A grande fase de Totò Schillaci durou apenas dois anos

Foto: Juventus
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A Itália já conhecia um pouco da capacidade de Totò Schillaci para marcar gols. Referência na Serie B pelo Messina, o atacante ganhou a chance de jogar pela Juventus em 1989-90, ano anterior ao Mundial, que seria disputado na Itália. O técnico Azeglio Vicini teve de convocar o grande goleador do momento. E não se arrependeu.

Schillaci Messina figurinha 2

A trajetória meteórica de Salvatore Schillaci começa em 1982 no profissional do Messina. Ele tinha 18 anos e tentava se firmar no time principal. Eram tempos complicados e o clube siciliano amargava campanhas na terceira divisão. Foram quatro anos de Totò disputando jogos perdidos na terceirona, até que ele finalmente estourou em 1986, empurrando o clube giallorosso até o acesso.

Juntamente com Parma, Modena e Taranto, o Messina voltava para a segunda liga. Presente em 31 das partidas da sua equipe no campeonato, Schillaci anotou 11 gols. Queria uma estreia convincente na Serie B, mas não conseguiu impressionar e fez apenas três quando o nível de competição subiu. Já na temporada seguinte, em 1987-88, anotou 13 gols, jogando quase todos os compromissos do Messina na Serie B. A campanha, no entanto, era ruim: os sicilianos ficaram apenas em 12º, longe do acesso.

Schillaci naquela altura já era capitão e artilheiro do time, quando em 1988-89, fez sua melhor temporada na carreira. Sob o comando de Zdenek Zeman, o Messina ficou em nono e Totò foi o artilheiro com 23 gols, pulverizando a concorrência. O segundo artilheiro, Antonio De Vitis, da Udinese, anotou apenas 15. Cobiçado pelos grandes, o centroavante assinou com a Juventus em 1989 e a transferência mudou a sua vida por completo.

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Juve e a artilharia da Copa de 90

Schillaci Juve figurinha

Era uma aposta segura contratar o artilheiro da Serie B naquele momento. Schillaci tinha experiência suficiente para tentar voar na elite italiana. A Juve havia perdido força dentro da Itália para Napoli, Milan e Internazionale. E Platini, a estrela máxima da companhia, se aposentou em 1987, deixando uma enorme lacuna técnica no elenco.

Dino Zoff era o treinador que deveria resgatar o orgulho juventino, já que foi ídolo em décadas anteriores. Com um time modesto para o tamanho da agremiação, a Juventus tinha Galia, De Agostini, Zavarov, Rui Barros, Casiraghi e Schillaci como destaques, sem tanto estrelismo. Mas para quem pensa que o time naufragou em 1989-90, os resultados foram convincentes. Pela Serie A, um quarto lugar, que foi compensado com uma dobradinha na Copa da Itália e na Copa Uefa.

Schillaci teve boa atuação nas três frentes. Marcou 15 gols na Liga (a artilharia ficou com Marco Van Basten, que fez 19), 2 na Copa da Itália e mais quatro na Uefa, somando o total de 21 tentos em uma temporada com calendário abarrotado. Apesar de ter ajudado o clube a passar de fase, Totò não marcou em nenhuma das finais que disputou.

Foto: Juventus
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Pela Uefa, bateram a Fiorentina de Roberto Baggio depois de uma vitória por 3-1 em Turim e um empate por 0-0 em Florença. No ano anterior, a Velha Senhora acabou derrotada pelo Napoli de Maradona na decisão. Pelo menos um pouco de alegria ao coração bianconero. Galia, Casiraghi e De Agostini foram os marcadores pela Juve, enquanto Renato Buso diminuiu para a Viola. Na Copa da Itália, o rival foi o Milan, que empatou o primeiro jogo na casa juventina por 0-0, mas perdeu a volta no San Siro por 1-0, gol decisivo de Galia.

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As atuações de Schillaci renderam uma convocação para a Itália. Ao fim de março, o atacante entrou contra a Suíça em um amistoso na Basileia. Dois meses mais tarde, estava entre os contemplados com uma vaga na Copa do Mundo. E foi lá que ele entrou para a história.

Totò de todos nós

Schillaci Itália 1990

O Mundial de 1990 pode até ter terminado com um gosto amargo para o povo italiano, mas quem se aproveitou demais da boa campanha dos anfitriões foi Totò. Artilheiro da Copa com seis gols, começou no banco as duas primeiras partidas contra Áustria e Estados Unidos. Entretanto, as boas participações e o gol diante dos austríacos lhe renderam uma vaga entre os onze titulares. Andrea Carnevale foi para o banco e não saiu mais de lá depois que Schillaci pisou firme para marcar território.

O atacante só não foi às redes contra os americanos. Depois disso, anotou um contra a Tchecoslováquia, outro contra o Uruguai nas oitavas, um contra a Irlanda nas quartas, outro contra a Argentina, nas semifinais e o derradeiro, que lhe rendeu a chuteira e a bola de ouro, contra os ingleses na disputa de terceiro lugar. Destes todos, o único que a Itália não venceu (apesar de ter jogado muito bem) foi a Argentina, que culminou na eliminação dos donos da casa, nos pênaltis.

Schillaci saía do torneio como o ídolo inesperado da campanha. Foram seis gols e o tardio reconhecimento como artilheiro. Oportunista, usava a cabeça e estava bem colocado para mandar um chutaço no ângulo, como no gol contra o Uruguai, uma verdadeira pintura. Ele estava inspirado e teve muita felicidade naquele mês em que a Copa aconteceu. É preciso comentar também sobre a jogada coletiva no gol contra a Argentina, que teve até chapéu dentro da área. Salvatore marcou no rebote de Goycochea e abriu o placar. Mas Caniggia empatou para os visitantes e deu no que deu.

Acabou a magia

Schillaci figurinha Inter

Depois disso, a fonte de gols secou. Declinou pela Juve e só marcou mais um gol com a camisa da Itália, em Oslo, contra a Noruega, pelas eliminatórias da Eurocopa 1992. Schillaci deixou de ser convocado em 1991 e voltou a ser um atacante comum, que marcava pouco. Ficou mais duas temporadas na Juventus e foi cedido à Internazionale em 1992. Conquistou a Copa Uefa em 1994, como reserva, sem nem entrar nas decisões contra o Salzburg.

A Inter venceu os dois jogos contra os austríacos por 1-0, gols de Nicola Berti e Wim Jonk. Totò atuou apenas 13 vezes na temporada, ao todo. Não atuou mais do que isso pois estava machucado, um problema que atravessou pela primeira vez na carreira.

Em 1994, aos 30 anos, foi para o futebol japonês. Ficou quatro temporadas no Jubilo Iwata e foi campeão nacional em 1997, ano em que se aposentou do esporte. Ficou então uma grande interrogação: qual era o verdadeiro Schillaci? O que carregou a Itália até a semifinal da Copa? Ou o que sofria para se firmar nos anos iniciais de Messina e pela Inter? Por via das dúvidas, a sua grande fase durou de 1988 a 90.

Enquanto pôde, fez a sua parte ao ser um goleador pela Juve. Não exatamente uma força implacável da natureza, mas muito útil para o grupo. Era o cara que estava na hora certa e no lugar certo para empurrar a bola para as redes. Felizmente, será lembrado por isso e por uma Copa inspirada, que fez seu nome para sempre.

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