Pequeno guia cinematográfico da Copa América, parte I

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Os franceses inventaram o cinema, os ingleses inventaram o futebol e nós, os americanos do Sul, do centro e do norte, adaptamos e aperfeiçoamos as duas coisas. O melhor jogador do mundo é argentino, a seleção que levantou mais Copas do Mundo é a brasileira, o país que produz os filmes mais caros são os Estados Unidos  e os últimos 4 Oscars foram para o México. O que esses 4 países tem em comum? Todos estarão na Copa América!

Não temos a pretensão de fazer o maior, o mais forte, o mais rápido nem o mais completo guia cinematográfico do cinema das Américas. Mas podemos escolher alguns filmes que você, certamente, deveria assistir para entrar no clima da competição.

Esta é nossa lista. Você pode discordar educadamente e deixar o seu Top 10 nos comentários. Avisamos na largada que este é um ‘pequeno guia’, então, não espere ver aqui todos os filmes já feitos. Escolhemos alguns, deixamos muitos outros de fora. É a vida. Pegue a sua pipoca e nos acompanhe em mais uma viagem. Começamos essa jornada com Estados Unidos, Colômbia, Costa Rica e Paraguai. E vem mais por aí…

Estados Unidos

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Não dá pra competir com o cinemão americano e seus milhões de dólares, mas podemos buscar aquele que mais se aproxima de nós, seja no orçamento, nos roteiros criativos e na descoberta de diretores e atores que em pouco tempo serão ‘descobertos’ por Hollywood.

A maioria dos diretores que você ama –  e que não verá nesta lista, como Quentin Tarantino, Bryan Singer, Darren Aronofsky, Paul Thomas Anderson, Todd Field, David Green e Jason Reitman – começou fazendo filmes de independentes de baixo custo. Com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão – e alguns poucos dólares – esses valentes amantes da Sétima Arte nos presentearam com pequenas preciosidades.

Filme independente não passa açúcar em nenhum tema, seja violência, pobreza, solidão, preconceito, desilusão, AIDS, sexo e drogas. No cinema americano sem vilão nem mocinho, os protagonistas são gente como a gente.

Aqui vão os 20 melhores filmes independentes americanos que você pode ou não conhecer.

Shadows (Shadows, (1959) – John Cassavetes

Louca Escapada (The Sugarland Express, 1974) – Steven Spielberg

Caminhos Perigosos (Mean Streets, 1973) – Martin Scorsese

Eraserhead (Eraserhead, 1977) – David Lynch

Gosto de Sangue (Blood Simple, 1984) – Joel & Ethan Coen

Daunbailó (Down by Law, 1986) – Jim Jarmusch

sexo, mentiras e videotape (sex, lies, and videotape, 1989) – Steven Soderbergh

Simples Desejo (Simple Men, 1992) – Hal Hartley

Sem Fôlego (Blue in the face, 1995) – Paul Auster, Wayne Wang & Harvey Wang

Kids (Kids, 1995) – Larry Clark

Pura Adrenalina (Bottle Rocket, 1996) – Wes Anderson

Na Companhia de Homens (In the Company of Men, 1997) – Neil LaBute

Felicidade (Happiness, 1998) – Todd Solondz

Hedwig – Rock, Amor e Traição (Hedwig and the angry inch, 2001) – John Cameron Mitchell

Primer (Primer, 2004) – Shane Carruth

Napoleon Dynamite (Napoleon Dynamite, 2004) – Jared Hess

Inverno da Alma (Winter’s Bone, 2010) – Debra Granik

Martha Marcy May Marlene (Martha Marcy May Marlene, 2011) – Sean Durkin

Frances Ha (Frances Ha, 2011) – Noah Baumbach

O Quarto de Jack (Room, 2015) – Lenny Abrahamson

Colômbia

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Fugimos um pouco do tema do narcotráfico e focamos nos filmes com temática mais amena. (Afinal, nem tudo na Colômbia é Pablo Escobar). Mas não espere filmes alegrinhos, porque o cinema colombiano é um verdadeiro soco no estômago.

Apesar da importância da novela na cultura colombiana, o cinema vem ganhando força e produzindo filmes bastante interessantes. Alguns filmes, como “Rosario Tijeras”, fizeram tanto sucesso que viraram série de TV.

Os roteiros originais são o ponto principal, embora muitos filmes sejam adaptações de contos de Gabriel Garcia Marquez, o mais famoso filho da terra. O que não falta são temáticas sociais, que são um espelho da vida e da cultura colombianas.

Esses são nossos 20 eleitos:

Rodrigo D. No futuro (Rodrigo D. No futuro, 1990) – Víctor Gaviria

La gente de la Universal (La gente de la Universal, 1991) – Felipe Aljure

La estrategia del caracol (La estrategia del caracol, 1993) – Sergio Cabrera

Edipo Alcalde (Edipo Alcalde, 1996) – Jorge Alí Triana

La vendedora de rosas (La vendedora de rosas, 1998) – Víctor Gaviria

Os Pequenos Invisíveis (Los niños invisibles, 2001) – Lisandro Duque Naranjo

Rosario Tijeras (Rosario Tijeras, 2005) – Emilio Maillé

Satanás (Satanás, 2007) – Andrés Baiz

Bluff (Bluff, 2007) – Felipe Martínez

Paraiso Travel (Paraiso Travel, 2008) – Simon Brand

As Viagens do Vento (Los viajes del viento, 2009) – Ciro Guerra

Los colores de la montaña (Los colores de la montaña, 2010) – Carlos César Arbeláez

O Quarto Secreto (La cara oculta, 2011) – Andrés Baiz

La Lectora (La Lectora, 2012) Riccardo Gabrielli R.

La Playa DC (La Playa DC, 2012) – Juan Andrés Arango Garcia

Mateo (Mateo,2014) – Maria Gamboa

Manos sucias (Manos sucias, 2014) – Josef Kubota Wladyka

O Abraço da Serpente (El abrazo de la serpiente, 2015) – Ciro Guerra

A Terra e a Sombra (La tierra y la sombra, 2015) – César Augusto Acevedo

Las Malas Lenguas (Las malas lenguas, 2015) – Juan Paulo Laserna Arias

Costa Rica

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A Costa Rica é famosa como locação para filmes americanos, como a franquia Jurassic Park e Velozes e Furiosos 6, mas existe cinema por lá! Pouco conhecido, o cinema costa-riquenho reserva algumas agradáveis surpresas.

Nos últimos 15 anos, a produção cinematográfica do pais passou de um filme por ano para sete. Mesmo que sejam sempre os mesmos caras a dirigir os filmes, algumas mulheres tem se destacado. Os filmes da Costa Rica começaram a chamar atenção do público e da crítica e alguns foram premiados em festivais internacionais de cinema de Rotterdam, Londres e Paris. Nada mal para um lugar mais conhecido por suas paisagens que pela tradição em filmes.

Para quem ficou com vontade de conhecer, segue nossa lista de 20 filmes.

Asesinato en el Meneo (Asesinato en el Meneo, 2001) – Óscar Castillo

Mujeres apasionadas (Mujeres apasionadas, 2003) – Maureen Jimenez

Caribe (Caribe, 2004) – Esteban Ramírez

El cielo rojo (El cielo rojo, 2008) – Miguel Alejandro Gomez

Do amor e outros demônios (Del amor y otros demonios, 2009) – Hilda Hidalgo

Gestación (Gestación, 2009) – Esteban Ramírez

El Sanatorio (El Sanatorio, 2010) – Miguel Alejandro Gomez

Tres Marias (Tres Marias, 2010) – Francisco Gonzalez

Agua Fría de Mar (Agua fria de mar, 2010) – Paz Fábrega

Chapeuzinho Vermelho do Inferno (Molina’s Ferozz, 2010) – Jorge Molina

El Fin (El Fin, 2011) – Miguel Alejandro Gomez

El regreso (El regreso, 2012) – Hernan Jimenez

Por las plumas (Por las plumas, 2013) – Ernesto Villalobos

Espejismo (Espejismo, 2014) – José Miguel González Bolaños

Italia 90 (Italia 90, 2014) – Miguel Alejandro Gomez

Faro Sin Isla (Faro Sin Isla, 2014) – Cristóbal Arteaga

Viagem (Viaje, 2015) – Paz Fabrega

Nina y Laura (Nina Y Laura, 2015) – Alejo Crisóstomo

El Lugar Mas Feliz del Mundo (El Lugar Mas Feliz del Mundo, 2015) – Soley Bernal

Entonces Nosotros (Entonces Nosotros, 2016) – Hernan Jimenez

Paraguai

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O cinema paraguaio pode ser o menos celebrado da América do Sul, mas não tem nada de falsificado. Ele está vivo e passa bem!

Durante a ditadura militar, a produção de filmes praticamente desapareceu. Os interessados em fazer cinema se mandaram para os Estados Unidos e para a Rússia para estudar. Mesmo com a chegada da democracia, os anos 90 foram bem tímidos no setor. A criação do Festival Internacional de Assunção e da Cinemateca do Paraguai animaram as coisas. Surgiram diretores talentosos, que estão fazendo sucesso nos festivais de todo mundo, como é o caso de Paz Encina. Seu “La Hamaca paraguaya” ganhou prêmio na categoria “Un Certain Regard!” em Cannes, o Festival de Miami e o prêmio da crítica da Mostra Internacional de São Paulo, em 2006.

Procurando sua própria identidade, o cinema paraguaio tenta se afastar das influências de Brasil e Argentina e se tornar cada vez menos regional e mais universal. Está no caminho certo.

Aqui vão 20 bons motivos para conhecer o cinema do nosso vizinho.

O Toque do Oboé (El Toque del Oboe, 1998) – Cláudio MacDowell

Miramenometokei (Miramenometokei, 2003) – Enrique Collar

La Hamaca paraguaya (La Hamaca paraguaya, 2006) –  Paz Encina

Detrás del sol – Más cielo (Detrás del sol – Más cielo, 2008) – Gastón Gularte

Novena (Novena, 2010) – Enrique Collar

Universo Servilleta (Universo Servilleta, 2010) –  Luis Aguirre

Cuchillo de palo (Cuchillo de palo, 2010) –  Renate Costa

Semana Capital (Semana Capital, 2010) –  Hugo Cataldo

18 cigarrillos y medio (18 cigarrillos y medio, 2010) –  Marcelo Tolces

La Enamorada (La Enamorada, 2012) – Martín Miguel Crespo

7 Caixas (7 cajas, 2012) –  Juan Carlos Maneglia & Tana Schembori

Costa Dulce (Costa Dulce, 2013) – Enrique Collar

Lectura Según Justino (Lectura Según Justino, 2013) – Arnaldo André

Latas Vacías (Latas Vacías, 2014) – Hérib Godoy

Luna de Cigarras (Luna de Cigarras, 2014) -Jorge Diaz de Bedoya

Tempo nublado (El tiempo nublado, 2014) – Arami Ullon

Mangoré (Mangoré, 2015) – Luis R. Vera

La Chiperita (La Chiperita, 2015) – Hugo Cataldo

Felices los que lloran (Felices los que lloran, 2015) – Marcelo Torcida

Guaraní (Guaraní, 2016) –  Luis Zorraquin

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