Os primeiros anos de sucesso do Monaco tiveram participação de Grace Kelly

Foto: The Vintage Notebook
Foto: The Vintage Notebook

*Colaboração de Celso Rodrigues Ferreira Jr, do Almanaque Virtual

Grace Patricia Kelly é sem sombra de dúvida uma das pessoas mais notáveis que já pisaram neste planeta. A atriz, modelo e princesa de Mônaco marcou época no cinema, ainda que tenha atuado apenas por cinco anos. Grace não foi só uma grande atriz: sua colaboração ao futebol está presente até hoje, na camisa do Monaco.

Para começo de conversa, é preciso contextualizar o tamanho da lenda em torno da norte-americana nascida na Filadélfia em 1929: Foi vencedora do Oscar de Melhor Atriz pela sua participação arrebatadora em “Amar é sofrer”, no ano de 1955. Também levou o Globo de Ouro por este filme, além de “Mogambo”, em 1954.

A carreira cinematográfica de Grace começou em 1951, quando ela participou de “Horas Intermináveis”, com o papel de Louise Ann Fuller. Esteve também em “Matar ou Morrer”, de 1952, mas só foi mesmo agraciada com indicações à Academia em “Mogambo”, quando interpretou Linda Nordley, mulher casada que se apaixona pelo caçador Victor Marswell (Clark Gable).

Depois roubou a cena em “Disque M para Matar”, de Alfred Hitchcock, papel que lhe rendeu outros convites para filmes do lendário diretor, o “Mestre do Suspense”. Hitchcock tinha em Kelly a sua estrela favorita, o que comprova o prestígio conquistado por ela em tão curto espaço de tempo. Em Disque M para Matar, Grace é a protagonista Margot Mary Wendice, ex-mulher de um tenista e alvo principal de uma trama de assassinato. Foi indicada ao BAFTA como melhor atriz estrangeira.

Em “Janela Indiscreta”, novamente uma obra de Hitchcock, interpreta Lisa Carol Fremont, namorada de L.B Jefferies (James Stewart), que está preso em casa com a perna engessada. Na trama, Jefferies investiga vizinhos com um binóculo e percebe que testemunhou um crime enquanto bisbilhotava a vida alheia. Lisa acompanha o seu par com visitas periódicas e fazendo companhia a ele no apartamento. O filme é de 1954.

Foto: MGM
Foto: MGM

Ainda em 1954, Grace protagonizou “Amar é sofrer”, que para especialistas, não é a sua melhor atuação, mas foi aquela que lhe rendeu o Oscar no ano seguinte. Ela faz Georgie Elgin, esposa de Frank Elgin (Bing Crosby), um ator em decadência que se rende ao alcoolismo.

Grace ainda fez mais cinco filmes: Tentação Verde (1954), As Pontes de Toko-Ri (1954), Ladrão de Casaca (1955), O Cisne (1956) e Alta Sociedade (1956). Em Alta Sociedade, por exemplo, a atriz contracena com o grande Frank Sinatra e interpreta uma socialite. Durante o longa, ela canta uma canção chamada “True Love”, ao lado de Bing Crosby, que faz o papel de C.K Dexter-Haven, ex-marido da sua personagem na trama.

A atriz casou-se com o Príncipe Rainier III de Mônaco em 1956 e não mais voltou às grandes telas para estrelar outros filmes. Hitchcock queria contar com Grace em mais uma oportunidade. Para iniciar as gravações de “Marnie” (1964), a princesa era a sua protagonista ideal, mas a família de Rainier fez pressão para que ela recusasse o convite. Tippi Hedren fez Marnie Edgar na obra, em seu lugar.

O Monaco de Grace

Foto: Vintage Football Club
Foto: Vintage Football Club

Embora Grace Kelly não fosse chegada em esportes, teve uma colaboração fundamental para o crescimento do Monaco em 1961. Antes disso, o time era só uma força emergente da segunda divisão. Os dirigentes providenciaram a profissionalização apenas em 1948 e em 1953, os alvirrubros já estavam na primeira divisão.

Pode-se notar na foto acima que o uniforme do time nada lembrava o que conhecemos hoje. O desenho era listrado em vermelho e branco, muito parecido com camisas do Stoke City, Náutico, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao, Vicenza, entre outros com uniformes parecidos.

Em 1960, o time monegasco venceu sua primeira competição profissional: a Copa da França, contra o tradicionalíssimo Saint-Etienne, com o placar de 4-2. O atleta mais notável daquele elenco era o meia Michel Hidalgo, que eventualmente treinou a França entre as décadas de 70 e 80, sendo campeão da Eurocopa em 1984. Outro notável era Lucien Cossou, segundo maior artilheiro da equipe, com 115 gols. O recordista é Delio Onnis, com 223.

Grace já vivia no principado desde abril de 1956, cercada de sua realeza. Já era mãe de dois filhos quando recebeu dos cartolas do Monaco um convite interessante: desenhar a nova camisa do clube para a temporada 1960-61. Fugindo do habitual listrado, a princesa escolheu um desenho inusitado para a época, com duas cores e uma inovadora divisão diagonal.

Foto: AS Monaco
Foto: AS Monaco

Criou-se então a nova identidade dos monegascos. O desenho permanece até hoje, é uma marca registrada da equipe do principado. De cara, a combinação uniforme + elenco foi um sucesso. O Monaco venceu o Francês com 57 pontos, superando o Racing Paris na corrida pelo título. Ali, começava uma era de conquistas nas mãos do técnico Lucien Leduc, que ainda conseguiu uma dobradinha na Liga e na Copa da França (ao derrotar o Lyon) em 1963, sua última façanha à frente da equipe.

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Com a saída de Leduc, o time caiu de rendimento e ficou com o vice em 1963-64. Várias campanhas medíocres no pelotão inferior culminaram com o rebaixamento em 1969, um tanto quanto meteórico para quem ameaçava dominar a França no início daquela década.

A situação só melhorou nos anos 1970, com os gols do matador Delio Onnis, que tirou o time da segundona três vezes, em 1971, 1973 (o Monaco foi rebaixado logo de cara em 1972) e 1977. Curiosamente, em 1978, o time levantava o seu terceiro título do Francês, com 29 gols de Onnis, que só não foi artilheiro da competição porque o argentino Carlos Bianchi, então no Paris Saint-Germain, marcou 37.

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Desde então, foram mais cinco conquistas no Francês, a última delas em 2000. O Monaco se consolidou como uma das maiores forças do país ao lado de PSG, Marselha, Lyon, Saint-Etienne e Bordeaux. E pensar essa soberania começou lá em 1961, quando a ilustríssima Grace Kelly desenhou de forma despretensiosa o modelo da camisa do time monegasco…

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