A série invicta que o PSG de 2016 não conseguiu superar

Foto: Kaiser Magazine
Retrato do PSG de 1993-94 sem Raí e Ginola /Foto: Kaiser Magazine

Em 1993-94, o Paris Saint-Germain encaixou série invicta que permanece como a grande marca do time dentro da França. A equipe de Zlatan Ibrahimovic quase alcançou esta façanha, mas fraquejou faltando uma partida, perdendo para o Lyon.

As 37 partidas sem perder conseguidas pelo Paris Saint-Germain de 1993-94 permanecem até hoje como a melhor marca de invencibilidade do clube francês. Naquela época, o investimento estrutural e em reforços era forte, mas não tão impactante quanto podemos ver na Era Ibrahimovic, com quatro títulos franceses em sequência.

Eram tempos diferentes. O futebol ainda não contava com aportes financeiros surreais que permitem a formação de elencos estelares como o PSG de hoje. Mesmo assim, sob a batuta do técnico Artur Jorge, campeão europeu com o Porto em 1987, a equipe parisiense conquistou seu segundo título francês, com a marca de um plantel de respeito.

A partir de 1991, com a entrada da emissora Canal Plus como acionista do clube, a história do PSG foi mudada radicalmente. E para melhor. Assim como o Marselha tentava desde os anos 1980 ser uma equipe bem sucedida dentro e fora da França, os parisienses seguiram o caminho da injeção de dinheiro como fórmula para um super time. E então, craques começaram a desembarcar no Parc des Princes com frequência. Por consequência, os parisienses foram campeões várias vezes depois disso.

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Construindo um campeão

Valdo, o cérebro do time antes da consolidação de Raí /Foto: Sporcle
Valdo, o cérebro do time antes da consolidação de Raí /Foto: Sporcle

Para a temporada histórica de 1993-94, os craques tomaram conta do elenco titular de Artur Jorge. O elástico Bernard Lama no gol, Ricardo Gomes na zaga, Valdo, Paul Le Guen, Vincent Guerin e Raí (alternando com Laurent Fournier) no meio-campo, David Ginola e George Weah no ataque. Curiosamente, para a época, montar uma equipe deste calibre era difícil.

Antes disso, na Europa, o Milan teve enorme sucesso com a base da seleção italiana e o trio holandês com Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco Van Basten. Imaginar uma seleção com mais estrangeiros do que nativos era uma tendência que ganharia força apenas nos anos 2000.

A ideia dos investidores do Canal Plus era conquistar a Liga dentro de cinco anos. A arrancada começou com o título da Copa da Liga Francesa em 1993, em cima do Nantes (por 3-0, gols de Kombouaré, Roche e Ginola). Foi o primeiro título da Era Michel Denisot, presidente do clube na ocasião.

A arrancada dentro da França na temporada seguinte terminou com o título da Liga e a chegada às semifinais da Recopa Uefa (derrota para o Arsenal). Na Copa da França, a campanha não foi tão animadora e se encerrou nas quartas de final, em derrota para o Lens, por 2-1.

Os registros da época dão conta de que aquele PSG tinha um excelente jogo coletivo, ofensivo e com boa troca de passes. Bonito de se ver, contrariando a lógica entediante dos lançamentos exaustivos e chuveirinhos na área adversária. Era a mão do técnico Artur Jorge na formação de um esquadrão quase imbatível.

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A invencibilidade em números

Weah PSG

Entre 15 de agosto de 1993 (derrota para o Marselha por 1-0) e 5 de abril de 1994 (derrota para o Nantes por 3-0, pela Liga), o PSG ficou imbatível. O período representa uma sequência de 37 partidas sem perder.

A marca quase foi superada pelo atual elenco, que alcançou 36 jogos sem perder. Neste caso, o Lyon interrompeu a série dos parisienses na Liga ao vencer por 2-1 no Stade des Lumières. De 15 de março de 2015 a 28 de fevereiro de 2016 foi o tempo que durou a invencibilidade do PSG de Ibrahimovic.

Jogando em Paris, aquele PSG de Valdo também era uma potência. Foram 39 partidas sem perder em casa, entre 18 de dezembro de 1992 (derrota por 1-0 para o Marselha) e 21 de janeiro de 1995 (queda por 3-0 para o Nantes). Curiosamente, a série se iniciou e encerrou com os mesmos adversários presentes nos 37 jogos de 1993-94.

O título francês de 1994 veio para a equipe de Artur Jorge com 59 pontos, sendo 24 vitórias, 11 empates e três derrotas. Foram oito pontos de vantagem para o Marselha, vice-campeão. O que fala mais alto, neste caso, não é o número de triunfos ou de gols (segundo melhor ataque, com 54 marcados; melhor defesa, com 22 sofridos).

As peças excepcionais é que fizeram daquele PSG um sucesso. Weah, por exemplo, começou a estourar naquele título e se tornou o melhor jogador do mundo em 1995. Valdo, o armador do time, saiu em 1995 para o Benfica juntamente com Ricardo Gomes e deu lugar a Raí, que assumiu definitivamente o posto de camisa 10 e capitão do elenco. O meia virou ídolo da torcida e só saiu em 1998, quando retornou ao São Paulo.

Se compararmos o PSG de 1994 ao de 2016, em relevância dos craques no cenário internacional, provavelmente Ibrahimovic e seus colegas levariam vantagem. Entretanto, a única coisa que esta geração não conseguiu superar aquela antiga é mesmo a série invicta. É bom que Raí e seus ex-companheiros aproveitem bem o status de recordistas, pois aparentemente a façanha deve ser superada nos próximos anos.

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