As maravilhas de Ronaldo pelo PSV

Foto: Telegraaf
Foto: Telegraaf

Se um grande craque defende o seu time, ele eventualmente vai deixar saudade quando partir para outro lugar. Ele pode até não ter conquistado grandes coisas ali diante dos seus olhos, mas você vai poder sempre se gabar que fulano um dia vestiu a camisa do seu clube. Este certamente é o caso dos torcedores do PSV em relação a Ronaldo.

O Ronaldo de 1994 ainda era uma promessa. O que ele fez no Cruzeiro em seu primeiro ano como profissional era apenas um indicativo de que seria um dos grandes. Mas quando ele assinou com o PSV depois de ser campeão mundial nos Estados Unidos, ninguém sabia que ele seria tão bom assim.

LEIA TAMBÉM: O dia em que Ronaldo quis derrubar o técnico da Internazionale e se deu mal

Careca, franzino, menor de idade e tímido: este era Ronaldo quando saiu a primeira vez para jogar fora do país. Ainda não era o Fenômeno pós-1998, nem sequer o grande camisa 9 brasileiro depois de Careca. Ele precisava provar que poderia estourar como centroavante. No PSV aconteceu exatamente isso.

Para esta missão, Ronaldo contava com a parceria do matador belga Luc Nilis, um gênio do gol, outro artista capaz de embasbacar companheiros e adversários. Com Ronaldo e Nilis no ataque, o PSV sonhou alto, mas naquele tempo contava com a forte concorrência do Ajax, que foi campeão e finalista da Liga dos Campeões e varreu a Holanda durante a década de 1990.

O Ajax encaixou um tricampeonato holandês entre 1994 e 96, coincidindo com o período em que Ronaldo defendeu o PSV. Em duas temporadas, o atacante brasileiro conseguiu uma Copa da Holanda e um prêmio como artilheiro logo no seu ano de estreia, marcando 30 gols, a melhor marca desde Marco Van Basten, em 1987, com 31.

Foto: Daily Mail
Foto: Daily Mail

Em 58 partidas nestes dois anos, Ronaldo anotou 54 gols, tendo uma lesão grave no joelho que lhe impediu de atuar por grande parte das competições no segundo ano. Mesmo assim, em 21 aparições, fez 19 gols. Em forma, era um monstro.

LEIA MAIS: O ano em que Amoroso dominou a artilharia da Itália

Ali já tinha ficado claro que Ronaldo poderia fazer do mundo o que bem entendesse. Técnico demais, habilidoso e fora de série na finalização, pintou e bordou na Holanda, um país que tem uma liga abaixo do nível médio de competição da Europa.

Uma coisa curiosa no jogo de Ronaldo é que ele sempre fez parecer muito fácil o ofício de encarar um marcador, driblar o goleiro e parar no fundo das redes. Especialmente quando era mais ágil, até 1999, o centroavante era algo como uma figura imparável para as defesas adversárias.

O super moleque

Talvez o jogo que mais possa definir o que foi Ronaldo ainda com 18 anos, à flor da juventude pelo PSV, tenha sido contra o Bayer Leverkusen pela Copa Uefa. Os holandeses perderam por 5-4, mas o camisa 9 foi simplesmente fantástico, marcando três gols e participando intensamente do duelo.

O jeito como ele carregava a bola era assustador. Desde cedo Ronaldo mostrava uma maturidade que poucos jogadores tiveram até o fim da carreira. De alguma forma, ele sabia como fazer a bola grudar no pé e onde chutar para vencer o goleiro. Não fossem as cruéis lesões nos anos seguintes, estaríamos testemunhando um dos maiores goleadores da história.

Muito embora ninguém duvide do potencial de ser artilheiro de Ronaldo, as contusões e problemas físicos tiraram dele uma fase dourada da carreira. E que o aumento insano da massa corporal também trouxe prejuízos na sua fase final por Milan e Corinthians.

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

LEIA TAMBÉM: Como Palermo sofreu para se firmar no Estudiantes

Ronaldo deixou o PSV com apenas uma taça no currículo. Fez clara a sua intenção de jogar por um clube maior, com mais chances de títulos. E este escolhido teria sido a Internazionale se a sua lesão crônica no joelho não fosse preocupante. Quem quis pagar para ver foi o Barcelona, que desembolsou 19 milhões de dólares para contar com o grande brasileiro do futuro, o legítimo sucessor de Romário.

Até nisso o Fenômeno foi parecido com o Baixinho. Ambos saíram do Brasil para jogar no PSV e depois seguiram para o Barcelona. Ronaldo se posicionou contra o técnico e acabou desagradando a torcida por seus apelos de deixar a Holanda e acabou saindo com um clima ruim.

Passaram-se 20 anos desde então. O atacante cresceu ainda mais no Barça, virou titular da Seleção Brasileira, lesionado e redimido com o título da Copa em 2002, até se transformar na lenda que conhecemos hoje. E pensar que aqueles anos no PSV é que pavimentaram todo um caminho de sucesso estrondoso do último grande camisa 9 brasileiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *