Ciúme do treinador acabou com a história de Alex no Fenerbahce

Foto: Globoesporte.com
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Foram oito anos de dedicação ao time turco. Em quase uma década de serviço pelo Fenerbahce, Alex se consolidou como o grande ídolo em muito tempo para os fanáticos. No entanto, a sua saída do estádio Sukru Saracoglu foi um tremendo ato de desrespeito com a sua figura. O capitão e camisa 10 voltou para o Brasil para defender o Coritiba e encerrar a carreira. Mas a sensação é que ele poderia ter ficado mais tempo em Istambul.

Quando o meia chegou à Turquia, em 2004, vivia um momento diferente em sua carreira. Já era experiente e com títulos na bagagem, consolidado como craque, apesar de não ter passado pela Seleção em momentos como a Copa de 2002. Entretanto, Alex não foi para o futebol turco apenas para viver mais um momento. Foi para fazer história.

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Os três títulos da Liga Turca e a conquista da Copa da Turquia não mentem e nem deixam Alex ser mais estimado do que na realidade. A estátua que ganhou em 2012, ainda atuando pelo clube, é uma prova de sua grandeza. Vestindo a camisa azul e amarela, o brasileiro anotou 185 gols pelo Fener, a nona maior marca até a sua saída, em outubro de 2012. Alex é o artilheiro do Fener em competições europeias. Marcou 15 vezes em jogos internacionais. Garçom? Sim, também foi garçom, com 136 assistências.

Com Alex no papel de maestro, a equipe viveu bons tempos e tomou do rival Galatasaray o posto de equipe mais importante do país na Europa durante a segunda metade da década passada. As boas participações na Liga dos Campeões deixaram a torcida satisfeita com a relevância que o Fener alcançou.

Alex comemora Fener

Em 2007-08, por exemplo, o Fenerbahce chegou até as quartas de final da Champions, só perdendo para o Chelsea, que seria finalista daquela edição contra o Manchester United. No agregado, 3-2 para os ingleses, frustrando os sonhos dos turcos, tão esperançosos de uma grande arrancada na Europa.

Nos oito anos em que defendeu o Fenerbahce, Alex foi quase sempre protagonista. Dono da bola, do time, do campo e de tudo. Contava também com o prestígio dos dirigentes que tinham nele o filho ilustre vindo de outras terras. Só não foi rei porque nasceu no Brasil, não na Turquia.

Era frequente vê-lo marcando gols de falta, de longa distância. O Galatasaray, então, sentiu isso na pele na Supercopa da Turquia de 2012, quando o meia mandou um chute venenoso da intermediária e contou com desvio para vencer Muslera. Entretanto, o Gala acabou vencendo por 3×2 e ficou com a taça.

Apesar das dezenas de fatores que contaram a favor de Alex, a despedida foi melancólica e injusta, até mesmo desrespeitosa. No banco de reservas, o técnico e ídolo Aykut Kocaman via sua marca como artilheiro ameaçada pelo capitão. Foi o ciúme e a queda de braço interna que culminaram na saída do camisa 10 do Sukru Saracoglu. Um ano antes, o Fenerbahce era campeão turco pela última vez com Alex em campo.

Já em 2012, conquistaram a Copa da Turquia, batendo o Bursaspor na decisão por 4-0. Alex fez o último gol e coroou uma grande partida dos seus companheiros. Meses depois, foi covardemente colocado para fora de casa pelo presidente que tanto lhe apoiou. A situação era delicada e Alex era o grande craque do time em atividade. Em idade avançada, mas ainda craque e decisivo. Vítima da vaidade de Kocaman.

O responsável pela saída

Alex e Kocaman

Kocaman, que afirmava discordar das ideias de Alex como líder do time, cavou a rescisão de contrato do seu próprio camisa 10, como forma de ganhar mais terreno. Aos poucos, a tensão entre os dois cresceu, gerando um grande impasse nos vestiários. O jogador, que chorou durante a inauguração de sua estátua, provavelmente incrédulo com o carinho que recebia das arquibancadas, era propositalmente escanteado de sua função.

Em outubro de 2012, Kocaman venceu a batalha e fez com que o presidente Aziz Yildirim rescindisse o vínculo do Fener com Alex, que já treinava em separado do elenco por decisão do técnico. O último jogo do meia pelo time foi uma derrota para o Kasimpasa, pela Liga Turca. O gol derradeiro veio contra o Marselha, pela Liga Europa.

O que mesmo para os turcos representou uma atitude traiçoeira de Kocaman, acabou sendo um presente para o Coritiba, que depois de quase 20 anos pôde ter o seu tesouro de volta. Mas o meia só estreou em 2013 pelo clube que o formou, jogando duas temporadas até se aposentar ao fim de 2014, garantindo que o Coxa permanecesse na elite nacional. Kocaman saiu do cargo em 2013, depois da campanha honrosa do Fener na Liga Europa. Os turcos foram até as semifinais, quando perderam para o Benfica.

Os torcedores que sentiram o duro golpe da despedida de Alex antes da hora ainda hoje manifestam sua idolatria pelo carequinha que tanto fez naqueles oito anos incríveis em Istambul. Evidente que é difícil para os locais compararem o tamanho de Kocaman com o de Alex, mas a atitude do turco de minar o ambiente para o seu próprio jogador mostra que em caráter, o brasileiro deu de 10 a 0 até mesmo quando decidiu manter sua posição profissional, lutando contra o afastamento imposto pelo chefe.

A saída de Alex diz muito sobre Kocaman e o presidente, que não pensou duas vezes antes de tomar o lado do seu treinador. Já o atleta, deixou apenas saudade. Ressentimento algum com a massa fervorosa que lhe apoiou em suas diferentes fases na Turquia.

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