O primeiro título da fase dourada do Parma

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Título da Copa da Itália em cima da Juventus foi o primeiro título de uma era gloriosa para os crociati. Sucesso durou pouco, mas foi marcante em solo italiano e sobretudo na Europa, com dois títulos da Copa Uefa.

O torcedor do Parma que imaginava uma chegada estrondosa do clube na primeira divisão italiana em 1991 provavelmente seria taxado de maluco ou otimista demais para o mundo real. Afinal, depois de décadas amargando campanhas pífias nas Séries B e C, a equipe emiliana finalmente conseguiu estar entre os principais clubes do país.

A promoção do Parma à elite em 1989-90 foi o início de uma fase incrível em que o clube contou com bons jogadores e o impulso financeiro da Parmalat para fazer da modesta equipe uma potência nacional. Tudo isso começou sob o comando de Nevio Scala, treinador que deu um padrão de jogo respeitável e colocou o Parma na Serie A, para daí montar ao seu gosto o time que usaria para escalar o paredão até a glória.

Com bom orçamento para a missão, Scala começou a escalar seus soldados: Taffarel, Antonio Benarrivo, Luigi Apolloni, Lorenzo Minotti, Georges Grun, Daniele Zoratto, Ivo Pulga, Tarcisio Cattanese, Stefano Cuoghi, Marco Osio, Alessandro Melli, Alberto Di Chiara, Massimo Agostini e Tomas Brolin, alguns dos mais notáveis jogadores que passaram pelo clube quando o projeto de dominação da Itália ainda engatinhava.

De cara, o desempenho foi bom na elite. Em 1990-91, primeira temporada após o acesso, o Parma ficou em sexto lugar. Destaque para Melli, que anotou 13 gols e foi o artilheiro do time. Mas Scala e os investidores da Parmalat queriam mais. Queriam um esquadrão que pudesse bater de frente com os grandes. E assim foi, na Copa da Itália em 1992.

Osso duro de roer

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A arrancada começou contra o Palermo, na segunda fase. Empate em 0x0 na ida e dura vitória por 2×1 na volta, a favor dos crociati. Depois disso, nas oitavas de final, a vítima foi a Fiorentina de Gabriel Batistuta. Novamente empate sem gols no Ennio Tardini e um corajoso 1×1 no Artemio Franchi, dando a vaga ao Parma pelo gol marcado fora de casa.

Com a chegada nas quartas, o sonho foi ficando possível: duas vitórias contra o Genoa (2×0 e 2×1). Completando a dobradinha em cima dos times genoveses, o Parma também eliminou a Sampdoria, que era a campeã italiana na época. Este resultado, no entanto, veio com enorme dificuldade. Vitória por 1×0 na ida, para o Parma, gol de Brolin, e um dramático empate em 2×2 na prorrogação. A Samp bateu primeiro com gol de Pari, chamando o tempo extra.

Melli deixou tudo igual em um golaço, aos seis minutos da prorrogação, dominando a bola dentro da área com classe antes de finalizar. O mesmo Melli virou em uma cobrança de pênalti, metendo uma cavadinha ousada para vencer Pagliuca. Vierchowod empatou, mas não foi suficiente. A Sampdoria necessitava virar o jogo e marcar pelo menos dois de diferença para avançar. O Parma estava na final.

A decisão

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O natural era que ao enfrentar a Juventus, o Parma se sentiria intimidado pela força e pela tradição bianconera. Mas na prática, não foi isso que aconteceu. Scala descobriu um jeito de explorar as fraquezas juventinas e fazer seu resultado.

Sem Taffarel, machucado, o Parma escalou o reserva Marco Ballotta, que deu conta do recado. A ida, em Turim, foi animadora para os juventinos, já que Roberto Baggio fez o gol que colocou a Velha Senhora em vantagem. Um empate no Ennio Tardini daria o título aos bianconeri. Apenas mais uma taça, obrigação para a equipe treinada por Giovanni Trapattoni.

Em 14 de maio de 1992, a reviravolta. Além do esforço hercúleo em bater um dos gigantes italianos, o Parma conseguiu naquele dia o seu primeiro troféu. Para ilustrar o salão nobre, a taça dourada da Copa da Itália que veio com o suor e a determinação de um time sem medo de quem estava do outro lado.

O relógio já marcava 45 minutos do primeiro tempo quando Melli subiu de cabeça e desviou um cruzamento vindo de uma cobrança de falta da ponta esquerda. O gol da vitória e do campeonato saiu de uma tabela magnífica. Brolin carregou para o meio e lançou para a área. Melli cabeceou para o meio e Cuoghi dominou com liberdade. Ao invés de chutar, passou para o lado quando Osio vinha embalado. O cabeludo só cutucou para as redes e acabou com a longa espera dos crociati. A Juve não respondeu e saiu de campo derrotada.

Aquela era a primeira vez que o Parma dava uma volta olímpica em sua história. No ano seguinte, o título foi além do território italiano, na Recopa Uefa. Mas isso é coisa para se contar em outro texto…

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