Dia de final: Flamengo x Grêmio, Brasileiro de 1982

Foto: Grêmio 1983
Foto: Grêmio 1983

Depois de dois jogos equilibrados, Flamengo e Grêmio decidiram o Brasileirão de 1982 em um polêmico duelo no Olímpico, em Porto Alegre. Gol de Nunes deu o título ao Fla, mas gremistas reclamam até hoje de erro da arbitragem em outro lance.

O clima não estava bom antes da terceira e última partida da final do Brasileiro em 1982. O mês de abril chegava ao fim, junto com a principal competição de clubes do país. O Grande Flamengo de Zico era favorito e enfrentava um igualmente competente Grêmio, campeão brasileiro de 1981 e que venceria a Libertadores e o Mundial no ano seguinte. Enquanto se armava para conquistar a América, o Tricolor gaúcho ganhava experiência em uma decisão duríssima.

Dois jogos anteriores na decisão não mostraram quem era superior. Em dois empates (1-1 e 0-0), os adversários ficaram entre a cruz e a espada. O equilíbrio era visível, mesmo se tratando do maior time daquela década, no caso, o Flamengo. Dono de enorme força ofensiva e com grandes craques à disposição, o Fla não teve vida fácil nem mesmo no duelo que decretou o seu bicampeonato nacional.

Os flamenguistas saíram dizendo que o Grêmio jogava retrancado na segunda divisão. A tática de Ênio Andrade, até aquele momento, estava dando certo. O mestre queria aproveitar um vacilo do Fla para fazer o gol decisivo. No entanto, o seu goleiro, Leão, não gostou do tom usado por Zico e seus colegas. O arqueiro rometeu empenho e disse que “queria ver quem seriam os covardes” no último confronto no Olímpico. Nunes, o artilheiro rubro-negro, não gostou nada do discurso do goleiro e acusou os gremistas de “terem um canalha no elenco”. A batalha pré-jogo na mídia acabou com uma ameaça clara de Nunes, que disse que queria acertar contas com Leão após o apito final.

Quando a bola rolou

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O relógio marcava 16 horas e alguns quebrados em Porto Alegre, debaixo de um sol modesto. O campeão brasileiro seria definido naquele dia, sem mais delongas ou partidas extras. Com ânimos à flor da pele, os times começaram a partida em bom ritmo, realmente procurando jogo.

E no primeiro encontro de Nunes com Leão, o atacante exagerou na carga e irritou o adversário. Para responder, o veterano camisa 1 deu uma cotovelada no rosto do 9 flamenguista. O juiz só deu uma advertência. Antes de ouvir a bronca do árbitro, Nunes reagiu: “Você é covarde, na próxima dividida eu vou te chutar a cara“.

Se o Fla tinha Zico, Nunes, Adílio, Andrade, Júnior, Tita e Leandro, o Grêmio tinha De León, Renato Gaúcho, Batista, Baltazar, Paulo Isidoro e Vilson Tadei. Dois times de enorme qualidade, frente a frente. A primeira chance clara veio dos pés de Renato, que mandou um canhão no rebote e quase surpreendeu Raul debaixo das traves. Depois foi a vez de Tonho testar o reflexo do arqueiro flamenguista. Raul novamente fez grande intervenção.

O Grêmio fazia muitas faltas, na única forma de barrar o avanço do Flamengo em campo, pelas pontas. Quando o relógio no Olímpico marcava 10 minutos da primeira etapa, Zico carregou a bola pelo meio e buscou uma fresta de espaço entre os defensores gremistas para fazer o passe. Achou Nunes, com tempo de sobra para dominar, ajeitar e bater forte no canto. Era a vingança ideal do “João Danado”.

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No frigir dos ovos, o jogo foi de um lance só. Para o tamanho daquela final, o 1-0 ficou até barato e merecia ter sido ampliado ou descontado pelos gremistas. O time da casa não desistiu e foi ao ataque para buscar a igualdade, mas esbarrou em tarde iluminada do goleirão Raul. A marcação gremista encaixou e o Fla parou de criar. Mas ainda estava longe de transformar o domínio das ações em gols, afinal, só a virada interessava.

Nunes quase furou outra vez a defesa gremista, mas Leão defendeu. E a rivalidade continuou entre os envolvidos. A cada vez que se cruzavam em campo, a hostilidade e os xingamentos afloravam.

Já no segundo tempo, outra vez aos 10 minutos, outro lance discutido à exaustão: um pênalti não marcado para o Grêmio. A bola estava no meio de um grupo de jogadores que brigavam por ela. Andrade conseguiu tirar, usando a mão. O juiz não marcou, segue o baile. O desfecho foi a vitória flamenguista e o bicampeonato, debaixo de protestos da torcida presente e dos atletas gremistas. Mais um capítulo da soberania flamenguista naquele período.

Grêmio 0-1 Flamengo

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25 de abril de 1982, Olímpico, Porto Alegre
Terceiro jogo da final do Campeonato Brasileiro
Gols: Nunes, 10′ 1T

Grêmio: Leão, De León, Newmar, Paulo Roberto e Paulo César, Batista, Paulo Isidoro, Vilson Tadei (China) e Renato Gaúcho, Baltazar (Paulinho) e Tonho Gil (Odair). Técnico: Ênio Andrade

Flamengo: Raul, Marinho, Figueiredo, Leandro (Vitor) e Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes (Antunes) e Lico. Técnico: Paulo César Carpegiani

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