Como Evair ajudou a Portuguesa a sonhar alto em 1998

Foto: UOL
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Entre o título brasileiro com o Vasco e o da Libertadores com o Palmeiras, Evair viveu um momento pouco lembrado de sua carreira. Em 1998, foi cedido à Portuguesa graças a uma ambiciosa tentativa da Federação Paulista. O atacante foi muito bem na Lusa, apesar de não ter vencido nenhum título.

No ano anterior, em 1997, Evair colhia os frutos de mais uma parceria vitoriosa com Edmundo. Juntos, os ídolos palmeirenses de 1993 e 1994 levaram o Vasco ao título brasileiro em cima do mesmo Palmeiras que os consagrou anteriormente. A dupla se entendia bem, apesar dos mitos da imprensa de que eles seriam brigados. O Cruzmaltino montou um time fantástico para a temporada e tinha ali a base para o título da Libertadores de 1998, mesmo com a saída de Evair para a Lusa e de Edmundo para a Fiorentina.

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Em janeiro de 1998, a Portuguesa fez uma parceria com a Federação Paulista para comprar o passe do Matador, de 32 anos, junto ao Vasco. Com fama de garçom na época, Evair chegou como grande contratação para a temporada. Na verdade, os planos da Lusa eram de trazer o meia veterano Paulo Futre, mas em cima da hora o português desistiu por ter brigado com dirigentes e foi para o Yokohama Flügels, onde se aposentou aos 32 anos.

O impacto do artilheiro

Foto: Estadão
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A Portuguesa estava em boa fase. Em 1996, brigou pela conquista do Campeonato Brasileiro, perdendo para o Grêmio na final. Em 1997, passou perto de se classificar para a segunda fase do Paulista e no Brasileiro. Com Evair, provavelmente a Lusa teria algo mais para a campanha de 1998. O técnico no início do ano era Eduardo Amorim, campeão paulista e da Copa do Brasil de 1995 com o Corinthians. Eventualmente, Amorim foi trocado por Candinho, que comandou o time lusitano de 1996.

Pelo Paulistão, a Lusa não foi muito bem na primeira fase, classificando como terceira do grupo 1, na fase que ainda não contava com os grandes na disputa. Entretanto, quando foi para o estágio seguinte, surpreendeu e levou a segunda vaga do Grupo 2, atrás do São Paulo, eliminando o Santos e avançando para a semifinal. Capitão, Evair era a esperança de que as boas campanhas finalmente resultassem em algum título.

Essencial para a caminhada da Portuguesa, Evair vinha fazendo seus gols e era a grande referência do ataque, fazendo dupla com Aílton, que revezava com Leandro Amaral. O Matador foi importantíssimo na semifinal contra o Corinthians, em que a Lusa foi eliminada no Morumbi em um jogo de arrepiar. Na ida, empate em 1-1, o que servia para o Timão, com a vantagem de jogar por dois resultados iguais.

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O jogo de Castrilli

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A volta foi marcante e traumática para a equipe do Canindé, em 26 de abril. O jogo, apitado por Javier Castrilli, teve uma porção de lances contestáveis. Evair recebeu um longo passe da direita, arrancou para a linha de fundo, cruzou para Alexandre do outro lado, que levantou na cabeça de Aílton: 1-0 para a Lusa. Na corrida, o centroavante ainda tinha condição legal e teve muito espaço para definir o lance. Há quem reclame que Evair estava impedido, mas não procede.

Já no segundo tempo, correndo atrás do empate, o Corinthians teve um pênalti marcado a seu favor. Evair segurou Cris pelo pescoço e Castrilli não hesitou em assinalar a infração dentro da área para o Timão. Marcelinho bateu com classe, rasteiro no canto e fez o 1-1. A Portuguesa reagiu e em uma cobrança de falta ensaiada, César acertou a barreira, a bola desviou e Da Silva (impedido) pegou o rebote no meio da área, para colocar os Leões na frente.

E aí aconteceu já perto do fim o lance capital. O Corinthians vinha pela esquerda e tentou um cruzamento para o meio da área, quando o zagueiro César tomou a frente e tirou com o peito. Castrilli estava a três metros do lance e marcou outro pênalti, alegando mão na bola. Em meio a vários protestos da Portuguesa, o argentino não mudou de ideia e manteve a decisão. Rincón bateu e deixou tudo igual.

Castrilli expulsou Augusto, Carlinhos e o zagueiro César ao longo da partida. Pelo Corinthians, só Marcelinho foi para o chuveiro mais cedo. Feliz com o 2-2, o Timão se classificou para a decisão eliminando o futebol envolvente da Lusa, mas perdeu para o São Paulo de Raí. Evair e seus colegas não se abalaram com a saída do Estadual e repetiram a grande campanha em um disputadíssimo Brasileirão.

Semifinalista do Brasileiro

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O veterano continuou liderando a Lusa no Nacional. A participação lusitana no campeonato foi ainda melhor na primeira fase do que em 1996, quando se classificaram em oitavo lugar para o mata-mata. O sexto lugar de 1998 animou a equipe do Canindé, empurrada pelos passes decisivos de Evair e pelos gols de Leandro Amaral e Aílton. O ponto alto foi a goleada contra o São Paulo por 7-2 no Pacaembu.

Nas quartas de final, o Coritiba ficou pelo caminho em uma série equilibrada de confrontos. A Portuguesa fez 3-1 no primeiro jogo contra o Coxa, empatou em 0-0, 2-2 e ficou com a vaga nas semifinais. O adversário seria o Cruzeiro.

Evair já havia se conformado em ser mais um assistente do que aquele goleador que foi no Palmeiras. Estava sempre lá para fazer o último passe e deixar o companheiro na cara do gol. Coadjuvante de Leandro Amaral, o mais destacado artilheiro do plantel, Evair atuava quase que como um meia-atacante, tamanho talento para se posicionar e encontrar espaços na defesa adversária. Mas só ele e Leandro não poderiam bater a Raposa, que vinha embalada. Marcelo Ramos abriu o placar, mas Leandro deixou tudo igual, de cabeça, empurrando o zagueiro João Carlos para marcar.

De pênalti, Fabio Júnior desempatou. A Lusa bem que apertou no segundo tempo, mas não foi suficiente para calar os 100 mil presentes no Mineirão. Com 46 do segundo tempo, Fabio Júnior disparou na direita e rolou para o meio da área, Alex Alves meteu um toque de letra para vencer Fabiano e consolidou o 3-1 para os cruzeirenses.

A batalha no Canindé, dias depois, prometia ser dura. Evair teve a primeira chance clara, cabeceando quase livre para o gol. Gustavo tirou, mas Alexandre subiu para pegar o rebote e marcar, 1-0. Marcelo Djian empatou em um escanteio e a situação ficou ainda mais tensa para a Lusa. Com um pênalti a seu favor, a Portuguesa vivia a expectativa de passar outra vez à frente. Mas Leandro Amaral esbarrou em Dida, que pegou e evitou o segundo, pelo menos por aquele momento. Outra vez, Evair levou perigo e carimbou o travessão de Dida. Em escanteio, Alexandre subiu para tocar de cabeça e marcou o gol da vitória rubro-verde. Era um sinal de esperança.

Novamente no Canindé, a Portuguesa esperava uma reviravolta para disputar outra final de campeonato, pensando na vingança possível diante do Corinthians, engasgada com a semifinal de Castrilli. No entanto, Djair estava no caminho da classificação sonhada. E em uma jogada individual pelo meio, o cruzeirense carregou e soltou o pé para vencer Fabiano. Mesmo com toda a pressão e as chances criadas contra as traves de Dida, aquele gol de Djair foi o único gol da noite, para a tristeza da torcida local.

Quase vira-casaca

Evair ficou com futuro indefinido ao fim das competições e passou a interessar aos grandes paulistas. Em uma reviravolta que quase foi concretizada, ele passou perto de assinar com o Corinthians, mas a proposta salarial não alinhou com a da diretoria alvinegra para o ano de 1999.

Durante o mês de janeiro, o Palmeiras chegou com a força da Parmalat para oferecer ao velho ídolo o que ele queria. E assim, Evair deixou o Canindé para voltar ao Parque Antárctica e escrever uma grande história que acabou com final feliz. Pelo menos até o Mundial Interclubes…

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