A esquecida Roma que foi campeã europeia em 1961

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O ano era 1961. A Roma vivia uma grande fase no Campeonato Italiano e chegava a uma decisão europeia pela primeira vez em sua história. Em dois jogos repletos de tensão e violência, a equipe italiana comemorou o que foi o seu primeiro e único título continental.

Até que o jogo decisivo da Copa das Cidades com Feiras de 1961 chegasse, a Roma do capitão Losi, de Angelillo, Manfredini e Menichelli enfrentou desafios duríssimos. Passou por Union Saint-Gilloise, da Bélgica, o Combinado de Colônia e o Hibernian. Nas quartas e semifinais, foram necessários jogos extras além do planejado para a definição da vaga.

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Na hora crucial destes confrontos, a Roma levou a melhor e com direito a goleada. Contra os alemães da seleção de Colônia, por exemplo, 4-1. Diante do Hibernian, que vendeu caríssimo a classificação, o agregado havia empatado em 5-5 e os giallorossi atropelaram em casa por 6-0, em grande atuação do trio ofensivo de Manfredini, Angelillo e Menichelli.

A Roma ainda contava com o uruguaio Schiaffino, campeão mundial em 1950, e com Giancarlo De Sisti, presente na seleção italiana que perdeu a Copa de 1970 para o Brasil. Eles não estiveram nos jogos finais, mas barbarizaram nas fases anteriores, quando era preciso um bom número de jogadores para conciliar a agenda com a Serie A italiana.

O cenário era tão favorável para a Roma que o Birmingham, adversário para a final, perdeu vários jogadores importantes e atravessava uma fase lamentável quando chegou para lutar pela conquista. Para piorar, eles tiveram um jogo importante pela Liga Inglesa menos de 48 horas antes da primeira partida, jogada na Inglaterra. Apostando basicamente em juvenis e com um elenco majoritariamente cansado pela maratona de jogos, os Blues sofreram as consequências enquanto lutavam pela sobrevivência no seu campeonato local.

As brigas e a catimba inglesa

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Com o Birmingham em frangalhos, restou à Roma fazer uma atuação segura para ficar com a taça. Mas o que se viu nos 180 minutos de jogo, tanto em solo inglês quanto na Itália, foi uma batalha definida em detalhes. Quem brilhou pelo lado romanista foi o atacante Manfredini, que chegava com 10 gols na decisão.

Não tendo outra opção que não fosse jogar priorizando o lado físico, o Birmingham tentou vencer na base da truculência. Só que a postura não pegou bem com os romanistas e sobretudo com o atacante Menichelli, que fez o técnico da Roma invadir o campo para pedir punições aos ingleses. Ignorando a reclamação, a arbitragem nada fez e a catimba prevaleceu até o fim. Manfredini, o matador, foi às redes duas vezes e acabou apontado como melhor em campo.

O Birmingham reagiu só no segundo tempo, marcando os seus gols em um pequeno intervalo de tempo perto do fim, com Hellawell e Orritt, apesar de grande atuação do arqueiro Cudicini (pai de Carlo Cudicini, que atuou muitos anos no Chelsea). Para o jogo de volta, a intenção do técnico Luis Carniglia, da Roma, era liquidar o adversário logo de cara.

Chumbo trocado não dói

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Em 11 de outubro de 1961, na cidade de Roma, o time da casa simplesmente não podia deixar a vitória escapar. O Birmingham estava ainda pior na tabela do Inglês, ocupando a lanterna. E dias antes do confronto, vendeu seu capitão Dick Neal ao Middlesbrough. Com dez minutos de jogo, os romanistas estavam dando as cartas e quase fizeram pelo menos três gols, mas esbarraram na defesa dos Blues.

O clima estava ainda mais acirrado e jogadores saíram na porrada com a bola rolando, como foi o caso de Menichelli e Orritt, que trocaram socos. Ao intervalo, o mesmo Menichelli saiu lesionado após uma dividida com Brian Farmer. O juiz precisou conversar individualmente com os capitães para evitar que acontecesse uma tragédia.

A torcida local se enfureceu e começou a atirar objetos no gramado em direção aos ingleses, que sentiram ali o peso da decisão, mas a chuva de ódio parou quando a bola rolou. E a Roma passou a reagir aos estímulos violentos vindos do Birmingham. A guerra teve o primeiro grande golpe da tarde aos nove minutos da segunda etapa, quando uma finalização do lado romanista desviou na canela do inglês Farmer e foi parar nas redes, abrindo o placar no Olimpico.

Quando os italianos já ensaiavam o grito de campeão, o defensor Paolo Pestrini achou um belíssimo chute e com extrema felicidade acertou o ângulo do gol de Schofield, aos 45 minutos finais, selando a conquista da Roma no torneio. A Roma faturava ali seu primeiro título internacional. A espera pelo segundo, no entanto, tem sido longa…

A obsessão pós-1961

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Não que a torcida romanista viva delírios de ser campeã europeia novamente, mas em duas outras ocasiões, o título passou perto. O mais doloroso certamente é o capítulo de maio de 1984, quando a Roma perdeu a decisão da Copa dos Campeões para o Liverpool, dentro do Olimpico. Nas penalidades, os ingleses levaram a melhor. O episódio desencadeou no suicídio do capitão do time, Agostino Di Bartolomei, dez anos após a final.

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Já em 1991, pela decisão da Copa Uefa, a Roma acabou derrotada pela Internazionale em agregado de 2-1 para os interistas, graças a uma vitória por 2-0 na ida, em Milão. O atacante Ruggiero Rizzitelli ainda marcou o gol no jogo de volta, mas a reação não foi suficiente para levar o duelo para os pênaltis.

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