Caminero, o motorzinho do doblete colchonero em 1996

Foto: Mundo Deportivo
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Meia teve participação crucial no doblete colchonero da temporada 1995-96. Gols e dribles deixaram saudade na torcida atleticana. Caminero também ficou marcado por drible humilhante em Nadal, do Barcelona.

José Luis Caminero teve pouco tempo no auge atuando no futebol espanhol. Reconhecido quase sempre pelos seus feitos no Atlético de Madrid, o meia deixou saudade pela forma como resolvia partidas. Habilidoso e capaz de dar passes impressionantes, o camisa 21 estava endiabrado na última dobradinha conseguida pela equipe rojiblanca.

Naquela situação, Barcelona e Real Madrid viviam fases conturbadas e perdiam a força na Liga para o emergente La Coruña. Aproveitando-se do momento dos gigantes, o Atlético se reergueu de uma campanha ruim em 1994-95 e triunfou sob o comando do técnico Radomir Antic.

A questão é que o Atlético soube se remontar para conquistar a Espanha e fez isso de forma a lavar a alma, encerrando a fila de 19 anos na Liga. Desde 1977, com Luís Pereira e Leivinha, a equipe não sabia o que era ser campeã espanhola.

Foto: Centrocampista
Foto: Centrocampista

Da defesa até o ataque, o Atlético de Antic conseguiu montar uma equipe sólida. Os números comprovam este ótimo desempenho: segundo melhor ataque com 75 gols (dois a menos do que o vice-campeão Valencia) e melhor defesa com 32 tentos sofridos. O plantel não tinha estrelas, apenas jogadores competentes e conhecidos pelo caráter competidor. O time base: Molina, Santí, Geli, Toni e Solozábal, Simeone, Vizcaíno, Caminero e Pantic, Kiko e Penev.

Caminero, José Luis Caminero

Caminero rodou pelo time B do Real Madrid e no Valladolid antes de desembarcar no Vicente Calderón em 1993, iniciando um ótimo período de sua carreira. Estava claro que ele era um grande jogador já pelo que fazia no Valladolid, mas a provação maior veio mesmo no Atleti, com a inesquecível dobradinha.

Responsável por distribuir a bola e fazer a transição da intermediária até o ataque, constantemente Caminero encontrava nos dribles ou nos passes nas costas da defesa uma alternativa para chegar ao gol. E assim foi se consolidando como ídolo pelas grandes atuações, apesar de ser apontado como preguiçoso em algumas oportunidades.

Com a bola nos pés, ele era um demônio. Conduzia com muita classe, preferia levantar a cabeça para enxergar as opções antes de um drible curto ou um lançamento milimétrico. Mostrou isso em 1994, na Copa do Mundo, sendo o artilheiro da Espanha na competição, marcando três vezes. A Fúria foi até as quartas de final e foi derrotada pela Itália. Caminero também esteve na Euro 1996, mas a campanha dos espanhóis foi fraca e parou nas quartas de final contra a Inglaterra, nos pênaltis.

Foto: Marca
Foto: Marca

A Liga começou a se resolver para o Atlético muito cedo. Avassalador, o time de Antic arrancou na liderança e só perdeu pela primeira vez na 13ª rodada, contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu. Aliás, o Real foi o único que conseguiu bater duas vezes o campeão Atleti. Já o Barça, por outro lado, apanhou duas vezes por 3×1.

Ver o Atlético ganhar do Barcelona tornou-se uma rotina na temporada 1995-96. Porque não só na Liga que Caminero e seus colegas levavam a melhor. A freguesia foi mantida na final da Copa do Rei, quando o Atlético fez 1×0 com gol de Pantic na prorrogação.

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O drible

Entretanto, a melhor história envolvendo Caminero e o Barcelona é mesmo a do 3×1 no Camp Nou, pela Liga. O relógio marcava 10 minutos e o placar era de 0-0. Eis que Caminero domina na ponta esquerda, quase no limite para a grande área, marcado de perto por Nadal. O meia segurou por algum tempo antes de ameaçar uma passada para trás. Nadal caiu na dele e o atleticano partiu sozinho para a área, fazendo a assistência para Roberto completar. 95% daquele gol foi culpa da genialidade do camisa 21.

Vizcaíno e Biagini marcaram para o Atlético e Jordi Cruyff diminuiu para os mandantes. Mas o estrago estava feito. O Barça praticamente estava fora da disputa, enquanto o Atlético disparava na frente. A diferença final na tabela foi de quatro pontos dos atleticanos para o Valencia e sete para o Barça, que acabou em terceiro lugar.

Em abril daquele ano, portanto um mês antes da conquista da Liga, a final da Copa do Rei aconteceu no estádio La Romareda, em Zaragoza. Caminero quase marcou em chutes de longe, testando o goleiro Busquets. Mas foi o sérvio Pantic que acabou como herói da noite.

O veneno daquele Atlético rendeu o título após 28 rodadas consecutivas na liderança. O jogo contra o Albacete, vencido por 2-0 na última jornada, teve gols de Simeone e Kiko.

O título que redimiu os colchoneros da fila também foi o ponto alto da carreira de Caminero, que marcou nove vezes na Liga e ganhou o prêmio de melhor jogador da Espanha em 1996. Apesar de conseguir 14 gols na temporada seguinte, o clube não teve o mesmo sucesso e entrou em decadência, culminando em rebaixamento no início dos anos 2000. Em 1998, Caminero voltou ao Valladolid para o fim de sua carreira, longe dos holofotes, atuando até mesmo como líbero no time que o revelou para o estrelato na Espanha.

O doblete de 1996 ficou como grande momento da carreira de Caminero. Em especial, aquele drible em Nadal no Camp Nou, que povoou até mesmo a memória do cineasta Pedro Almodóvar. A finta foi lembrada no longa-metragem “Carne Trêmula”, de 1997. Indiscutível que aquele lance era digno de estar nas grandes telas.

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