlético se viu desesperado atrás do terceiro para enfim poder respirar com tranquilidade e colocar a bola no chão. O plano não dava certo , irritando Diego Aguirre a cada passe mal feito e no mau posicionamento dos meias e atacantes em relação aos defensores são paulinos. Por falar em defesa do Tricolor, Maicon estava simplesmente implacável, apesar de ter cometido falta tola em Victor no primeiro tempo e levar um cartão amarelo por isso. No geral, o camisa 27 de Bauza foi um pilar de segurança no meio da zaga.

Aquela mística empurrada pela coragem atleticana que nós conhecemos tão bem faltou neste jogo. Quando precisava colocar fogo na bomba, o Galo balançava e declinava, mesmo com o apoio tão sonoro de sua massa nas arquibancadas. Já o São Paulo, fez o inverso: soube a hora de esfriar o adversário com jogadas mais lentas e trabalhadas para explorar o nervosismo alvinegro.

Os do Morumbi faziam o tempo passar com inteligência, tentando ao máximo ficar com a bola. Pressionado a cada minuto por um cruzamento ou por uma entrada na área, o Atlético quase cometeu o crime em jogadaça de Clayton, que segurou a pelota com malícia e se desvencilhou da marcação, mas bateu ao lado da meta de Denis. Mas não pense que depois disso o time da casa foi tomado pelo desânimo. Mesmo precisando correr atrás do resultado, o Galo procurou o jogo que lhe fez chegar até esta fase, com passes e sobreposições rápidas nos espaços vazios deixados pela marcação do rival.

A torcida não estava nem um pouco paciente. Muito pelo contrário. Uns choravam, outros torciam a camisa, houve quem roesse os dedos até a carne viva, tamanha tensão. Assim que é ser Galo, pelo visto. Uma mistura de loucura com a inconsequência de quem não tem certeza se viverá o amanhã. De repente, a luta atleticana passou a ser contra mais um duro opositor: o relógio. Não havia tempo para elaborar meticulosamente a estratégia de ataque, só se podia ir ao campo deles com o coração e o resto de sanidade que ainda sobrava.

O famoso “Eu Acredito” apareceu outra vez, lá pelos 40, como último recurso para incendiar o ânimo dos que estavam em campo. O mantra que abraçou o time de 2013 na Libertadores, em uma campanha insana e infartante. Hoje não houve apagão dos refletores, nem estratégias varzeanas para deter o São Paulo. Muito menos agradecimento a entidades divinas que pudessem alterar o destino da eliminatória.

Tudo o que aconteceu nos 90 minutos de combate foi justo e na bola. E este embate também tratou de mostrar quem é o mais cascudo dos brasileiros, o que sobrevive para integrar o grupo dos quatro melhores da América neste ano: o São Paulo. Agora não há gritaria que faça os do Morumbi recuarem. É tudo ou nada.

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