O dia em que Mario Kempes ganhou a Copa do Rei para o Valencia

Foto: Marca
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Menos de um ano depois de ganhar a Copa do Mundo pela Argentina em Buenos Aires, o craque Mario Kempes foi campeão da Copa do Rei pelo Valencia. Em 1979, o atacante marcou os dois gols dos Che em uma decisão histórica contra o Real Madrid, no estádio Vicente Calderón.

Kempes marcava seus gols em campos argentinos quando no início da década de 1970, foi revelado pelo Instituto de Córdoba. Estourou mesmo atuando pelo Rosario Central e teve pouco tempo para mostrar seu potencial e virar uma grande referência para os canallas. O atacante conhecido como “El Matador” brilhou mesmo na Espanha, onde teve a sua melhor fase, que coincidiu com a glória na Copa de 1978.

Se os valencianos se curvam a Kempes pelo que ele representa ao time com seus três títulos, certamente o mais marcante deles é o da Copa do Rei, único nacional conquistado por ele em sete anos no Mestalla. Dentro da Espanha o Valencia tinha forte concorrência e falhou em ser campeão da Liga nos tempos em que Mario estava lá.

A fase era tão boa em 1978 que o técnico César Luis Menotti optou por fazer dele uma exceção na lista de convocados para a Copa: Kempes era o único que jogava fora da Argentina na época. No ano seguinte ao primeiro título mundial da Albiceleste, Kempes liderou o time que bateu o Real Madrid na final da Copa do Rei em 1979.

Em toda a temporada, Kempes fez 18 gols em 46 jogos. Pela Copa do Rei marcou apenas um antes da decisão. Para chegar até o último embate, no Vicente Calderón, o Valencia derrubou Girona, Real Sociedad, Barcelona, Alavés e Valladolid para disputar a taça com o Real Madrid.

O Valencia de Kempes

Foto: CiberChe
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Até 1976, o trio de ataque do Valencia era formado por Kempes, Johnny Rep e o paraguaio Carlos Diarte. Com a saída de Rep para o Bastia em 1977, Diarte e Kempes sobraram e receberam o reforço de Darío Felman, campeão da Libertadores com o Boca em 77. Felman eventualmente tomou o lugar de Diarte na equipe titular. A pequena reformulação ainda ganhou um grande alemão: Rainer Bonhof, que veio do Borussia M’gladbach em 1978.

Manzanedo, Carrete (o capitão), Botubot, Arias, Cerveró, Bonhof, Castellanos Solsona, Saura, Kempes e Felman eram os craques escolhidos pelo técnico Pasieguito para a decisão contra o Real Madrid em 30 de junho de 1979. Do outro lado, alinhavam nomes como Quique Wolff (ex-Racing e River Plate, hoje comentarista e apresentador da ESPN), Vicente Del Bosque, Uli Stielike e Santillana. O Real perdeu o dinamarquês Henning Jensen e o atacante Juanito antes da decisão, por contusão, o que resultou em um desfalque importante para o confronto. O técnico madridista era Luís Molowny.

O Valencia queria o seu quinto título na competição. Desde 1971 os Che esperavam uma nova taça em seu salão nobre. Foram campeões espanhóis com os mesmos pontos do Barcelona, vencendo apenas no confronto direto. Alfredo Di Stéfano era o comandante do time sem grandes craques que triunfou na Liga. O mesmo Di Stéfano esteve à frente do segundo troféu vencido pelo Valencia na Era Kempes: a Recopa Europeia de 1980 contra o Arsenal de Liam Brady.

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A consagração do Matador

Foto: CiberChe
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Mais ofensivo, o Real Madrid tentava furar a retaguarda valenciana, mas esbarrava no rígido sistema armado por Pasieguito e composto por Carrete, Botubot, Arias e Cerveró. Em um contragolpe violento, Kempes recebeu na esquerda aos 25 minutos do primeiro tempo, entrou na área e mandou uma bomba que ainda tocou no goleiro García Remón.

Antes do intervalo, o Real teve um pênalti a seu favor. Mas o argentino Wolff, descalibrado, acertou a trave de Manzanedo e o Valencia continuou na frente. Pressionada depois do intervalo, a equipe de Pasieguito segurou bem a onda e a pressão que o Real fazia. Ineficiente e cada vez mais ansioso para chegar à área dos Che, o time de Molowny desperdiçou muitas chances.

Kempes matou o jogo em um lance simplesmente genial, aos 45 da etapa final. Costurou a defesa pela esquerda tirando o primeiro marcador com uma bola por entre as pernas e um corte no segundo. Quando o goleiro reserva Maté (que substituiu o lesionado García Remón) saiu para afastar, só conseguiu espalmar a primeira finalização. Kempes pegou o rebote e com maestria tocou no alto, tirando do arqueiro e dos dois defensores que estavam em cima da linha.

Kempes ainda venceu a Recopa e a Supercopa Uefa em 1980. Deixou o Valencia em 1981 pela primeira vez, acertando com o River. Foi campeão nacional e voltou em 1982, ficando por mais dois anos no Mestalla. Longe da fase técnica que viveu na década de 1970, iniciou uma peregrinação e jogou por Hércules, First Vienna, St. Pölten e Kremser, ficando seis anos no obscuro futebol austríaco. Ainda atuou pelos ainda mais desconhecidos Fernández Vial, do Chile, e Pelita Jaya, da Indonésia, antes de deixar os campos em definitivo no ano de 1999, com 45 anos.

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