A excêntrica escola de goleiros carecas da França

Barthez França

Legado de Fabien Barthez ajudou a fortalecer a classe de goleiros carecas que faziam maluquices e eventualmente usavam o número 16. Escola ainda tem força no futebol francês e conta com representantes honrosos e carismáticos. Outros chamam atenção pela ficha policial.

Pauta excêntrica é com a gente mesmo. Sabendo que estamos devendo algumas histórias mais malucas, resolvemos caprichar na bizarrice. Por exemplo, você já ouviu falar da escola de goleiros carecas na França? Não, não, calma, não é uma academia que forma apenas arqueiros que não possuem nenhum cabelo na cabeça. Trata-se de uma dinastia curiosa em que o representante mais famoso é Fabien Barthez, campeão europeu de 1993 com o Marselha e titular da equipe campeã mundial na Copa de 1998.

Pois é, esta escola é real. Você pode chamar isso de grande coincidência ou de influência, mas é um fato que a França tem se tornado especialista em revelar goleiros carecas. Uma pena que o nosso amigo Vinicius Intrieri não tenha nascido lá, pois seria mais um deles. Enquanto a Itália forma goleiros recordistas em minutos sem levar gol e a Alemanha tem certa tradição em arqueiros frios, seguros e que estão entre os melhores do mundo, sobrou a excentricidade para quem sonha em alinhar na primeira posição de Les Bleus.

Pascal Olmeta

Pascal Olmeta, que teve grande fase pelo Marseille foi o primeiro careca notável desta escola.
Pascal Olmeta, que teve grande fase pelo Marselha foi o primeiro careca notável desta escola.

Certa feita, brincando de analisar fichas e figurinhas antigas do Campeonato Francês, notei um certo padrão: um grande número de goleiros titulares dos times da elite são ou foram carecas durante uma parte significativa de suas carreiras. Lembrei-me então de Pascal Olmeta, um cara que adorava uma extravagância nos uniformes e até mesmo na saída de bola. Não raro, ele subia para o ataque ou protagonizava momentos de insanidade. Olmeta teve bons momentos pelo Racing Paris, Marselha e Lyon. Se aposentou em 1999 pelo Ajaccio e também brilhou pela França no Beach Soccer. Ainda gravou um disco (ruim) de música pop nos anos 1990. Dá até vergonha alheia de ver o clipe de “Tape dans un ballon”.

Fabien Barthez

Fabian Barthez, France
Fabian Barthez, France

Depois tivemos Barthez, que inclusive foi contemporâneo de Olmeta no Marselha. Fabien começou a carreira no Toulouse em 1990 e chegou ao clube marselhense em 1992. Em 1993, durante a campanha do título da Liga dos Campeões, Barthez alinhou como titular pelo OM, quando ainda usava um cabelo respeitável, lembrando vagamente o ator Edward Norton.

O tempo acabou sendo cruel com ele e já em 1996, quando estava no Monaco, Fabien começou a ficar careca e resolveu assumir a nova identidade. Se aposentou em 2007, pelo Nantes, com todos os títulos que um atleta poderia sonhar. Desde 2008 Barthez é visto dentro de carros de turismo em competições internacionais. Em 2013, o careca faturou a GT Series francesa atrás do volante. Um predestinado. Durante bons anos, Fabien também foi reconhecido por usar o número 16.

Stephane Porato

Porato Monaco

Stephane Porato tentou ao máximo seguir os passos do seu mentor Fabien Barthez. Começou no Marselha, quando era reserva de Barthez, depois foi para o Monaco, onde ficou bons anos sendo titular. Sua melhor fase aconteceu na equipe do principado, durante a segunda passagem, de 2000 a 2004. Quando saiu do time monegasco, rodou por Ajaccio, Alavés e Xerez, onde se aposentou em 2009. Chegou a ser cotado para assinar com o Chelsea em 2007, quando Petr Cech se lesionou, mas a transferência não se concretizou. Outra transferência que não se concretizou na vida de Porato foi a pensão que ele devia para a esposa e filhos, em 2012. Em virtude do abandono familiar, o ex-goleiro chegou a ser condenado a oito meses de prisão em pena suspensa.

Jerôme Alonzo

Jerome Alonzo

Outro careca dessa lista que tem cara de segurança de balada é Jérôme Alonzo. Ele começou no futebol em 1990, pelo Nice, jogou em clubes grandes da França como Marselha (substituiu Barthez), Saint-Etienne, Paris Saint-Germain e Nantes. Foi em Paris onde passou o maior tempo, sempre se revezando na posição de titular com outros colegas. Também usava a camisa 16. Mas calma que eu já explico essa parte.

Jeremie Janot

Football : Saint Etienne / Marseille - Ligue 1 - 02.10.2010 -

Esse cara é louco. Você deve lembrar de Jeremie Janot pelo fato dele ter feito várias macaquices pelo Saint-Etienne. Sim, era ele o goleiro doidão que se vestia de Homem-Aranha e posava para as fotos do time usando a máscara do aracnídeo. Pois bem, Janot era mais um da linhagem de camisas 16 que pegavam no gol de algum clube francês. Ele dedicou 12 anos de sua carreira ao Saint-Etienne, onde começou. Mas também atuou pelo Lorient e Le Mans. Aposentou-se em 2012, deixando saudades pela irreverência mostrada em campo.

Christophe Revault

Revault Toulouse

Ídolo do Le Havre, Christophe Revault chegou a ter um gostinho do reconhecimento quando foi para o PSG em 1997. Titular do time, acabou saindo no ano seguinte e seguiu para o Rennes. Depois disso, só foi brilhar mesmo no Toulouse de 2000 a 2006, em mais de 200 partidas pela equipe violeta. O Toulouse chegou a ser rebaixado e Revault permaneceu no clube para ser capitão e um dos heróis do acesso. Passou novamente pelo Rennes e se aposentou em 2010 pelo Le Havre. A origem de sua careca vem da final da Copa de 1998: Stephane apostou com amigos que a França venceria o Brasil e teve de raspar o cabelo. Dali em diante, nunca mais mudou de penteado.

Stephane Ruffier

Stephane Ruffier

Outro careca ídolo do Saint-Etienne é Stephane Ruffier. Formado pelo Monaco em 2005, ele é o último da nossa lista e foi o grande responsável pela saída de Janot dos Verts em 2011. Quando menino, Stephane tinha planos de ser atacante, mas como não manjava muito de fazer gols, acabou tomando a missão de vestir luvas e defender a meta de seu time. Tudo porque a academia de Aviron Bayonnais estava sem goleiros na época e o técnico o aconselhou a tentar a sorte na posição.

No Monaco, Ruffier era reserva do folclórico Flavio Roma, mas com a lesão do camisa 1, o reserva de número 16 teve chances e se firmou como suplente. Encaixou boas temporadas até o recorde pessoal de 15 jogos sem levar gols em 32 disputados pela equipe do principado em 2009-10. No ano seguinte, foi para o Saint-Etienne, onde se encontra até hoje, aos 29 anos. Ele ainda tem muito tempo pela frente.

Você deve ter notado a coincidência entre Barthez, Ruffier, Janot e Alonzo, que usavam a camisa 16 durante períodos de maior destaque. Não é exatamente uma influência por parte de Barthez, um ícone do ofício de arqueiros na França. É que a Federação Francesa obriga que os goleiros das suas divisões profissionais usem números específicos. Eles podem escolher entre as camisas 1, 16, 30, 40 e 50. Não há uma explicação lógica para essa exigência, mas é assim que as coisas funcionam lá.

Portanto, se você vir algum carequinha agarrando no gol com a camisa 16 durante um jogo do Francesão, naturalmente se lembrará de Barthez. Ou de Ruffier, o único notável desta escola que ainda está em atividade.

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