A história da Liga Europa escrita em branco e vermelho pelo Sevilla

Foto: UEFA
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Sevilla consegue remontada histórica contra o Liverpool e se consagra como tricampeão da Liga Europa. Tradição dos Reds não entrou em campo e espanhóis chegam ao quinto título na competição.

O sonho dos torcedores do Liverpool em recuperar uma das coroas da Europa nesta quarta-feira foi pelo ralo na Basileia. Jogando apenas 45 dos 90 minutos, a equipe inglesa falhou em interromper o domínio do Sevilla na Liga Europa e volta para casa com uma derrota retumbante.

O placar não foi elástico e nem representa um massacre. Mas certamente enterra por agora a crença de que em uma final europeia, os Reds fazem valer as oito taças continentais conquistadas em sua história. Aquela coisa de “camisa que entorta varal” e “tradição”, entre outros chavões que adoramos repetir, não se fez presente na final de 2016 da Liga Europa. Para a desolação dos vermelhos que esperavam o fim da fila internacional que já dura 11 anos, o Sevilla se recuperou em campo e foi buscar uma virada que explica por que é que este time se dá tão bem na competição.

Vamos falar de arbitragem? Vamos. O Liverpool teve duas bolas na mão de adversários não marcadas dentro da área. Uma delas acabou passando despercebida porque Firmino se atirou para cavar o pênalti. Talvez a necessidade de ludibriar do brasileiro tenha sido a razão para que os ingleses não fossem para o intervalo com 2-0 no placar.

O primeiro gol foi uma maravilha. Sturridge ajeitou a bola com nojo e meteu de esquerda em uma trivela que beijou o barbante da meta de Soria. Depois disso, o Liverpool amassou os rivais e tentou aumentar o dano. Desnortear um adversário ainda no primeiro tempo é uma forma de encaminhar a vitória, desestabilizar o emocional alheio. Mas os Reds de Jürgen Klopp só cercaram, deixando apenas em um gol a margem em relação aos rojiblancos.

Foto: UEFA
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O Liverpool mal teve tempo de arrumar o uniforme para o começo da segunda etapa e o Sevilla já estava em pé de igualdade, com alguns segundos de jogo. Dificilmente iremos esquecer o rolinho de Mariano em Alberto Moreno na ponta direita da retaguarda inglesa. O lateral brasileiro ainda deu um passe rasteiro com açúcar para o francês Gameiro empurrar para a rede. Depois disso, só deu Sevilla e o Liverpool se perdeu em um lento pesadelo, sem poder correr e nem se defender dos golpes impiedosos da frente espanhola.

Daí foi a vez do capitão Coke tomar para si o protagonismo da final na Suíça. Com dois gols, o camisa 23 fez o que o Liverpool tentava fazer na primeira metade: dar o tiro de misericórdia para ficar com a taça. Os Reds cometeram um erro que todo vilão de filme de ação comete quando tem a chance de matar o mocinho. Em vez de disparar o gatilho com um tiro na cabeça e assim liquidar o inimigo, o bandido prefere fazer um discurso ruim ou permitir que a vítima diga suas últimas palavras, o que quase sempre permite que alguém apareça para salvar-lhe a vida ou até mesmo se livrar das amarras. Podemos chamar esta passagem de “Lei de John McClane”, em alusão ao filme “Duro de Matar”, estrelado por Bruce Willis.

Em uma conjuntura que Hans Gruber conseguisse matar John McClane, toda a franquia teria de ser revista e o nome dela provavelmente se converteria em “Nem Tão Duro de Matar Assim”, parando já no primeiro filme. Ainda bem que Hans falhou em seu plano maléfico. Fica a lição para o Liverpool: quando a chance de acabar com um rival aparecer, é melhor aproveitá-la.

Para o Sevilla, mais glória, uma nova coroa de louros. O tricampeonato consecutivo, igualando o Bayern de Munique, último vencedor de uma competição da Uefa em uma série de três, de 1974 a 1976. E se o próprio Liverpool quiser imitar este feito, precisa primeiro penar no Inglês para voltar a este torneio e assim quem sabe vencer mais duas edições, algo que parece um tanto quanto fora dos planos por agora. Mesmo porque, com Klopp, a intenção é estar novamente na Liga dos Campeões.

Esportivamente falando, já está na hora do campeão mudar. A Liga Europa já não atrai tanta atenção assim e é pior ainda se todos souberem de antemão que o vencedor será o Sevilla. Mas uma coisa é fato: não se pode chamar mais os rojiblancos de “time pequeno”. Alguém que ganha três finais europeias em sequência e em uma delas batendo um legítimo gigante do continente merece muito mais respeito.

Foto: UEFA
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Sevilla 3-1 Liverpool

18 de maio de 2016, St. Jakob Park, Basileia
Final da Liga Europa
Gols: Sturridge, 35′ 1T; Gameiro, 2′ 2T; Coke, 18′ e 25′ 2T

Sevilla: Soria, Carriço, Rami (Kolodziejczak), Escudero, Mariano, Krychowiak, N’Zonzi, Coke, Banega (Cristóforo), Vitolo e Gameiro (Iborra). Técnico: Unai Emery

Liverpool: Mignolet, Touré (Benteke), Lovren, Alberto Moreno, Clyne, Emre Can, Milner, Philippe Coutinho, Lallana (Allen), Firmino (Origi) e Sturridge. Técnico: Jürgen Klopp

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