Krüger viveu duas vezes para dar alegrias ao Coritiba

Krüger Coxa
Foto: Coritiba

Mais de 40 anos depois de se aposentar, o ex-ponta Krüger ganha uma série de homenagens do Coritiba, pelas suas cinco décadas de serviço pela equipe paranaense. O ídolo coxa-branca ganhou uma estátua paga por torcedores e ainda foi inscrito e apresentado como jogador para entrar em campo puxando a fila do Coxa no próximo jogo do Estadual, contra o Rio Branco. Ao todo, o atleta foi sete vezes campeão pelo time do Alto da Glória. Mas a sua maior vitória foi fora dos gramados.

Dirceu Krüger chegou ao Coritiba em 1966, depois de dois campeonatos impressionantes pelo Britânia. Campeão paranaense em sete ocasiões, o grande ponta passou por uma experiência de quase morte em 1970.

Hoje o senhorzinho está sempre pelos lados do Couto Pereira com os seus cabelos brancos, a mesma fisionomia de outrora, os óculos e um agasalho do Coritiba. Muita gente pode pensar que ele é uma pessoa comum, mas quem olha para aquele velhinho de 70 anos e pique de um garoto de 50, nem pode imaginar o que ele viveu por causa daquele clube.

Torcedor do Coxa desde menino, só foi contratado e atuou diante de sua torcida três anos depois de estrear como profissional. A estreia foi impressionante. Em seus primeiros oito jogos com a camisa alviverde, marcou oito gols. Krüger ganhou o apelido de “Flecha Loira”, alcunha que o acompanha até hoje.

O Coritiba levantou o título estadual de 1969, rompendo oito anos de jejum. Krüger era o principal craque da conquista. No ano seguinte, quase foi parar no Atlético Mineiro, mas o presidente Evangelino da Costa Neves barrou a transação, que girava em torno de 1 milhão de dólares. O mandatário se recusava a vender o seu craque.

Autor de gols memoráveis, Krüger quase morreu tentando fazer um deles. O jogo era contra o Água Verde em 11 de abril de 1970, seu aniversário. Dirceu ia encobrindo o goleiro Leopoldo quando levou a pior em uma dividida e teve de sair do jogo. A lesão era grave e interna: as suas alças intestinais se romperam e ele ficou mais de dois meses internado no hospital, à beira da morte.

De uma maneira horrível e repentina, o Coxa temia perder a sua estrela. Enquanto esteve lutando pela vida, Krüger foi acompanhado de perto pela torcida alviverde e até mesmo por atleticanos que se solidarizaram com o seu drama. O craque deu a volta por cima e se recuperou, mesmo depois de receber a extrema unção de padres que já ensaiavam a sua recepção no plano celestial.

Dirceu era mais forte do que pensavam. Muito mais forte. Voltou ao fim do ano e durante uma excursão do Coxa na Romênia, em novembro, marcou o gol de empate contra o Arges. O lance ficou eternizado pela emoção com que os coxa-brancas comemoraram com o ídolo que voltou da morte. A fragilidade de Krüger após a cirurgia que salvou a sua vida fez com que ele atuasse até o fim da carreira com uma cinta elástica protetora.

O legado

Foto: Coritiba oficial
Foto: Coritiba oficial

O ponta ainda conquistou o Paranaense em 1971, 1972, 1973, 1974 e 1975, seu último ano como profissional. Naquele ano, sofreu nova pancada no abdômen e foi aconselhado por médicos a abandonar o esporte para não correr o risco de ir parar outra vez na UTI.

Krüger marcou o gol mais importante de sua carreira (segundo ele mesmo) contra o Atlético Paranaense, na final estadual de 1972. O Coxa se sagrava bicampeão do Paraná em pleno Atletiba. Foi também em um Atletiba que ele recebeu sua despedida, em 1976. Não jogou e nem calçou chuteiras, mas encerrava ali seu ciclo, depois de dez anos no clube, 252 jogos e 56 gols. O primeiro e único título brasileiro do Coxa também teve participação de Krüger, auxiliar técnico de Ênio Andrade e tantas vezes interino quando o clube trocava de treinador.

Foto: Gazeta do Povo
Foto: Gazeta do Povo

Na última quarta-feira, Krüger ganhou uma homenagem pelo que fez dentro e fora de campo no Coritiba. Foram 50 anos dedicados ao time do coração, que viraram estátua na frente do Couto Pereira. Uma forma de respeitar e exaltar o ídolo ainda em vida, algo que mesmo hoje é algo raro. Ganha o Coritiba ao imortalizar o Flecha Loira. Ganha o Flecha Loira ao poder se emocionar com a sua imagem em bronze na frente ao estádio onde foi tão feliz.

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